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Mai 22

O fim dos super técnicos

por Jones Rossi03h15

A era dos super técnicos chegou ao fim. Os jogos desta quarta-feira, sejam os da Libertadores, Copa do Brasil, ou Liga dos Campeões, trataram de pôr fim à falácia dos grandes técnicos, nós táticos, e outras baboseiras. Sai vencedora a tese de quem acha que técnico não ganha jogo. Como vem acontecendo já há algum tempo, os jogadores voltaram a ser os astros principais do espetáculo, em detrimento dos engravatados da casamata.

Comecemos pelo duelo entre Fluminense e São Paulo. “Não tem explicação”, não se cansava de repetir aos repórteres, até com certo conformismo, o técnico Muricy Ramalho, após a dolorida derrota por 3 a 1 para o time de João de Deus. Ele até quis insinuar uma queda de rendimento após a expulsão de Joílson, mas um técnico confessar que seu time depende de Joílson é mais um indício de que o pessoal que senta no banco de reservas não está mais com nada.

Assim como no primeiro jogo, Renato Gaúcho fez tudo errado e deu tudo certo. Equivocado, apostou no seu mantra pessoal como treinador: “a melhor defesa é o ataque”. No Maracanã, tirou Arouca para colocar Dôdo e o Fluminense simplesmente apagou em campo. Não vinha bem e ainda tomou o gol de empate do São Paulo. Não fosse o frangaço de Rogério – e nessas horas devemos chamar as coisas pelo nome certo, aquilo foi um frangaço – o Fluminense estaria errando passes até agora na intermediária do Maraca.

Sem tática nenhuma, somente no abafa, o Fluminense conseguiu a vitória pelo placar que o classificou às semifinais da Libertadores. Uma vitória principalmente de um atacante que é mortal perto da área: Washington. De forma alguma foi uma vitória que possa ser atribuída a Renato, que não soube colocar seu time em campo com a eficiência necessária para criar chances de derrotar o São Paulo. Confundiu ofensividade com o povoamento de atacantes na área adversária. Pois os gols só saíram porque o meio campo – relegado por Renato - resolveu funcionar.

Do outro lado, Muricy deve viver novamente um período de constestação, como nos últimos dois anos, ao ser batido pelo Inter e pelo Grêmio na Libertadores. Depois ganhou dois Brasileiros, mas pode colocar na conta da filosofia de trabalho da diretoria são-paulina. Dentro dessa máquina bem ajeitada, Muricy é uma peça que não atrapalha. Mas não é um super técnico.

Outro time que se garante por sua filosofia é o Boca Juniors. Quem é Carlos Ischia, seu técnico? Ex-assistente do legendário Carlos Bianchi, um dos últimos espécimes da era dos super técnicos (não por acaso praticamente aposentado), Ischia teve uma passagem pra lá de medíocre no Rosario Central antes de assumir o todo poderoso Boca após a saída do questionado Miguel Angel Russo. Alguém aí teria coragem de colocar na conta dele a vitória por 3 a 0 sobre o Atlas, no México? Foi um atacante grandalhão e meio desengonçado como Washington, Palermo, que decidiu a partida. O mérito de Ischia é reconhecer que “os adversários se assustam com o Boca”. Um técnico do Boca não precisa saber mais nada além disso. E mesmo que não tenha técnico, o Boca sempre jogará assim, cheio de gana de vencer, porque assim é o Boca e não há técnico que mude isto.

Ney Franco, que nunca chegou a ser um super técnico, mas teve seus bons momentos, tentou mudar a filosofia de jogo do Atlético. De um time até certo ponto suicida, que se lançava ao ataque desde o minuto inicial de jogo, principalmente na Baixada, o Atlético virou um Ipatinga no modo de agir em campo. Franco não durou sequer dois jogos no Brasileiro. E com razão.

Dos últimos expoentes da era dos super técnicos que continuam na ativa, apenas um está em alta. Mas, assim como Bianchi, está perto da aposentadoria. Alex Ferguson, técnico do Manchester, campeão europeu pela terceira vez, a segunda sob seu comando (a primeira vez foi em 1999), já se apressou em desmentir sua saída. Mas ninguém crê em mais nove anos à frente do clube, do qual sempre foi mais um “manager” que um técnico no estilo tradicional. E para fortalecer o argumento do fim dos técnicos superstars, quem levou o Chelsea à final não foi o egocêntrico José Mourinho, e sim o discreto Avram Grant, que passou a maior parte de sua vida dirigindo times como o Maccabi Haifa e FC Haka.

Sobram na lista os antagônicos Luís Felipe Scolari e Vanderlei Luxemburgo. Felipão talvez seja o único a ainda ostentar pose de um mega star, capaz de colocar Cristiano Ronaldo na linha, trocar socos com adversários e fazer de Portugal uma seleção sempre forte. Pois Luxemburgo não é nem sombra do que já foi. Paulo Vinicius Coelho já detectou isto em uma coluna publicada no Lance! do ano passado na qual reputava a Luxemburgo o título de EX-melhor técnico do Brasil. Desde então, o lugar ficou vago. Talvez seja melhor assim.

11 comentários
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Comentários:


Comentário de: Ana Carolina Moreno Email

Acho que é tudo uma questão de estilo.

PermalinkPermalink 22.05.08 @ 11:05



Comentário de: Fabricio Grzelak

Boa matéria Jones, mas ainda prefiro que um técnico fique no comando do time por 2 ou 3 anos para mostrar o seu trabalho. Senão fica essa bagunça, o cara assina de manhã e já é demitido à tarde...

Hoje vendo o Redação SporTV... todos foram unânimes em afirmar que R.Ceni falhou no primeiro gol ao não sair para disputar a bola no alto, e claro, no segundo gol. Vamos ver como se comporta a torcida do SPFC, conhecida por acompanhar o time somente nas vitórias.

PermalinkPermalink 22.05.08 @ 12:28



Comentário de: pedro · http://melhorqueoetoo.wordpress.com

assino embaixo. e, paradoxalmente, acho que o sucesso do joel santana no flamengo comprova o fim dos super técnicos - afinal, o joel é tudo menos um "estrategista do futebol" ou o que for.

futebol é simples. é só botar um cachaceiro do lado do campo gritando vamulámoçada que dá certo

mas o que mais me satisfez no post: finalmente alguém pra dizer que aquilo foi um FRANGO do rogério.


PermalinkPermalink 22.05.08 @ 14:03



Comentário de: SPFC

Pronto.. o SP esta fora da Libertadores... assim como ficou o ano passado e o retrasado onde perdemos a final pro Inter e o mundo ainda nao acabou. Logico que a torcida vai reclamar, pedir mudanças. O pessoal adora falar q a torcida do SPFC eh de moda... soh acompanha nas vitorias.. isso eh uma falacia incrivel. Hoje o SP tem a terceira maior torcida do Brasil... q n eh diferente de nenhum outro time... isso eh totalmente normal.. time perde - torcida se afasta.. time ganha - estadio cheio. A verdade eh q por algum motivo o SPFC incomoda... mas incomoda MUITO as pessoas...

PermalinkPermalink 22.05.08 @ 14:04



Comentário de: Ana Carolina Moreno Email

Pois é, quero ver time que enche o estádio em todos os jogos, que não tem a tal da "festa do torcedor" quando se aproxima a decisão. (e não venham me falar de Corinthians e Flamengo, que adota mil truques para enche estádio só pra depois dizer que enche estádio).

Todos os times têm torcedores fanáticos e os que só vão quando estão por cima.

Mas só um time é mais campeão que os outros. Daí a dor de cotovelo se expressa nos argumentos caolhos.

PermalinkPermalink 22.05.08 @ 17:22



Comentário de: Zé Carlos

É a mesma torcida que mandou o Kaká embora e já xingou o Luis Fabiano de tudo que é nome ....

PermalinkPermalink 22.05.08 @ 20:15



Comentário de: Fabricio Grzelak

Ana Carolina, não tem truque para encher estádio, é falta de dinheiro, o time de maior média de público no mundo é o alemão Borussia Dortmund, quer jogue contra o poderoso Bayern München, jogue contra o pequeno Energie Cottbus, coloca mais de 75000 espectadores no Signal Iduna Park. Poucos tem condições de comprar o carnê com ingresso para todos os jogos, sejam em qualquer parte do Brasil. Onde trabalho tem sãopaulino que vive falando em ir pro Morumbi, mas reclama dos preço do ingresso seja qual jogo for, de Libertadores ou de Paulista.

PermalinkPermalink 22.05.08 @ 20:27



Comentário de: Ana Carolina Moreno Email

Não vamos comparar Brasil e Alemanha, não há razão. Aí tem que incluir todas as variáveis e todos os países, e o assunto perde o foco. O foco é: o São Paulo é igual aos outros times no quesito torcida. Porque todos os times são iguais nesse quesito.

PermalinkPermalink 22.05.08 @ 21:03



Comentário de: Fabricio Grzelak

Entendo, mas tem coisas que dirigente faz de sacanagem, jogos com ingressos de valor diferente. Quando um time está na corda bamba e precisa da torcida, baixa ingresso, mas quando o time está na ponta da tabela ou decidindo algum mata-mata dá-lhe alta de ingressos.
Falei sobre o Borussia porque a média é incrível, imagine o SPFC jogando contra o Mogi Mirim com os mesmos 40 mil de um jogo contra um grande de SP. O Atl-PR jogando contra o Galo/ADAP com o mesmo público de um Atletiba.

PermalinkPermalink 22.05.08 @ 21:20



Comentário de: Fabricio Grzelak

Ana Carolina, o foco sempre será o time que a imprensa estiver falando mais para ter a maior audiência, vender mais, foi com o Palmeiras na era do leite, foi com o Corinthians na era MSI, foi com o Santos na era Robinho e Zé Roberto, o SPFC em 2005 e agora devido ao Adriano. Pelo que vejo o foco agora ficará com o SPFC porque todo mundo está falando o que vai acontecer com o Murici, e com o Corinthians que ainda joga pela Copa do Brasil. Depois disso tem que ver para onde vai os holofotes (Muda toda semana). Pelo menos é o que tenho visto. Quando o Atl-PR ganhou em 2001 (Em Jan/2002 estava sendo transferido de Curitiba para o interior de SP), aqui só se falava do CT e do estádio do Atl-PR e perguntando porque os times de SP não faziam igual. Depois veio o famoso embate da Libertadores, o que pouca gente fala, é que o terreno ao lado da Arena deve ter valorizado uns 400%, os donos, sabedores que o Atl-PR precisava daqueles terrenos para conclusão do estádio. Esse tipo de notícia ninguém veículou por aqui, e duro foi ter que aguentar sãopaulino, na época, me enchendo o saco por causa de meio estádio, etc ... na época eu dizia que poderia sair da Arena sossegado, pegar um ônibus perto e ir para casa, diferentemente do Morumbi, que tem uma vizinhança nada agradável.

PermalinkPermalink 22.05.08 @ 21:57



Comentário de: Kicha · http://mondokicha.wordpress.com

CONCORDO que a classificação não se deu somente pelo Renato. DISCORDO que ele não tenha participação alguma (como tu quase dá a entender, Jones). Ao meu ver, um grande treinador tem que ser, antes de tudo, um grande LÍ;DER. E isso o Renato tem conseguido ser no Flu. Abraço!

PermalinkPermalink 22.05.08 @ 23:17



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