É LINDO CHORAR EM YOKOHAMA (para Jones e Moacyr)
por Luís Augusto Símon15h39
Amigos;
Eu garanto a vocês, com toda a honestidade que vocês conhecem, que é muito bom chorar em Yokohama. Sentir aquela vontade de esconder que antecede ao calor da primeira lágriam. E a sensação era de uma lágrima muito mais quente do que o verdadeiro. A explicação estava nos sete graus que fazia naquele 18 de dezembro.
É uma sensação inexplicável. Incomparável. Todas as emoções vieram ao mesmo tempo. Primeiramente, pelo alívio do apito do mexicano Benito Armando Archundia. O Liverpool, que Gerrard dizia ser invencível, era brecado pela muralha formada por Ceni, Fabão, Lugano e Edcarlos. E depois, pela lembrança de como o título veio.
Um título na contramão da nossa história. Não era um São Paulo dominando o adversário, pressionando, marcando saída de bola. Nada disso. Era o São Paulo que Paulo Autuori havia montado nos últimos meses, pronto para suportar estoicamente uma pressão e buscar sempre os contra-ataques.
Depois, pela forma como o gol foi feito. Os ingleses por mais que houvessem estudado o São Paulo, não apostariam em um chutão de Fabão, na matada de peito de Aloísio e na enfiada de bola para Mineiro. Improvável combinação. Gol de título.
Houve ainda a emoção de ver Diego Alfredo Lugano Morena correndo de um lado para outro enrolado na bandeira uruguaia. Aquilo fez com que perdoasse qualquer mágoa (se a tivesse) pelo Maracanazo.
Dei risada também ao lembrar dos secadores que acordaram cedo para, em frente da televisão, torcer pelo Manchester. Eram de dois tipos: aqueles que mal conheciam o nome dos ingleses, mas estavam torcendo contra o São Paulo. Merecem meu respeito. É uma prova de que temem o São Paulo e invejam sua história gloriosa. E havia também aqueles que torcem MESMO por um time inglês. Sabem tudo sobre eles. Para mim, é inexplicável. Brasileiro que torce para time inglês deveria, em nome da coerência, tocar pagode coreano no próximo churrasco.
É lindo chorar em Yokohama. Só fiz isso uma vez. Em 2002, no mesmo estádio, mantive um ar blasé quando o Brasil derrotou os alemães. Nem os origamis que caíram do céu me emocionaram. O Brasil é para os cariocas. Eu sou é são-paulino.
Desci correndo os sete andares do Yokohama Stadium. Queria ver - e vi - a tristeza do espanhol Rafa Benitez, que tentava entender a derrota. Também havia a alegria de não ter mais de subir tantos e tantos degraus, bufando e suando e se assustando ao perceber que aquela dúvida do começo se transformava em uma certeza. Não iria conseguir chegar. Cairia duro.
Não caí. Cheguei. E chorei o choro dos vitoriosos em Yokohama.
Moacyr dos Santos Lopes Jr. um dos meus grandes amigos ligou e disse que tenho alma de corintiano. Jones Rossi, (http://www.interney.net/blogs/deprimeira/) um dos amigos da última década, jura que sou corintiano no fundo do meu ser. Não sou. Sou daqueles que chora em Yokohama.
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Comentários:
Menon como você pode errar o nome de um dos nosso deuses! É Diego Alfredo Lugano MorenO!!!! Meu primo uruguaio, o orgulho da família!
Jones, deu pra ouvir seus dentes rangendo nessa... hahaha
haha mandou mto bem