Morumbi sem mágica
por Ana Carolina Moreno17h45
Entre as dezenas de são-paulinos na fila da bilheteria no momento em que o árbitro apitou o início do jogo, me peguei observando o boné de um torcedor da Independente na fila. Era branco, com o nome da organizada na frente e a palavra "retomada" bordada em preto e vermelho na parte de trás.
A imagem só voltou à minha mente aos 38 minutos do primeiro tempo, quando Jancarlos, Hugo e a bola travaram uma conversa telepática e, com um cruzamento milimetricamente calculado e uma cabeçada impecável, marcaram o quarto gol são-paulino em cima do Atlético-MG.
Antes deles, Hernanes, Joilson e André Dias já haviam balançado a rede aos 8, 12 e 15 minutos, deixando incrédulas as 7.609 pessoas dentro do estádio, e muito mais gente do lado de fora, a ponto de ter são-paulino ligando para os amigos no Morumbi só para confirmar as informações que ouviam no rádio.
Escolher o gol mais bonito não é fácil. Aquele tiro de fora da área típico do Hernanes foi fantástico, mas o tento do André Dias, depois da enfiada de bola do Joilson, leva meu voto, pela categoria que o zagueiro mostrou.
O aproveitamento do SPFC fez os primeiros 45 minutos parecerem durar uma hora inteira até para quem perdeu os primeiros cinco minutos (meu caso).Convenhamos, parte do êxito se deve ao adversário, que permitiu a festa sem reclamar. Deixar Jorge Wágner e Jancarlos arrancarem pelos lados sozinhos e o Hernanes pintar e bordar no meio de campo foram erros fatais. Tudo bem que o Tricolor andava tão desacreditado que até o Jones achou que a partida seria equilibrada, mas o galo veio rouco demais. E saiu mudo.
Faltou deixar o Dagoberto jogar dessa vez. Era quem eu colocaria no lugar do Éder Luis, só que com mais tempo antes do fim.
É claro que uma palavra bordada em um boné, a névoa que encobriu de repente o estádio no primeiro tempo, a visita que o presidente tricolor Juvenal Juvêncio fez ao CT na quinta-feira ou um presente de consolação dos deuses para o meu aniversário (já que o Villanueva não veio, obrigada por nada, JJ) poderiam se encaixar na lista de motivos mágicos para os cinco gols bem feitos, a fome de bola e o entrosamento desse time.
Mas eu suspeito que, além da belíssima contribuição que o Atlético-MG deu aos anfitriões, ao simplesmente sumir de campo, a goleada foi resultado da vontade dos titulares remanescentes e dos reservas, que tiveram a chance de substituir o convocado, o contundido e o suspenso, de provarem que os pentacampeões ainda estão vivos.
Muricy revelou, depois da vitória, que anda perdendo muitas noites de sono tentando encontrar uma alternativa que leve o São Paulo à Libertadores 2009 e, quem sabe, ao hexacampeonato. Veremos se ele concorda comigo pelo menos sobre o potencial de sucesso da nova formação. Richalyson não serviu para a lateral, e espero que agora tome um belo chá de banco para perceber o quanto demorou para mudar de comportamento. Ninguém é insubstituível. E Hernanes e Joilson combinam como batata frita e maionese.
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