O fim dos super técnicos
por Jones Rossi03h15

A era dos super técnicos chegou ao fim. Os jogos desta quarta-feira, sejam os da Libertadores, Copa do Brasil, ou Liga dos Campeões, trataram de pôr fim à falácia dos grandes técnicos, nós táticos, e outras baboseiras. Sai vencedora a tese de quem acha que técnico não ganha jogo. Como vem acontecendo já há algum tempo, os jogadores voltaram a ser os astros principais do espetáculo, em detrimento dos engravatados da casamata.
Comecemos pelo duelo entre Fluminense e São Paulo. “Não tem explicação”, não se cansava de repetir aos repórteres, até com certo conformismo, o técnico Muricy Ramalho, após a dolorida derrota por 3 a 1 para o time de João de Deus. Ele até quis insinuar uma queda de rendimento após a expulsão de Joílson, mas um técnico confessar que seu time depende de Joílson é mais um indício de que o pessoal que senta no banco de reservas não está mais com nada.
Assim como no primeiro jogo, Renato Gaúcho fez tudo errado e deu tudo certo. Equivocado, apostou no seu mantra pessoal como treinador: “a melhor defesa é o ataque”. No Maracanã, tirou Arouca para colocar Dôdo e o Fluminense simplesmente apagou em campo. Não vinha bem e ainda tomou o gol de empate do São Paulo. Não fosse o frangaço de Rogério – e nessas horas devemos chamar as coisas pelo nome certo, aquilo foi um frangaço – o Fluminense estaria errando passes até agora na intermediária do Maraca.
Sem tática nenhuma, somente no abafa, o Fluminense conseguiu a vitória pelo placar que o classificou às semifinais da Libertadores. Uma vitória principalmente de um atacante que é mortal perto da área: Washington. De forma alguma foi uma vitória que possa ser atribuída a Renato, que não soube colocar seu time em campo com a eficiência necessária para criar chances de derrotar o São Paulo. Confundiu ofensividade com o povoamento de atacantes na área adversária. Pois os gols só saíram porque o meio campo – relegado por Renato - resolveu funcionar.
Do outro lado, Muricy deve viver novamente um período de constestação, como nos últimos dois anos, ao ser batido pelo Inter e pelo Grêmio na Libertadores. Depois ganhou dois Brasileiros, mas pode colocar na conta da filosofia de trabalho da diretoria são-paulina. Dentro dessa máquina bem ajeitada, Muricy é uma peça que não atrapalha. Mas não é um super técnico.
Outro time que se garante por sua filosofia é o Boca Juniors. Quem é Carlos Ischia, seu técnico? Ex-assistente do legendário Carlos Bianchi, um dos últimos espécimes da era dos super técnicos (não por acaso praticamente aposentado), Ischia teve uma passagem pra lá de medíocre no Rosario Central antes de assumir o todo poderoso Boca após a saída do questionado Miguel Angel Russo. Alguém aí teria coragem de colocar na conta dele a vitória por 3 a 0 sobre o Atlas, no México? Foi um atacante grandalhão e meio desengonçado como Washington, Palermo, que decidiu a partida. O mérito de Ischia é reconhecer que “os adversários se assustam com o Boca”. Um técnico do Boca não precisa saber mais nada além disso. E mesmo que não tenha técnico, o Boca sempre jogará assim, cheio de gana de vencer, porque assim é o Boca e não há técnico que mude isto.
Ney Franco, que nunca chegou a ser um super técnico, mas teve seus bons momentos, tentou mudar a filosofia de jogo do Atlético. De um time até certo ponto suicida, que se lançava ao ataque desde o minuto inicial de jogo, principalmente na Baixada, o Atlético virou um Ipatinga no modo de agir em campo. Franco não durou sequer dois jogos no Brasileiro. E com razão.
Dos últimos expoentes da era dos super técnicos que continuam na ativa, apenas um está em alta. Mas, assim como Bianchi, está perto da aposentadoria. Alex Ferguson, técnico do Manchester, campeão europeu pela terceira vez, a segunda sob seu comando (a primeira vez foi em 1999), já se apressou em desmentir sua saída. Mas ninguém crê em mais nove anos à frente do clube, do qual sempre foi mais um “manager” que um técnico no estilo tradicional. E para fortalecer o argumento do fim dos técnicos superstars, quem levou o Chelsea à final não foi o egocêntrico José Mourinho, e sim o discreto Avram Grant, que passou a maior parte de sua vida dirigindo times como o Maccabi Haifa e FC Haka.
Sobram na lista os antagônicos Luís Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo. Felipão talvez seja o único a ainda ostentar pose de um mega star, capaz de colocar Cristiano Ronaldo na linha, trocar socos com adversários e fazer de Portugal uma seleção sempre forte. Pois Luxemburgo não é nem sombra do que já foi. Paulo Vinicius Coelho já detectou isto em uma coluna publicada no Lance! do ano passado na qual reputava a Luxemburgo o título de EX-melhor técnico do Brasil. Desde então, o lugar ficou vago. Talvez seja melhor assim.
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Comentários:
Hoje vendo o Redação SporTV... todos foram unânimes em afirmar que R.Ceni falhou no primeiro gol ao não sair para disputar a bola no alto, e claro, no segundo gol. Vamos ver como se comporta a torcida do SPFC, conhecida por acompanhar o time somente nas vitórias.
futebol é simples. é só botar um cachaceiro do lado do campo gritando vamulámoçada que dá certo
mas o que mais me satisfez no post: finalmente alguém pra dizer que aquilo foi um FRANGO do rogério.
Todos os times têm torcedores fanáticos e os que só vão quando estão por cima.
Mas só um time é mais campeão que os outros. Daí a dor de cotovelo se expressa nos argumentos caolhos.
Falei sobre o Borussia porque a média é incrível, imagine o SPFC jogando contra o Mogi Mirim com os mesmos 40 mil de um jogo contra um grande de SP. O Atl-PR jogando contra o Galo/ADAP com o mesmo público de um Atletiba.
ER. E isso o Renato tem conseguido ser no Flu. Abraço!