Joaquim Américo: a conclusão do velho novo caldeirão
por Felipe Lessa22h19

Domingo, 18 de maio, o Atlético Paranaense enfrenta o São Paulo no Estádio Joaquim Américo, a popular Arena da Baixada. Será a estréia do rubro-negro em casa, no Campeonato Brasileiro de 2008. Uma estréia com ritmo de despedida. “O que? Vamos nos despedir?”, perguntam os torcedores mais fanáticos. Pois sim, respondo, trata-se de uma despedida.
Vai ser a última estréia do furacão em campeonatos brasileiros a ser zombada por torcedores do Coritiba, que de olho gordo, chamam a Arena da Baixada carinhosamente de “meio-estádio”. O Atlético ainda não pretende concluir a construção do estádio, com direito ao “andar de cima”, no entanto, com as arquibancadas térreas finalizadas, definitivamente, não é apenas o sarro que vai diminuir. Na verdade, no sentindo inverso, é a torcida atleticana que poderá comparecer em maior número e lotar a capacidade estimada em 30 mil pessoas.
O Atlético planeja inclusive, como anunciado na Gazeta do Povo de domingo, 11 de maio, jogar a partida final do torneio, contra o Flamengo, com a casa completa. E atentem-se torcedores do Coritiba. Não são apenas 30 mil. Sei que já estão fazendo colocações pretensiosas como: “e o que existe de diferente nisso tudo?”, ou, “meu Deus, está fazendo glória por acabarem o meio-estádio?”. Tenham calma, respondo.
E não respondo por contestar. Indico que a conclusão do Joaquim Américo - agora na fase inicial, mas o estádio já não vai mais ser meio - é um marco para a história do futebol paranaense. A história do Joaquim Américo é um guia de tradição, luta e modernidade.
Tradição, por ser “o mais antigo estádio do futebol paranaense em funcionamento”, como lembram Carneiro Neto e Vinicius Coelho no livro Atletiba, a Paixão de Multidões. O campo foi construído em 1914, em um terreno “onde existia a Casa de Pólvora, no bairro da Água Verde” e pertencente à família Hauer, que alugou o terreno ao primeiro dono do Estádio Joaquim Américo: o Internacional, um embrião do Atlético Paranaense de hoje.
Aqui entra a questão de luta, identidade e vontade do Rubro-Negro em ter a baixada como sua casa. O terreno, como conta mais uma vez o livro de Carneiro Neto e Vinicius Coelho, foi comprado anos mais tarde, no final dos anos 20 e inicio dos 30, pelo então presidente do clube, Luis Feliciano Guimarães. Nascia a luta dos atleticanos pela casa própria. Vinda para o clube, depois de um acordo entre o ex-presidente Candido Mader e o governo paranaense.
E os atleticanos já poderiam falar: temos nossa casa, nossa. Uma casa própria que passou por muitas reformas, e que, não teve conclusão, devido ao impasse entre rubro-negro e uma escola que ocupava a parte do estádio onde será construído o restante das arquibancadas. Um impasse resolvido no impulso de uma final de Libertadores da América, que não foi disputada na Baixada contra o mesmo São Paulo da estréia de domingo, por não atender a capacidade mínima exigida pela entidade máxima do futebol da América do Sul, a Conmebol.
E se a final não foi disputada no Joaquim Américo por questões de capacidade de público, nos anos 80, o Atlético passou perto de abandonar a baixada para ter um dos maiores estádios do mundo. Por uma iniciativa de seu ex-presidente que comandava a Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Moura, quase trocou seu eterno lar pelo Pinheirão. Em 1987 estava tudo certo para isso, como conta a reportagem “A paixão muda de endereço”, de autoria de Roberto José da Silva e publicada na Placar 888, deste mesmo ano.
“Agora, o Atlético vai liberar sua valorizadíssima área no bairro Água Verde e mudará o departamento de futebol para o Pinheirão sem contar outras vantagens”, relata o material que apresenta o grande plano de Onaireves Moura, visto com um alto grau de raiva pelos rivais:da época: Coritiba, Colorado e Pinheiros.
O grande plano de Severiano previa tornar o Pinheirão em um monstro, que fizesse o rubro-negro engolir a qualquer coisa. O plano era fazer com que o estádio símbolo de seu império tivesse a capacidade para abrigar 127 mil torcedores, em maioria, claro, atleticanos, pois o contrato previa que o Atlético “mandasse todos seus jogos no local”, enquanto fosse filiado à Federação.
Mas, para a alegria de todo atleticano de hoje, sua casa não mudou de endereço e nem virou um clube social para 5 mil sócios. E o Joaquim Américo, que nos anos 30, passava a ser o primeiro estádio de futebol de Curitiba a ter suas arquibancadas de concreto totalmente cobertas, virou a Arena da Baixada idealizada por Mário Celso Petraglia, em 97 e inaugurada em 1999, como um marco na modernização do futebol brasileiro, que contava com estádios antigos e sucateados.
Voltando a 2008, quase 10 anos depois da inauguração da Arena, em partida que o Atlético venceu os paraguaios do Cerro Porteño, o jogo de domingo é um marco, na historia de um Joaquim Américo tantas vezes demolido, reconstruído e adaptado. O jogo contra o Flamengo vai ser parte de uma etapa que está nas fases finais, e deve ter conclusão antes de 2014, quando existe a possibilidade do primeiro estádio moderno do Brasil sediar um jogo de Copa do Mundo.
O mesmo estádio que foi sede da primeira transmissão radiofônica de futebol no Paraná, em 1934, e hoje, 2008, moderniza e polemiza o sistema de contratos para irradiação de uma partida, fazendo algo que ninguém havia feito no Brasil de forma expressiva.
Por essas e outras, a Arena da Baixada, Caldeirão, Joaquim Américo, ou como você prefira chamar, é um marco não apenas na historia do Atlético, mas sim dos paranaenses e brasileiros. Com o estádio do CAP completo, para poder falar algo, qualquer um terá que dar um passo à frente. Foi o que o Rubro-Negro fez.
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PS: você é ultra enrustido =)
a-la-la-oo a-la-la-ee uma vea atleticano atleticano ate morre!!!!
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