Novo mercado
por Equipe De Primeira13h36

Por Napoleão de Almeida
Todos pararam com a notícia: o Atlético contratou o árabe Abdullah Al Kamali, de 19 anos. O "famoso quem?" será o primeiro jogador de origem árabe à vestir a camisa de um clube brasileiro. É da Seleção Sub-20 dos Emirados Árabes Unidos e a apresentação, já com a camisa do Furacão, foi no hotel mais luxuoso de Dubai. Dinheiro, muito dinheiro.
Quando o torcedor ouviu a notícia, logo pensou: "será que é bom jogador?" Até que ele chegue ao Brasil, ninguém saberá a resposta. Bem, na verdade, no You Tube (viva a tecnologia!) existem alguns vídeos dele. Mas a verdade é que isso pouco interessa. O que o Atlético contratou não é um jogador, um craque - apesar de ser isso que o torcedor queria. O Atlético contratou um novo mercado.
Abdullah Al Kamali tem a vinda dele ao Brasil bancada pela Etisalat, empresa de telecomunicações que é gigante no mundo árabe. Será para eles o que o Felipe Massa é para nós: um brasileiro na Fórmula 1. Enquanto os italianos torcem pela Ferrari, nós vibramos pelo ser humano. Kamali irá botar o Atlético em notoriedade em um mercado que consome essencialmente times europeus.
Kamail também trará consigo fortes patrocinadores. Os famosos petro-dólares. Os mais otimistas já prevêem que a Arena passará a se chamar Emirates Arena, tal qual o estádio do Arsenal, da Inglaterra. Não sei se chegará a tanto, mas certamente os árabes investirão no Furacão. A jogada atleticana, que rendeu manchetes em jornais do mundo todo (sem exagero), colocou o Rubro-Negro na mesma evidência internacional da vinda de Lothar Matthäus. A proporção é a mesma de um equatoriano ir jogar no basquete da NBA - e isso chama a atenção.
E, além disso tudo, o menino pode ser sim um bom jogador. Nada demais, evidente. Mas na década de 80 o Coritiba acreditou em Kazu, um japonês, como novo meia. Abriu o mercado e colheu os dividendos, ainda que em menor escala - nosso futebol era muito amador. Kazu virou xodó da torcida e chegou a jogar no Santos. Abriu um mercado riquíssimo para o futebol brasileiro no Japão, consolidado por Zico. E Kazu não era grosso. Ao contrário, sabia o que fazer com a bola.
Claro que tinha ao lado Tostão, Chicão e Carlos Alberto Dias, por exemplo. Mas não fazia feio. E aí é que reside a preocupação da torcida atleticana: o Furacão não tem esses jogadores. Se é compreensível a contratação de Kamali, é imprescindível que venham jogadores de qualidade. Afinal, abrir o mercado é ótimo, mas ter produtos bons para oferecer é fundamental.
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Comentários:
O título desse post deveria ser "A Whole New World".
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Acho que, a não ser que este guri jogue sempre entre os titulares, não vai trazer nada além do seu talento - ou falta de.
A diretoria do Atl-PR deve estar interessada nos petrodolares, só pode ser. Esse atacante das arábias vai parar até em treino para orar todo dia como fazem os árabes ....
Isso é mais uma jogada de marketing, o que acho é que estão mais interessados em dinheiro para o término da Arena do que a montagem de um time vencedor.
Em tempo, quem descobriu o Kazu foi o Sueo Matsubara que o trouxe para Cambará, o coxa levou ele depois.