De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

RSS

Foto ilustrativa

Abr 28

Ouro verde

por Equipe De Primeira22h46

Por Marcos Xavier Vicente

Veio gente de todas as redondezas no velório da nonna. Desde os pioneiros que ainda estavam vivos e ajudaram a desbravar aquele mundão sem fim de árvores que era o norte do Paraná, até a meninada que foi liberada da aula só para engrossar o mar de gente em frente à velha casa de madeira. Todo mundo estava lá.

Entre os homens, a conversa era em torno de dois assuntos - além das memórias que cada um tinha da falecida, é claro. As colheitas de café dos bons tempos e o Palmeiras (de preferência também o dos bons tempos, da Academia – salve, Djalma Santos, Ademir da Guia, Dudu, e Vavá!; salve Leão, Luiz Pereira, César e Leivinha!). O ouro verde unia o bate-papo dos velhos amigos no velório. O esquadrão verde desunia. A turma do Parmera pra cá, o resto pra lá.

Até que chegou de viagem o filho mais novo da nonna. Além de fugir da lida com café (foi o único que optou por plantar soja e bem longe da família, lá pros cafundós do Mato Grosso), a opção futebolística também reforçava no caçula a idéia de ovelha desgarrada. Para desgosto geral, não era o Palestra que o atraia. Escolheu o preto e branco do Corinthians para seguir em frente.

Abraçou os irmãos e toda a parentada. Chorou ao lado do caixão da mãe. Rezou. Passado todo o ritual de tristeza, partiu para outro ritual de velórios do interior: as gozações entre os parentes e amigos nas rodas de conversa.

- Continua corintiano? – perguntou um tio que não via desde a juventude.

- Claro! Até morrer! E o senhor já tá na hora de tomar vergonha na cara e deixar esse timinho...

- Nunca, meu filho. Mas fico feliz que pelo menos você tenha saúde – revidava o velhinho, apoiando-se na bengala.

E assim foi o dia inteiro. Uma pegação de pé que só. Agüentou firme os comentários maldosos da queda pra segundona no Brasileiro, da desclassificação no Paulista, da classificação do Palmeiras pra final do Estadual. Até que um primo mais saliente mexeu no vespeiro. Disse que Rivellino só foi aprender a jogar bola de verdade no Fluminense. Aí o caldo entornou. Não admitia que falassem um ai de seu ídolo.

Pôs a compostura de lado e começou a elencar aos berros todos as qualidades que faziam de Rivellino o maior ídolo corintiano, mesmo sem nunca ter conquistado um título no Parque São Jorge. O primo não deixou por menos. Lembrou todos os campeonatos que o Corinthians perdeu para o Palmeiras e apelou para o jejum de 22 anos sem títulos do rival.

Quando a coisa caminhava pra violência física, a tia solteirona, que cansou de puxar a orelha daqueles dois a cada marotice na infância, teve que intervir pra acalmar os ânimos:

- Meus filhos, chega de discussão. Que tal um cafezinho?

2 comentários
FutebolFutebol PaulistaCorinthiansHumor


Posts similares:
Corinthians continua afundando
O Corinthians que eu conheço...
Petistas são corintianos e tucanos são tricolores

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: Felipe Lessa Email

hehehe mto bacana a historia!

Quem sabe daqui uns 30 anos, ela nao seja entre torcedores do LONDRINA e do MARINGA.

PermalinkPermalink 29.04.08 @ 19:51



Comentário de: Carol

Delícia de texto.

PermalinkPermalink 30.04.08 @ 00:24



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Contato

blogdeprimeira@gmail.com

Busca

Twitter

InterNey Blogs