A vitória do Novo Mundo
por Jones Rossi02h18
Não, este texto não é sobre "o Brasil na Euro". Marcos Senna, primeiro sul-americano campeão europeu de seleções, paulistano de 31 anos (faz 32 no dia 17 de julho), que até 2002 jogava no São Caetano, é muito mais que isso, é cara de um Novo Mundo que deu as caras nesta Eurocopa. Um mundo em que brasileiros jogam por seleções estrangeiras, representando países dos quais mal conhecem o idioma. E isto, ao contrário do que parece, não é ruim.
A Alemanha enfrentou uma Turquia que tinha no seu elenco um inglês, um brasileiro, dois alemães e um suíço. O fim das seleções? Não é, ao contrário do que os apocalípticos pregariam. É a consolidação de uma nova idéia européia de nação, mais aberta, mais democrática e heterogênea, sincrética como o Brasil de Mazola e Pelé, de Bellini e Garrincha.
Senna, um negro de sobrenome italiano, é a cara do Brasil, mas também da nova Europa, sempre tão afeita a radicalismos e à idéia de Nação como algo sagrado e fechado a quem é de fora. O nazismo perdeu a guerra, mas parte de seu intento foi alcançado. Transformou a Alemanha em um país praticamente sem judeus. Agora, mais de 60 depois do fim da Guerra, o nazismo perdeu. A Europa vai aos estádios torcer por suas seleções cheias de estrangeiros e descendentes de imigrantes. A Holanda é negra desde a década de 80, africanos jogam na Alemanha e na Polônia, Senna é campeão pela Espanha e um dos melhores da Euro.
Joseph Blatter, presidente da FIFA, quer limitar o número de estrangeiros nas seleções e times e impor regras mais rígidas para evitar este intercâmbio. Mas proibir a livre circulação das pessoas é como proibir o livre mercado de idéias, quase impossível.
E Blatter está errado. As seleções européias não estão sendo descaracterizadas. Apenas refletem a nova composição de seus países, cheios de imigrantes em busca de uma vida melhor, sejam eles da periferia de São Paulo, como Marcos Senna, ou da Argélia, como os pais de Zidane.
Ninguém pode culpá-los por a encontrarem no gramado, berço de uma nova Europa.
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Antes que alguém escreva que a CBF vai perder com isso, pois corre grande risco de perder potenciais jogadores selecionáveis, vai ser forçada a ganhar em estrutura, antes que outro selecionado chegue na frente e fique com a nacionalidade de algum jogador brasileiro...são tendências.
E depois não adianta chamar de desertores...pois mesmo com o Brasil sendo um país pobre, ele conta com uma pequena margem de grupos ricos...Entre os ricos, está a CBF.
Eu não sei, Jones. Acho que só vale naturalizar se todos os aspectos forem considerados, não só a chance de virar jogador de seleção. Se o Senna encaixou no esquema do Aragonés, ok, que sea muy bienvenido.
Mas pra mim não deve ser a regra. A Espanha provou que atualmente é muito mais brasileira que o Brasil. Porque hoje não precisa ser brasileiro pra ter gingado. Que os governos de cada país invistam para formar talento, e não importá-lo.
