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Jun 12

Especial dia dos namorados: a torcedora gaúcha e o coxa-branca

por Felipe Lessa20h35

Por L. Torcedora. Gaúcha. Namorada de um camarada meu*

Tudo começou há uns doze anos... Eu devia ter uns 14 anos, o Marlos 18. Cheguei da escola no final da tarde. Lembro de minha avó chamando, ela dizia que havia correspondência para mim. Acostumada a receber cartas, por ser relações públicas de uma torcida do interior do Rio Grande do Sul - que apesar de pequena em número de componentes, era grande em contatos por todo país – fui buscar a postagem.

Entrei na casa dela para pegar a carta, e ali estava meu primeiro contato com o Marlos, torcedor do Coritiba. Apesar de sempre receber cartas de pessoas que jamais tive contato, senti algo diferente quando li a carta dele. Tanto é que passamos a ter um contato diferente nas cartas, contando fatos não só de nossas respectivas torcidas, como de nossas vidas. Passamos a ser “amigos”.

Passei a esperar as cartas dele com uma ansiedade cada vez maior. O tempo ia passando, eu já não me interessava mais pela torcida da qual fazia parte, e logo depois abandonei de vez meu cargo de relações públicas, assim como Marlos, da torcida dele. Mas ao contrário de todos os meus outros contatos de torcida, aos quais simplesmente comuniquei o fato de estar me desligando do cargo, não foi assim com o Marlos...

Continuamos a nos comunicar por cartas... Logo depois por telefone... E, apesar de sempre ter achado um pouco estranho o fato de relacionamentos à distância, quando vimos, estávamos namorando... sem nunca termos tido um contato mais próximo. Mesmo assim, desde aquele momento, eu já sabia que havia algo de muito especial entre nós. Lembro do dia que oficializamos na época como início do nosso namoro...Era 12 de junho, dia dos namorados, quando recebi mais uma carta do Marlos.

Na carta, ele disse que gostaria de poder me mandar rosas, mas não sabia como, então o cartão que me mandou foi uma única maneira que encontrou de me mandar flores. Era um cartão pequeno, com uma rosa vermelho. Lembro até hoje do que ele escreveu dentro dele: “Amo você... Vou te esperar...”. Aquele dia tive a certeza de que estaríamos juntos, não importa o quanto tivesse de esperar para encontrá-lo....

Nos falávamos sempre por telefone, por carta...Fazíamos planos, pensávamos nos nomes dos nossos filhos. Optamos naquele época por Gabriela e Leonardo, desistindo logo em seguida de “Leonardo”, pois o sobrinho dele nasceu enquanto namorávamos e recebeu este nome.

No Natal daquele ano, Marlos viria até minha cidade. Acho que ele me falou isso um mês antes do Natal, e desde então passei a procurar por preços de hotéis. Mas o preço de todos era alto, então ele pediu se poderia ficar na minha casa. “Claro!”, eu pensei. Mas meu pai não pensou assim. Disse que não, que ele não poderia ficar, afinal nem sabia quem era o rapaz.

Lembro de termos discutido por vários dias a respeito. Eu dizia que sabia quem era: era meu namorado e eu queria ter a chance de vê-lo. Mas meu pai não cedeu, e eu não tive o que fazer, afinal, era adolescente, sujeita às suas ordens. E assim, chegava mais um final de ano em que eu e Marlos tivemos que nos desejar feliz Natal e feliz Ano Novo por telefone.
Virado o ano, em junho, quando estávamos fazendo um ano de namoro, o Marlos me ligou dizendo que apesar do carinho que sentia por mim, não podíamos continuar nessa situação. Afinal, já namorávamos há um ano e ainda não tínhamos tido sequer um contato pessoal.

Ele parecia tão decidido, apesar de continuar demonstrando que gostava de mim, que não tive outra opção a não ser concordar. Concordava e sofria. Chorei durante muito tempo, lembro que não tivemos mais contato depois daquele dia.

Mas apesar de não termos tido mais nenhum contato, eu ainda continuava gostando dele, alimentando um sentimento que eu imaginava que jamais poderia continuar. O tempo passou. Eu não tinha mais nenhum contato do Marlos. Lembro que depois de um tempo, procurei para ver se encontrava o telefone dele, um endereço... mas nada. Procurei em listas telefônicas, mas não encontrei o nome dele e não lembrava dos nomes de seus pais para procurar de outra forma.

Os anos foram passando e segui minha vida. Namorei outra pessoa e acabei me casando. Mesmo assim, guardei uma foto do Marlos e olhava constantemente para ela, pensando no que ele estaria fazendo, se já havia casado, se tinha tido os filhos que planejávamos.

Em todas as minhas agendas, de todos aqueles anos que não nos falávamos, mais eu escrevia um poema de um autor que não recordo nos dias do aniversário dele, embora sempre lembrasse o de Marlos. O nome do poema já dizia tudo que eu sentia:

Só tu.
De todos que me beijaram, de todos que me abraçaram, já não me lembro, nem sei.
Foram tantos os que me amaram, foram tantos os que eu amei.
Mas tu,
Que rude contraste,
Tu, que jamais me beijaste,
Tu, que jamais abracei,
Só tu nesta alma ficaste, de todos os que amei

Eu ansiava por notícias dele e sempre que ia pra frente de um computador, procurava pelo seu nome na Internet. Sem sucesso.

Depois de um tempo, primeiro encontrei reportagens e notícias dele dentro de um projeto social. Só por isso, só por ter alguma notícia dele, eu já me sentia feliz. O fato de saber que ele estava bem, que a vida dele estava bem. Depois de mais algum tempo, pelo site de uma torcida do Coritiba, consegui finalmente ver algumas fotos dele.

Fiquei tão feliz quando minha busca deu certo naquele dia! Contei para minha mãe, que sabia do meu sentimento por ele, mesmo depois de tantos anos. Lembro de estar próxima de um prédio comercial depois daquele dia que vi as fotos pela primeira vez (digo pela primeira vez, pois passei a vê-las praticamente todas as vezes que acessava a Internet...), e ter visto um homem muito parecido com ele estacionando um carro. Lógico que pensei que estava ficando maluca. O que ele estaria fazendo lá na minha cidade?

Nas minhas buscas pela Internet, mais uma vez encontrei o nome dele em um site da Turma do Vô Coxa. Lá havia um e-mail para contato, com o nome dele! Acessei, escrevi o e-mail, lembro de ter escrito coisas como “quanto tempo...tudo bem...lembra de mim?”, mas na hora que enviei o e-mail, ele voltou. Deu erro, não lembro.

Só sei que encarei aquilo como um aviso. Pensava: “ele nem deve lembrar que eu existo... deve estar casado... deve ter tido filhos...deve ter esquecido...”.e desisti do e-mail. Mas continuava buscando notícias dele... fotos...E isso, em parte, já me deixava feliz.

Em julho de 2007, passei a trabalhar em uma rede de lojas nova na minha cidade. Cheguei na casa da minha mãe um certo dia e ela pediu se haviam me ligado na loja. “Não”, eu respondi. Perguntei a razão, e ela me respondeu que uma moça havia feito contato telefônico com a residência de meu avô perguntando de mim. A única informação que meu avô passou foi de eu estar trabalhando na referida loja. Tudo bem, eu pensei. Se for importante, vai ligar.

E a moça da ligação anterior telefonou para a loja onde eu trabalhava. Ela me fez descobrir que era muito mais importante do que eu imaginava. Minha colega atendeu o telefone e já ia desligar dizendo haviam duas pessoas ali na loja com o mesmo nome que eu, mas nenhuma com aquele sobrenome.

Eu curiosa, perguntei, e ela disse meu sobrenome de solteira. “Sim, é pra mim...” Atendi o telefone. Era também outra moça com o mesmo nome. Disse que procurou por mim porque havia uma pessoa que estava me procurando há um bom tempo e que pediu para ela tentar entrar em contato comigo. “Quem?”, eu perguntei. E ela me falou do Marlos.

Minhas pernas amoleceram, literalmente. No começo, eu pensei que era brincadeira, pegadinha mesmo. Mas ela passou a me dar detalhes que nenhuma outra pessoa possuía. Detalhes do nosso relacionamento de anos atrás. Ele conheceu a outra garota com o mesmo nome que eu, e que entrou em contato comigo pelo orkut, procurando por comunidades relacionadas com o time da minha cidade.

Disse até, que pela insistência dele no início, ela pensou que poderia ser algum maluco que estava atrás de mim, mas que com o tempo percebeu o carinho enorme que ele sentia por mim, e resolveu ajudar a me procurar.

Eu nem acreditava que aquilo podia ser verdade! Passei meu e-mail para ela e o número do meu celular. Alguns minutos depois, quando tinha saído para meu intervalo e estava com minha mãe, meu celular deu um alerta de mensagem. Era ele... “Oi, anjo...”, era o início da mensagem.

Comecei a chorar e, não sei de que maneira, nem tinha conseguido contar para minha mãe ainda, eu mostrei o celular e ela me olhou com a sabedoria de mãe e melhor amiga que me ouviu por todos aqueles anos falando na mesma história: “É o Marlos, né?” Até hoje não sei como ela pôde saber tão instintivamente... Mas sim, era ele... Tinha me mandado também um e-mail, que eu li logo em seguida também.

Respondi a mensagem na mesma hora. No dia seguinte já estávamos nos falando por telefone. Foi tão bom ouvir a voz dele de novo. Passamos a nos falar praticamente todos os dias pelo msn...E nossa história recomeçou.

Menos de dois meses depois eu já havia abandonado meu casamento e ele havia rompido o namoro. No final de outubro pedi demissão do meu trabalho e na mesma semana comprei uma passagem para Curitiba. Finalmente, iríamos nos conhecer pessoalmente depois de todos esses anos.

Dia 25 de outubro de 2007, às 22 horas saí da minha cidade para encontrar o amor da minha vida. Antes de sair, ele me mandou uma mensagem, desejando boa viagem. Dizendo que estaria lá me esperando.

Quase nem dormi durante as quase oito horas de viagem, morrendo de ansiedade. Mas tudo isso passou quando desembarquei do ônibus e Marlos estava lá, me esperando. E então, eu tive certeza que valeu a pena esperar cada minuto para viver aquele momento e todos os outros que temos desde então.

*Depoimento verídico enviado por L., que hoje vive em Curitiba, cidade onde pretende se casar com Marlos, nome fictício. Como seu ex-marido, um gremista fanático, ainda sofre com as dores de ser corno, a garota pediu para não identificar nome, cidade e time, pois o "ex" ainda pretende melar a separação. Essa foi a homenagem do De Primeira para o dia dos namorados. Assim que o caso de Marlos e L seja resolvido, publicaremos as fotos do novo casamento. Se Deus é amor, o futebol também é! Saudações.

2 comentários
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Comentário de: Ana Carolina Moreno Email

Adorei o depoimento! Muita sorte ao casal, e bananas ao ex-marido que preferia uma esposa infeliz do que se divorciar.

PermalinkPermalink 12.06.08 @ 20:49



Comentário de: Alguem

Pow....cheguei a pensar que estava naqueles dramas narrados no programa da Marcia Goldsmitch!!

Agora é uma pena quato ao marido que deve gostar muito dela e emsmo assim ela csou sem sentir o mesmo por ele!

PermalinkPermalink 14.06.08 @ 21:49



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