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Abr 24

Será que ele é? Sim, pressionado

por Felipe Lessa14h26

Richarlyson é o único nome que o coro da maior torcida organizada do São Paulo Futebol Clube, a Independente, não puxa, ao apresentar - quase - todos os jogadores na entrada de campo. Seu nome, quando gritado nas arquibancadas do Morumbi, exceto por uma parcela de verdadeiros torcedores, carrega junto algum termo pejorativo como “bicha”, “veado” ou “pederasta sem vergonha”.

Qual a razão? Todos estão muito preocupados com a existência, ou não, da masculinidade do meia e esquecem de seu futebol. No jogo de ontem, entre São Paulo e Atlético Nacional da Colômbia, não foi diferente. Todo esquema já citado acima foi repetido. Richarlyson, não rendeu, não fez nada em campo e os xingamentos não demoraram a surgir. Pior, quase entregou o gol de empate aos 39 minutos, no segundo tempo. Era tudo que eles, os corneteiros, mais queriam. E gritavam exaustivamente diversos “palavrões”. Gritaram tudo aquilo que não apoiaram o jogo inteiro.

Mas agora espere. Ele errou por ser, ou não, o que dizem que é? Ele já negou, mas e daí? Todo humano erra. Jogadores de futebol, na condição de humanos, também erram, ainda mais sob forte pressão. E a pressão contra Richarlyson, é maior que a de qualquer atleta São Paulino. O meia não deve deixar de ser cobrado, mas, cobrado por seu futebol. Apenas.

Para quem acha que uma “pressãozinha” a mais não faz diferença, cito um caso ocorrido na Inglaterra, relatado pelo site Alemania Hoy. Depois do suicídio de um jogador, houve inclusive uma mudança no estatuto da federação de futebol, apontando para a punição de quem praticar discriminações sexuais.

Mas a torcida que xinga é a única culpada? Não, não e não. Só associaram a imagem de Richarlyson - desde que chegou no São Paulo Futebol Clube – a sua sexualidade, graças ao desnecessário comentário de um diretor do Palmeiras. E a mídia, onde entra nisso? Aqui, por exemplo: “Richarlyson garante que não é gay”, “Richarlyson levanta bandeira contra preconceito e promete brigar”, “Suposto jogador de futebol gay é do São Paulo”.

O caso de Richarlyson não chega a ser uma questão de levantar bandeiras e palanques. O caso é que jornalismo sobre futebol deve falar sobre futebol. O bom e velho futebol é aquele que envolve gramado, duas traves, bola, 22 jogadores em campo, torcidas, arquibancadas, estratégias táticas (ou a falta dela), resultados e assim vai. Chegou à hora de parar de se preocupar com a vida pessoal dos outros. Do mesmo jeito que, por volta de 1914, jogadores como o mulato Carlos Alberto do Fluminense passavam pó de arroz no rosto para esconder sua cor, em um cenário que apenas aceitava atletas brancos, certamente, jogadores homossexuais existem, e muitos deles nunca chegaremos a descobrir. Quem são? Não importa. Jornalismo de futebol não é Big Brother. Creio eu.

O Richarlyson que conhecemos é o filho de Lela, ídolo e campeão brasileiro no Coritiba. É o craque homenageado com a camisa 100, ao completar seu centésimo jogo pelo São Paulo. É um jogador que se sobressaiu, revelado no interiorano Ituano, bola de prata do brasileirão 2007 e hoje, despontou como campeão mundial de clubes em 2005 e brasileiro de 2006 e 2007. É o volante da seleção brasileira, Richarlyson, que erra e acerta, como qualquer jogador. Deve ser cobrado ou elogiado como qualquer jogador. Pelos méritos nas quatro linhas. É o que a torcida tricolor esqueceu na noite de quarta-feira, na vitória magra por 1 a 0 contra o Atlético Nacional da Colômbia. É o que faz tempo, os tricolores vêm esquecendo, e por isso, o futebol de alguém já não é mais o mesmo. Vamos ver agora, contra o Nacional do Uruguai.

11 comentários
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Comentário de: Carol

Me sinto 100% contemplada.

Ano passado o Ricky conseguia lidar muito mais com tudo isso. É que não tinha pressão na seleção ou rodízio entre volante, lateral e zagueiro. Eu o defendo ferrenhamente ainda, por mais que ele me dê uns sustos de vez em quando.

PermalinkPermalink 24.04.08 @ 16:20



Comentário de: Felipe Lessa Email

gracias, os comentários feitos por você durante o jogo me ajudaram a escrever o texto hehehe

PermalinkPermalink 24.04.08 @ 16:23



Comentário de: tina

Ah mas esse ano, ou melhor, desde a convocação para a seleção ele não tá jogando nada...

e pouco me importa se ele é ou não é...


PermalinkPermalink 24.04.08 @ 17:06



Comentário de: Felipe Lessa Email

Mas o pessoal continua gritando "bicha" e "veadinho".

PermalinkPermalink 24.04.08 @ 19:05



Comentário de: Carol

Quem não joga nada é o Juninho. O Richarlyson está muito aquém, está inconsistente, aumentou o número de erros, mas ainda faz diferença.

No jogo contra o Sertãozinho, que ele perdeu por causa da seleção, parecia que havia um campo de força do lado esquerdo do ataque são-paulino impedindo o JW e o Júnior de pisarem por ali. O buraco que ele deixou foi gritante.

Acho que o grande problema é a inconsistência do elenco todo, cada hora é um esquema, uma escalação, nem dá pra medir muito, só percebemos quando eles se destacam mesmo. Como o Hernanes, que começou mal mas já está quase tininho, o Adriano, que depois da tal "crise" (uu! que meda da crise) voltou a responder com gols, o Borges que colocou o Adriano pra jogar, apesar de o cartão amarelo ter deixado o cara de fora da festa...

Talvez agora as coisas se acertem com os Éderes (??) jogando mais com a equipe e (Deus existe?) a chegada de alguém para acertar passes do meio de campo pra frente.

PermalinkPermalink 24.04.08 @ 19:14



Comentário de: marcos

Ah claro, ninguém xingava o cara de bixa antes do idiota do parmeira falar aquele besteira... como gostam de reescrever a 'história'...

PermalinkPermalink 24.04.08 @ 19:23



Comentário de: Marília · http://maroma.wordpress.com/

É absurdo o torcedor misturar alhos com bugalhos!

PermalinkPermalink 24.04.08 @ 19:40



Comentário de: Felipe Lessa Email

Pelo visto, logo logo a coisa muda Marília. Isso se ele segurar a pressão...pois se continuarem pegando no pé dele, como aconteceu ontem, logo troca de time. Potencial para isso ele tem.

PermalinkPermalink 24.04.08 @ 21:15



Comentário de: Carlinhos

Vai pro CAP que vai se dar bem.

PermalinkPermalink 28.04.08 @ 21:03



Comentário de: Mirian

Fico cada dia mais triste ao assistir programas esportivos ou abro um jornal.Por que só ele não pode passar por uma fase ruim?
Eu acredito nele, no futebol dele,sou 100% Richarlyson.
Vai superar tudo isso,mas protesto a todos que agem como se a aparência dissesse algo.
Ele tem que matar dez leões por dia.
E o jornalismo não é mais o mesmo................

PermalinkPermalink 09.06.08 @ 18:56



Comentário de: Mirian

Fico cada dia mais triste ao assistir programas esportivos ou abro um jornal.Por que só ele não pode passar por uma fase ruim?
Eu acredito nele, no futebol dele,sou 100% Richarlyson.
Vai superar tudo isso,mas protesto a todos que agem como se a aparência dissesse algo.
Ele tem que matar dez leões por dia.
E o jornalismo não é mais o mesmo................

PermalinkPermalink 09.06.08 @ 18:57



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