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Mai 29

Karma de craques?

por Equipe De Primeira12h12

por Napoleão de Almeida

Foto de Antônio Gaudério/Folha Imagem

Quarenta e cinco minutos do segundo tempo. Pablo ajeita a bola e bate de fora da área. Magrão, goleiro do Sport que havia feito uma grande partida, espalma pro meio. Surge Edmundo, um dos três maiores ídolos da história do Vasco. Na pequena área, com calma, ele bate por cima do goleiro pernambucano e faz 2 a 0. A série eliminatória estava empatada. O Vasco, em casa, conseguiu o que parecia impossível: igualar a vantagem do Sport. Edmundo, sempre ele, salvava a pele cruzmaltina. Os cariocas, no caldeirão de São Januário, conseguiam levar para os pênaltis a decisão.

Os vascaínos celebravam Edmundo. Graças a ele, a chance desse time - que nem de longe lembra os bons times da história vascaína - levantar uma taça seguia viva. E como manda o bom senso das cobranças de pênaltis o técnico Antônio Lopes escalava o craque do time para abrir a série. Sair com 1 a 0 e jogando em casa seria dar um enorme passo rumo a final da Copa do Brasil. Edmundo partiu pra bola e... errou. Mandou nas nuvens. Os cerca de 200 torcedores do Sport que lá estavam vibravam com o homem que há poucos minutos os deixara entristecidos. Evidentemente, a reação da maioria vascaína foi a contrária. A série seguiu até que Carlinhos Bala fizesse o gol da vaga. Depois de 19 anos, Sport de novo na decisão da Copa do Brasil.

Foto de Fernando Maia/Extra

Para Edmundo a festa rubro-negra em São Januário parecia um filme velho. Pelo mesmo Vasco, no Maracanã, em 2000, Edmundo mandou pra lua as chances do time ganhar o primeiro Mundial de Clubes da FIFA, que ficou com o Corinthians. Edmundo, em 2007, já havia perdido um pênalti na decisão do Palmeiras contra o Ipatinga, pela Copa do Brasil. Os mineiros seguiram na competição.

O drama, no entanto, não é exclusividade de Edmundo. Coçando a cabeça, lembrei de vários exemplos em que o craque do time pisa no tomate na hora da decisão por pênaltis. O que me levou a pensar: será algum tipo de karma que os craques têm de pagar?

O que aconteceu com o “Animal” também aconteceu com Marcelinho Carioca. Um dos maiores ídolos corintianos, grande cobrador de faltas e pênaltis, desperdiçou uma cobrança na Libertadores de 99 na série decisiva contra o Palmeiras (justo quem). Marcelinho também perdeu no Mundial de Clubes, mas o Timão acabou com a taça. O Corinthians, no ano anterior, riu de um ídolo rival: durante o Brasileirão, Raí parou em Dida após duas cobranças de pênaltis no tempo normal. Logo Raí, um dos maiores ídolos do São Paulo. Os tricolores paulistanos também foram beneficiados com o karma dos craques uma vez. Foi em 1977, quando o invicto Galo perdeu o Brasileirão para o São Paulo. Quem errou a cobrança? Toninho Cerezo, um dos grandes talentos daquela geração do Atlético-MG. E os atleticanos de minas vibraram em 2000, quando um dos grandes ídolos do Atlético também mandou nas nuvens a chance do Furacão avançar na Libertadores. Adriano “Gabiru”, que tem cinco títulos pelo Furacão, incluindo dois nacionais, isolou a cobrança e o Galo seguiu na Libertadores daquele ano. Anos depois, em 2005, Santiago Salcedo, artilheiro da Libertadores daquela temporada, perdeu um pênalti contra o Atlético e o Cerro Porteño caiu ante o time paranaense, que acabaria vice-campeão.

Arce, pelo Grêmio no Mundial Interclubes de 1995 contra o Ajax e Cristiano Ronaldo, pelo Manchester United na Champions League deste ano são outros exemplos. Na hora da onça beber água, muitos craques refugam. O exemplo mais clássico é uma grande alegria brasileira. Em 1994, Roberto Baggio, um dos grandes jogadores italianos de todos os tempos, jogou para os céus a chance do Tetra da Azzurra, que caiu no colo canarinho. “É tetra!”, gritou Galvão, que antes havia narrado um pênalti perdido pelo zagueiro Franco Baresi – outro craque italiano.

Não sei qual é o mistério. Se a responsabilidade pesa mais que o normal nos ombros dos craques na hora “H” ou é apenas coincidência. Mas dentre os ingredientes do futebol, certamente, esse é um dos mais cruéis.

Lembrou de mais algum pênalti emblemático? Comente aqui!!

13 comentários
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Comentário de: Leonardo Bonassoli · http://www.laboffline.blogger.com.br

Zico, na Copa de 86...
Donadoni pela Itália em 1990...
Baresi perdeu pênalti na mesma decisão que o Baggio desperdiçou...

PermalinkPermalink 29.05.08 @ 13:30



Comentário de: pedro · http://melhorqueoetoo.wordpress.com

opa
o edmundo perdeu um penalti esse ano tambem, contra o flamengo, na semi-final da taça guanabara. mas isso foi no tempo normal

em disputas de penalti: e o marcelinho, sempre ele, perdeu um penalti na final da supercopa de 1993, contra o são paulo. no tempo normal os dois jogos terminaram 2 x 2.
alias, os dois jogos dessa final foram sensacionais. melhores momentos no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=mla8USb9jk0

PermalinkPermalink 29.05.08 @ 13:41



Comentário de: Napo

Ah, Bona, Donadoni não é craque.

Zico sim, bem lembrado.

PermalinkPermalink 29.05.08 @ 14:27



Comentário de: Ana Carolina Moreno Email

Cristiano Ronaldo e John Terry semana passada (que é o limite da minha memória pra esse tipo de coisa).

PermalinkPermalink 29.05.08 @ 14:56



Comentário de: Jones Rossi Email

Esse Flamengo e São Paulo da Supercopa foi um dos melhores jogos que eu já vi.

PermalinkPermalink 29.05.08 @ 15:02



Comentário de: Juan

Zicão fez o dele na disputa da marca do penaltis.

PermalinkPermalink 29.05.08 @ 16:06



Comentário de: Ana Carolina Moreno Email

Bobinha... Isso que dá não ler o texto inteiro.

PermalinkPermalink 29.05.08 @ 17:25



Comentário de: Napo

Bem lembrado que ele é craque.

PermalinkPermalink 29.05.08 @ 18:21



Comentário de: Fabricio Grzelak

Penalti emblemático foi o do Euller, imitando o que Cruyff fez no Ajax.

PermalinkPermalink 29.05.08 @ 18:49



Comentário de: Fabricio Grzelak

Teve um que o jogador do Milan escorregou feio, contra o Boca, se não me engano em 2003.

PermalinkPermalink 29.05.08 @ 21:10



Comentário de: Alexandre Fernandes

O Zagueiro de Camarões que perdeu um penalti (no tempo normal) contra o Egito. Caramba, não lembro o nome dele. Mas lembro que eles precisavam vencer o Egito (eliminado) em casa e acabaram perdendo ou empatando. Esse zagueiro pode não ser craque, mas teve moral de bater em vez de deixar o Eto'o (que só é pior que o Obina) cobrar. Ah e com isso a Costa do Marfin foi para a Copa na Alemanha.

PermalinkPermalink 30.05.08 @ 13:58



Comentário de: Zé Carlos

O Adriano do Atl-PR nas oitavas da Libertadores contra o Galo

PermalinkPermalink 30.05.08 @ 22:16



Comentário de: Leonardo Bonassoli · http://www.laboffline.blogger.com.br

Donadoni era o mais promissor daquele time italiano.

O cara que perdeu o pênalti para Camarões porque o Eto'o refugou foi o Wome. Caso parecido que aconteceu com Miroslav Djukic que foi bater um pênalti para o La Coruña quando Bebeto e Fran refugaram...

PermalinkPermalink 04.06.08 @ 13:49



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