Despedida pra italiano ver
por Ana Carolina Moreno00h29

Perdi a despedida do Adriano e a inauguração do novo, colorido e modernoso placar digital do Morumbi porque a diretoria do São Paulo resolveu fechar a venda de ingressos nos setores vermelho e amarelo e causou uma fila gigante na bilheteria do lado azul e laranja.
Me irritei só pelo fato de ter perdido também os 20 primeiros minutos da partida contra o Sport, por causa da bagunça que virou a venda de ingressos. Porque, pelo que fiquei sabendo depois, a tão esperada homenagem consistiu no discurso pouco inspirador de Juvenal Juvêncio sobre tudo o que o Adriano fez pelo São Paulo, seguido pela entrega ao centroavante de uma camisa comemorativa e uma placa. Microfone pra cá, microfone pra lá, "do São Paulo à Seleção", apresenta-se um quadro quase esquizofrênico com a imagem do jogador em pose de efeito, vestindo o uniforme azul e amarelo da Seleção embaixo do título "Imperador do Morumbi".
Sem dúvida o trabalho de recuperação que São Paulo e Adriano fizeram juntos foi bem sucedido.
Sem dúvida o cara conquistou até os setores mais mimados da torcida, deixou sua marca, saudades e as portas abertas para retornar um dia desses.
Sem dúvida faltaram títulos, mas a média de gols do ex-camisa 10 está entre as melhores da história do time.
Sem dúvida o investimento foi dos melhores que o time fez no ano, com a venda de camisas batendo recordes e a exposição positiva que o clube e o Reffis ganharam na mídia internacional.
Entristece, porém, perceber que o reconhecimento da diretoria está diretamente ligado ao desempenho financeiro.
Muricy e sua preocupação com o brasileiro que me perdoem, mas acharia muito mais pertinente colocar o cara pra jogar com o time e, ao substitui-lo (quem sabe até depois de um último golzinho para o time), o São Paulo Futebol Clube poderia deixar que sua torcida cuidasse da homenagem à sua maneira. Seria, no mínimo, um espetáculo mais sincero e que deixaria os italianos ainda mais felizes com o que o Tricolor fez com o valioso patrimônio deles.
Porque, se Adriano bem fez por merecer, outros são-paulinos também deveriam ter sido honrados com uma placa, uma camisa comemorativa e um discurso cheio de elogios do presidente antes de sair do clube. O amigo que narrou a encenação pra mim disse bem. “Nem o Raí teve uma despedida dessas. Nem o placar teve uma despedida dessas!” Pois é, o placar velho de guerra, que deu boas e más notícias aos torcedores por 28 anos, pelo menos pôde dar seu adeus silenciosamente, anunciando a própria aposentadoria.
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Beijo Carol!