O que você vai ler e ouvir sobre o Flu na quinta
por Leonardo Mendes Jr.00h36
Se for campeão...
Renato Gaúcho é um dos expoentes da nova geração do futebol brasileiro. Arrojado, corajoso, fala a língua do jogador. Inspira seu elenco por aquilo que foi em campo, tem o time na mão, a malandragem na medida exata. Soube colocar no time o espírito necessário para reverter o placar do Equador. Soube como administrar a insatisfação do Dodô com a reserva e ainda assim fazer dele peça fundamental para o título. E olha, não é por nada, mas já desponta como candidato a técnico da seleção em 2014.
Thiago Neves é um daqueles bad boys que encantam pelo talento. É da mesma estirpe que Romário, Edmundo. Foge do discursinho politicamente correto da boleirada. E reúne o talento, a criatividade e genialidade dos grandes meias do futebol brasileiro. Com ele e Ronaldinho, o Brasil tem grande chance de ser ouro em Pequim.
Washington é um predestinado. A simples presença dele já é um exemplo para todo o elenco. De superação, de raça, de luta. Era um crime uma biografia tão encantadora ficar sem um grande título. O Fluminense só chegou onde chegou porque teve Washington no ataque.
É o sucesso do projeto Xerém. Fernando Henrique, Thiago Silva, Júnior César, Arouca. Todos crias do Fluminense. Mais uma prova de que não se faz um time vencedor sem gente da casa, sem gente que entenda o que é defender aquele clube. O Fluminense torna-se sem sombra de dúvida um exemplo para todo o Brasil de como formar jogadores e de que vale a pena investir e apostar na base.
Luís Alberto é um grande líder. Aquele capitão que todo o treinador se orgulha em ter. Sempre demonstrou personalidade para chamar para si a responsabilidade nas derrotas e de ter o equilíbrio de mostrar ao grupo que a verdadeira vitória só viria hoje, com o título.
E agora vão dizer o que do Fernando Henrique? Fez uma Libertadores maravilhosa. Operou verdadeiros milagres contra o São Paulo, contra o Boca, contra a LDU... É, sem dúvida, um goleiro a ser olhado com carinho pelo Dunga para futuras convocações. Quem sabe ser o que foi o Júlio César em 2006. Um terceiro goleiro para ganhar experiência, sentir o que é uma Copa do Mundo e estar preparado para receber a camisa 1 na Copa seguinte.
Se o Flu não for campeão...
Se tem algo que essa perda sentida para a torcida do Fluminense prova é que o Renato Gaúcho ainda não é um técnico pronto. Ele vem escalando o time mal desde os jogos com o São Paulo, mas a sorte ajudou. Agora ele não podia querer contar com a sorte sempre, né? Faltou ao Renato experiência para administrar os nervos do grupo entre o jogo do Boca e a final e acabar com aquela impressão que sempre pairou de que os jogos com a LDU seriam mera formalidade para o título. Se fosse para resumir em um episódio a falta de jeito do Renato para lidar com uma grande decisão eu citaria o caso Dodô. Foi achando que estava agindo certo ao deixá-lo no banco falando o que quisesse, que tudo ia dar certo, mas olha o resultado. Aposto que tinha jogador jogando mais pelo Dodô do que pelo Renato. E grupo rachado não tem futuro.
Exigiram demais do Thiago Neves. É um bom jogador que se passa por craque nessa crise técnica que o futebol brasileiro atual atravessa. Se fosse há cinco, dez anos, ele não seria titular de um time como o Fluminense. É muito instável emocionalmente, leva para campo a falta de estrutura que a gente vê existir na família dele, por exemplo. É triste, é vida particular, mas isso influencia. E outra... Essa história de transferência para a Europa mexe com a cabeça do jogador. Que adianta ele ficar aqui, mas pensando em quantos euros ele vai ganhar, no carro que vai comprar...
O Washington já foi artilheiro de não sei quantos campeonatos, mas que título ele ganhou? Futebol japonês não vale. Até o Alcindo, que era meia-boca aqui, virou rei lá. É um jogador útil, não questiono isso. Tem uma história de vida comovente, é sem dúvida um vencedor naquilo que interessa, que é o jogo da vida. Mas aqui, no futebol, que é o que estamos analisando, falta aquele algo mais. Aquele DNA do campeão que ele, infelizmente, não tem. Foi vital para o Fluminense chegar à final, mas se escondeu nos dois jogos. Sentiu a pressão.
Me expliquem uma coisa.O Fluminense tem uma estrutura suntuosa em Xerém, manda inúmeros jogadores para o profissional, mas e o resultado? Fernando Henrique? Nunca passou segurança para o time. Thiago Silva? Só quer saber de Europa, seleção, não sei o quê. Arouca? Tá até agora procurando o Riquelme. Júnior César? Foi engolido pelo Guerron. Mas a culpa não é dos meninos. Eles jogam porque são escalados. E são escalados porque não há outra opção. A tal patrocinadora do Fluminense, que investiu não sei quantos milhões, errou mais uma vez. Botou milhões no ataquem jogou dinheiro no lixo com o Leandro Amaral, que tá lá fazendo gol no Vasco, e esqueceu de contratar algo fundamental para a Libertadores: ex-pe-ri-ên-cia-in-ter-na-cio-nal.
Para usar um termo atual, esse Luís Alberto é um fanfarrão. Termina o jogo, ele parece político em campanha. Gesticula, faz caras e bocas, fala bonito. Mas e jogar bola? Boleiro é esperto. Boleiro sabe que só conversa não resolve. Que capitão tem que ter atitude. E o Luís Alberto não tem. Basta ver que o time se perdeu depois do jogo com o Boca. E o capitão, fez o que para mudar essa situação?
Não por nada, mas que time pode ser campeão com um goleiro como o Fernando Henrique. Até acho que ele se superou em algumas partidas, não sejamos injuntos, mas ele não tem aquela segurança contagiante. Muito pelo contrário. Ele é inseguro, a bola vai no gol e você não sabe o que pode acontecer. Isso passa para o time. E numa decisão equilibrada, faz a total diferença.
Pronto, pode aproveitar a final à vontade.
5 comentáriosPermalink
FutebolTelevisãoLibertadoresFutebol CariocaHumorJornalismoImprensa
Posts similares:
Futebol-arte, por Renato Gaúcho
A melhor final do ano
CHUPA, FLUMINENSE DE MERDA!
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário