Toledo quer pôr trio de ferro no rolete
por Felipe Lessa13h29

Deixando para trás clubes como Londrina, Paranavaí e Galo Adap, o Toledo Colônia Work foi surpresa entre os times do interior ao conquistar feito inédito na cidade: uma vaga na semi-final do Campeonato Paranaense de Futebol, onde enfrenta sábado o Atlético Paranaense.
Até antes, o ponto mais alto do futebol da cidade foi em 1993, quando o Toledo Esporte Clube precisava ganhar em casa do Matsubara para chegar entre os quatro, classificando-se para da fase semi-final. No entanto, perdeu por 3 a 1, ficando no geral em 5º lugar.
Hoje, se para muitos a chegada do Porco é uma surpresa, mesmo estando invicto jogando no Estádio 14 de Dezembro, para um homem o fato é mais que normal. Trata-se de Irno Picinini, o atual presidente do Toledo. Desde o início do campeonato, Irno apontou seu clube como promessa, o que agora foi cumprido. No entanto, para conhecer um pouco do que foi feito para chegar a condição de semi-finalista é necessário voltar um pouco no tempo, mais precisamente para 2004, ano de fundação do clube.
A proposta inicial foi trabalhar na formação de garotos que vão principalmente dos 12 aos 17 anos, a partir de um projeto social em diversas regiões do município e o principal: resgatar o futebol profissional em Toledo. Feito pelo povo local, para o próprio povo.
Na busca de recursos para viabilizar o processo, como conta o presidente, foi feita parceria com Cervejaria Colônia , através da Família Brandalise. Assim nasce o TCW - Toledo Colônia Work. “Você tem que implantar no futebol empresa a mesma maneira de trabalho de uma empresa jurídica, hierarquia e procedimentos de produtividade, pessoas do comando que pensem como você”.
Mesmo não querendo falar em números, o presidente do Toledo indica que a política do sucesso é atuar com o que se tem. Quando tem gasta. E quando não tem? “Recorremos a empréstimos, temos bons patrocinadores e as rendas sempre pagam as despesas oriundas com arbitragens, federação, gratificações e jogadores”.
Além de funcionar como empresa, sem luxúria ao contratar jogadores, o presidente indica que além de pagar em dia, alguns termos ajudaram a trazer os bons resultados: “você tem que dar toda a estrutura para que ele só pense em jogar futebol, gratificações por produtividade, alimentação, moradia, ônibus muito bom para viagem, melhor hotel e valorizar seu trabalho e respeitá-lo como homem dentro e fora dos campos de futebol, auxiliar sua família”.
Clube empresa da cidade
Com objetivos bem definidos sobre qual o papel de cada instância dentro do Toledo Colônia Work, Irno Picinini é claro e honesto. “É um projeto empresa que visa lucros para a Colônia e a Work. Comunidade e região ganham com a presença de uma equipe de futebol profissional”.
Percebendo a transparência nos negócios e boa produtividade da equipe de funcionários, Jheyson Brincker, fundador da Torcida Porcos Selvagens, é um dos cerca de 10 mil que acompanharam as últimas partidas do Toledo no campeonato. “Ganhando ou perdendo, sempre vou aos jogos. Mas é muito melhor ir ver o porco quando estamos ganhando. O pessoal que está por trás do Toledo é muito sério e não pensa em roubar o time como em cascavel, por exemplo”.
Em uma cidade de 100 mil habitantes, a política de trabalho do Toledo não pretende “bater de frente” contra questões culturais, como a de torcer para times de fora. O Toledo busca apenas ganhar espaço no coração de cada habitante da cidade. “Tem muita gente que é torcedora de times paulistas e gaúchos, mas está mudando um pouco de concepção. O Toledo já faz parte destes torcedores”, comenta Irno.
Um exemplo de que o Toledo já está na cabeça, e agora no corpo dos toledanos, está na venda de camisas. Como conta o chefe, “nos últimos 30 dias foram vendidas 2.500 camisas. É um número muito bom por se tratar de time do interior e por ter tão poucos anos de vida”.
Se daqueles que ficam nas arquibancadas o clube empresa está recebendo resultados positivos, o presidente comenta que da parte de dentro dos alambrados as empresas locais também dão seu crédito. “Temos o maior apoio popular da história de clubes que foram formados aqui”, ressalta, referindo-se a cerca de 100 empresas com placas no Estádio 14 de Dezembro.
Pensando em estrutura
Como conta Irno Picinini, “o Centro de Treinamento está quase pronto” e conta com uma estrutura de 6 campos de Futebol, sendo 4 oficiais com irrigação subterrânea automatizada, prédio que abriga 140 atletas das categorias de base , com refeitório, salas de estudos, TV, jogos, fisioterapia, Academia, mais um Ginásio, ainda em construção. Ainda existe espaço para um bosque de um alqueire, “para trilhas”, enfatiza o presidente.
Projeto social é o trabalho de base
Com o compromisso de quem nasceu na cidade e a experiência de ter no comando um presidente que nos anos 70 foi atleta do Toledo Futebol Clube - antigo time profissional - o clube desenvolve o Projeto Educando pelo Esporte.
Desenvolvido com cerca de 150 crianças toledanas, o projeto serve também para facilitar a revelação de talentos. Como conta Irno, “os meninos são retirados das ruas para jogar bola. Ensinamos o futebol a eles nos campos do Município”. Os garotos recebem atendimento de funcionários do TCW pertencentes à comissão técnica, e os que se destacam ganham oportunidade de tentar seguir carreira como atletas do clube. O Toledo conta com equipes de base desde a categoria de pré-mirim ao Júnior.
Com orgulho, Irno Picinini não pensa duas vezes para dizer: “temos inúmeros atletas com potencial para defender vários clubes do Brasil e Exterior”, citando como exemplo, a venda do meia Pedro Ivo ao Basel da Suíça. “Trata-se de uma grande revelação que surgiu do nosso Projeto”.
Desafiado a indicar algum grande atleta no escrete de 2008, o dirigente faz sua aposta: “posso citar o Rafinha que está acima dos demais formados no Toledo”.
Previsões
A partir da estrutura e dos resultados que o Toledo vem alcançando, Irno Picinini arrisca dizer que o clube tem a possibilidade de ser a 4ª forca do estado, comparando a situação atual de seu clube ao de antigas potencias. “Pela região rica que temos, pretendemos com a vaga já garantida do Brasileiro da Série C ir mais longe, levando o nome do TCW a nível nacional, pois Londrina e Cascavel são clubes entregues a pessoas de outras cidades. Eles têm dívidas astronômicas que dificilmente formarão equipes de chegada”.
Contra o Atlético
Para o jogo contra o furacão na Arena da Baixada, Rogério Perro, treinador do Toledo terá dois desfalques. Godoi, machucado e Ciel, que cumpre suspensão pelo 3º cartão amarelo.
No entanto, quem não vai desfalcar o time será a torcida, que já se mobiliza e prevê a vinda de dois ônibus para acompanhar o time na capital paranaense, como informa o participante da torcida Porcos Selvagens, Jheyson A. Brincker. “Vamos fazer muita festa e tentar ajudar o Toledo a ganhar na baixada. Não vai ser fácil mas, eu acredito na vitória”. Em posição não tão otimista quanto à do torcedor, o presidente informa: “aposto em um bom jogo, não será fácil para o Atlético. Placar 1x1”, finaliza.
A provável escalação do Toledo é:
Oliveira, Murilo, Cleiton, Ciro, Douglas, Guaru, Fábio Rosa, Rafinha, Almir, Aron e Diego. Técnico: Rogério Perrô
Retrospectiva toledana
Cinco anos depois da chegada dos pioneiros, ao mesmo tempo em que a Toledo era reconhecida como município em 1951, um grupo de boleiros locais se organiza para criação de um clube de futebol. Em sua primeira, vitória de virada contra o Cascavel, 2 a 1.
Tratava-se do Esporte Clube Toledo, clube amador que serviu de exemplo para criação de novas equipes na cidade, que conheceu o profissionalismo apenas em 1968. O representante foi o La Salle, uma escola que tinha um time de futebol e que em sua fundação, um ano antes, contava apenas com alunos no elenco. Apesar do esforço, somente em 1979 Toledo teria seu representante na primeira divisão: o Toledo Futebol Clube.
Conhecido pela população como Toledão, a equipe fez campanha tímida, ficando em oitavo lugar, mas conseguindo resultados importantes, vencendo clubes tradicionais como o União Bandeirante e o Londrina, e empatando com o Atlético Paranaense.
Em 1981 o Toledo ganharia fama em um jogo contra o extinto Colorado. Quando perdia por 1 a 0, aos 44 do segundo tempo, o Toledão empataria a partida se não fosse a aparição de Luiz Matter, integrante da comissão técnica do Colorado que invade o campo e salva a equipe da capital. Por fim, o TJD anulou a partida e um novo jogo aconteceu terminando em 0 a 0.
Dois anos depois, o representante da cidade passa a ser o Toledo Esporte Clube, que conta com a presença do goleiro Zetti, que em 92 seria campeão mundial de clubes pelo São Paulo. No entanto, em 86, o Toledo ficou na ponta de baixo da tabela e foi rebaixado.
No ano de 1989, Toledo volta a disputar a primeira divisão, mas na Chave B, o chamado grupo dos discriminados, já que os clubes de maior torcida estavam na A. Ao invés de enfrentar times como Coritiba, Atlético, Colorado, Londrina e Grêmio de Maringá, o Toledo teve que bater de frente contra Pato Branco, Foz do Iguaçu e até mesmo o Pinheiros, da capital. Sem muitas pretensões a equipe fez boa campanha em 93, mas se arrastou até 1996 quando é rebaixada e some da elite do futebol paranaense. Em 2006, o Toledo Colônia Work consegue disputar ao lado dos grandes, sem sucesso. E agora, como fica?
4 comentáriosPermalink
Futebol Paranaense
Posts similares:
Ai de nós!
Futebol na estrada
Aberração paranaense
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários:
Diretor do LEC é igual a funcionário público ou político eleito: quer morder algo e o que seja a qualquer custo.
Não há identificação das empresas da cidade com o clube e a arrogância ou até mesmo limitação em tratar de negócios de quem passa por ali acaba facilitando para tal.
Quando chega alguém esforçado e que ama o clube, os que etm mais as manhas do negócio emperram. Quando estes entram, simplesmente mordem e depois caem fora, como no caso da Jr. Team. No Londrina não existe transparência nos negócios.
Para muitos dali de dentro do LEC, ainda estamos nos anos 80. Ainda somos os donos da taça de prata e a estrutura deve ser a mesma.