O futebol é simples - 4
por Equipe De Primeira03h02
De um tempo pra cá, a Globo decidiu "dar um grau" no som ambiente de suas transmissões de futebol. Largaram mão da inveja da Band -- que sempre captou melhor o áudio dos estádios – e partiram para a ação. Mas, claro, como a emissora mais cheia de onda que existe, não dava para simplesmente dar uma mexidinha. Tinha que rolar o famoso "plus a mais", o "Q de Qualidade".
E assim, além de mais volume, o cara que pilota os botõezinhos do som recebeu outras duas orientações: censurar os palavrões e, de acordo com as ações no gramado, fazer disputinhas de torcida. E o resultado disso é que, em nome do show televisivo, passamos a ver, ou melhor, ouvir, uma "trilha sonora" que não condiz com a realidade.
Pois na peleja da Vênus Platinada, a torcida do Fluminense (tomemos essa transmissão como exemplo) superou diversas vezes no gogó a do São Paulo, em pleno Morumbi, ontem à noite, pela Libertadores da América. Detalhe: eram quase 60 mil gargantas são-paulinas, contra cerca de 3 mil cariocas. E isso porque o Cícero Pompeu de Toledo é grande, aberto, ou seja, tem acústica que não favorece o agito da massa.
Eu entendo que algumas vezes os forasteiros chamam no Jamelão e silenciam mesmo os donos da casa. Definitivamente, não foi o caso. A "guerra dos cantos" entre os tricolores, tão exaltada durante os 90 minutos, aconteceu somente por conta da "baixação" e "levantação" de som desenfreada do técnico. Manejo tão insano que, por duas vezes, fez sumir a narração do Cléber Machado (não fez falta nenhuma, pelo contrário).
E sobre o palavreado, tudo bem, certamente "tomar no c*" e "bota pra fod*" não são expressões muito bacanas, especialmente, para ecoarem cristalinas no seio do lar dos brasileiros (ainda mais agora que para o Plim-Plim o esporte é super família). Porém, formam o linguajar tradicionalíssimo das arquibancadas. A molecada adora e até a mulherada manda brasa quando vai ao campo.
Diante de tanta idiotice, deixo o meu protesto e chego ao cúmulo de questionar: será que não dá para ter mais respeito com os xingamentos? Ou, pelo menos, deixar o futebol ser mais futebol e diminuir e esquecer essa frescura?
por André Pugliesi
9 comentáriosPermalink
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Estive ontem no Morumbi. Na torcida do Fluminense.
Concordo que o audio local pode e vem sendo "trabalhado" pela rede globo.
Agora: Foram mais de 5 mil torcedores devido a carga extra de ingressos que chegou aqui no RJ na 3a.
E de fato, durante boa parte do jogo, a torcida do S.P. se limitou a vaiar a nossa torcida empurrando o time.
Os 5 mil torcedores estavam no primeiro e segundo aneis que possuem uma acustica melhor (sao fechados). So o 3o. (onde fica a maior parte da torcida sao paulina) eh aberto.
Abs!
Daí o Flu começou a ter mais posse de bola e se aventurar um pouco mais e se ouve Nense, Nense...dálhe close e meia dúzia pulando. E os caras insistindo no "olhe que espetáculo, a torcida não pára, semana que vem tem mais, é com Maraca lotado, que festa, que vibração".... e repito, duas torcidas mortinhas num jogo morno.
As de times brasileiros sempre foram ignoradas. Praticamente mudas, ou censuradas, diante do olhar da midia.
Nao precisam ficar colocando legendas (ainda que eu nao tenha nada contra,se a musica for bonita, pois logicamente, nao vao por um EI GALVAO VAI TOMAR NO CU ou SOU ORGANIZADA EU SOU, VO DA PORRADA EU VOU E NGM VAI ME SEGURAR )mas, aumentar o audio das torcidas, como sempre foi feito com as de fora, eh algo bacana. Faz parte do espetaculo.
