Exorcismo na Baixada
por Leonardo Mendes Jr.00h28
Por Marcos Xavier Vicente, originalmente publicado no Populares e postado aqui sem que o MXV saiba. Até porque o dia que eu precisar autorização do Marcão para postar texto dele aqui... Vá pra pqp
Até o gol do atacante Henrique Dias, aos 19 minutos do segundo tempo no Atletiba de domingo, um filme passava pela minha cabeça. De pé na arquibancada da Baixada, voltei no tempo 18 anos. Retornei ao Couto Pereira na tarde fria de 5 de agosto de 1990. Lá estávamos eu meu irmão, com 11 e 13 anos, torcendo pelo Coxa na arquibancada. Por volta de duas horas antes, meu pai havia nos deixado no estádio junto com o Ju, nosso amigo de infância atleticano e vizinho da frente que aproveitou a carona do meu velho (tempos estranhos aqueles, em que crianças freqüentavam estádios traqüilamente sem a presença de adultos e torcedores adversários faziam gentilezas entre si).
Em 90, algumas peças do título de 89 haviam sido perdidas. O volante Osvaldo e o atacante Alberto Dias foram negociados. Nada que os pratas-da-casa Hélcio e Pachequinho não resolvessem – dois craques de bolas que infelizmente surgiram no Coritiba no período mais triste da história do clube. Além disso, a dupla Tostão e Chicão estava na ponta dos cascos e o time atleticano não era nenhum primor. Era barbada. Lotaríamos o Couto e levantaríamos o caneco.
Tudo estava conforme o combinado. Ganhávamos por 2 a 1 e já comemorávamos. O ruim é que esqueceram de ensaiar o script com o zagueiro Berg. Numa infelicidade sem tamanho, o zagueiro cabeçou contra o próprio gol uma bola alçada na área. Dois a dois, vantagem do empate para o Atlético e a taça descansaria lá pras bandas da Rua Buenos Aires. Nem as cabeçadas de Zidane na final de 98 doeram tanto como a falha do Berg. Ali aprendi que a vida também nos reserva tropeços.
Pois muito bem. Domingo, na Baixada, a situação era inversa. Eles fizeram dois gols, estavam empolgados e confiantes de que fariam outro em breve pra garantir o título. Nós é que estávamos apreensivos, até um pouco sem confiança. Mas eis que Henrique Dias acredita numa bola perdida, um chutão do meio-campo, e no melhor estilo golfinho de parque aquático de Miami, salta para vencer o goleiro Vinícius. Dezoito anos depois, eu exorcizava o trauma de 90. O título era nosso!
Não sei a quem os jogadores do Coritiba dedicaram a conquista do Paranaense 2008. Da minha parte, dedico àqueles caras de 90. Eles merecem. Como merecem...
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Da-lhe marcao. Se o Berg ler isso, ele chora.
