Atlético Mineiro 100 anos: celebração de uma paixão
por Equipe De Primeira22h43
Por Matheus Cajaíba*
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Há cem anos, um grupo de garotos fundava o Atlético Mineiro Futebol Clube. Eles se reuniram no parque da cidade, junto ao coreto, para matar aula e decidiram montar um time de futebol, que nascia "para sufocar todos os outros", segundo eles.

Foi assim mesmo que surgiria uma das maiores paixões do futebol brasileiro. Sim, pela iniciativa de um grupo de garotos da modesta Belo Horizonte de 1908. Esses rapazes não tinham nem bola para jogar futebol, muito menos uniforme para vestir. A bola que os garotos conseguiram, depois de muito procurar, era usada, pois não encontraram nenhuma outra em toda a cidade. O primeiro campo do Atlético-MG não tinha mais que uns 30 metros de largura por uns 75 metros de comprimento, bem abaixo das medidas oficiais. Não havia marcas laterais e a bola saía de jogo quando rolava pelo barranco abaixo. As traves eram dois paus colocados verticalmente e o travessão era uma corda esticada. Já nos primeiros dias, roubaram as traves.
Mudando de nome em 1912 para Clube Atlético Mineiro, a agremiação se tornaria a mais querida da cidade nos anos seguintes. Era o clube mais democrático, que aceitava como membros e jogadores pessoas de diferentes classes, segmentos ou origem sociais. Um clube sem dono, onde todos se sentiam acolhidos e prestigiados.
Desde cedo, o time se identificou com raça, gana, vontade de vencer, espírito de luta. Jogador do Atlético pode até ser ruim de bola; mas tem que ter raça, vontade, gana. Tem que correr atrás da bola como se corre atrás de um ônibus pra voltar pra casa. Tem que lutar até o apito do juiz - se for necessário, até depois. A torcida do Atlético sempre admitiu até mesmo pernas de pau em sua equipe, mas nunca perdoou displicência de qualquer atleta.

Desde os primeiros títulos (campeão de Belo Horizonte em 1914 e campeão mineiro de 1915), o Atlético montou grandes times e revelou grandes jogadores. Na década de 20, surgiu o inesquecível "Trio Maldito": Said, Jairo e Mário de Castro formaram o trio de atacantes mais poderoso da história do futebol mineiro. Mário de Castro é, até hoje, o maior recordista na média de gols marcados por partida da história do futebol brasileiro: em apenas 95 partidas disputadas em seis anos de carreira, marcou 195 gols - média de 2,05 gols (!) por jogo. Mário de Castro foi o primeiro jogador fora do eixo Rio São Paulo a ser convocado para a Seleção brasileira. Ao saber que iria para a reserva, preterido por um jogador do Botafogo, não aceitou o convite... O Atlético então desafiou o Botafogo para um jogo em Belo Horizonte. Resultado da partida: 3 a 2 para o Atlético. Três gols marcados por Mário de Castro.

Em 1936 o clube venceu o primeiro campeonato inter-estadual brasileiro da era profissional. O Atlético se tornou "Campeão dos Campeões" e a festa foi imensa em uma Belo Horizonte tomada pelas cores alvinegras. O destaque foi outro inesquecível craque: Guará, outra lenda do futebol mineiro.

Em 1945 nasceu o Galo! Desenhado pelo cartunista Fernando Pierucetti, conhecido como Mangabeira, o apelido pegou na década de 50 graças à iniciativa do volante Zé do Monte, que entrava em campo segurando um galo. E qual a justificativa para tal símbolo? Mangabeira, torcedor do América, explicou: "O Atlético sempre foi um time de raça. Mais parece um galo de briga, que nunca se entrega e luta até o fim!"

Nós somos campeões do gelo
O nosso time é imortal
Nós somos campeões dos campeões
Somos o orgulho do esporte nacional...
O Hino ao Clube Atlético Mineiro foi escolhido em um concurso realizado na Itália, em 1976, o hino de times de futebol mais bonito do mundo. Composto em 1969 por Vicente Motta, a letra conta, além do inesquecível título nacional de 1936, uma outra grande façanha: o título simbólico de "Campeões do Gelo". Em 1950, o Galo tinha talvez o melhor time do Brasil, contando em seu elenco com craques como Kafunga, Haroldo, e Lucas. Entre 1946 e 1956, o Atlético venceu nove dos onze campeonatos mineiros disputados, graças a jogadores como Carlyle, Nívio, Mexicano e o lendário Zé do Monte. Sendo assim, o alvi-negro foi convidado para excursionar pela Europa, tornando-se o primeiro time de futebol profissional brasileiro a aventurar-se em terras do outro lado do Atlântico.

Foram 10 jogos disputados: cinco na Alemanha, dois na Áustria, um na França, um na Bélgica e um em Luxemburgo. "O Cruzeiro" se curvou perante às façanhas atleticanas em terras estrangeiras, alcançadas em temperaturas abaixo de zero, com gramados cobertos de neve, onde os jogadores do time mineiro jamais imaginaram atuar. Os jornalistas da revista que cobriram a excursão proclamaram o Atlético como o "Campeão do Gelo", digno representante do futebol brasileiro no velho continente.

Chegando ao Brasil, a comissão técnica e os jogadores atleticanos foram homenageados em pleno Maracanã, antes de um jogo válido pelo Campeonato Estadual do Rio entre Fluminense e América. Em Belo Horizonte, milhares de torcedores esperaram no aeroporto da Pampulha para saudar os verdadeiros campeões do povo.
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Falando em comemorações da torcida, até as festas são lendárias. Na inauguração do estádio de Lourdes, em 1929, quando o Atlético venceu o Corinthians por 4 a 2 no jogo inaugural, a festa durou até a madrugada e parou a cidade. Nas grandes vitórias, nos anos 40 e 50, os ídolos eram carregados pela torcida do Estádio Indpendência até a Praça Sete, no centro da cidade, num trajeto de cerca de cinco quilômetros. Na vitória sobre a Seleção Brasileira, em 1969 (2 a 1, jogo histórico, gols de Dario, quem mais poderia ser?), o Atlético representava a Seleção Mineira; após o final da partida, os jogadores tiraram o uniforme vermelho da Federação Mineira de Futebol e surpresa! Todos vestiam por baixo a camisa do Atlético. E deram uma volta olímpica, para o delírio dos milhares de presentes ao Mineirão naquela noite. Querem ver a escalação do Brasil naquela noite? Toma: Félix, Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo (Everaldo); Piazza e Gérson (Rivelino); Jairzinho, Tostão (Zé Maria), Pelé e Edu (Paulo César). Técnico: João Saldanha.

Sem falar na carreata dos milhares de atleticanos presentes no Maracanã, no histórico Atlético e Botafogo, após a final do primeiro Campeonato Brasileiro, em 1971... Do Rio de Janeiro a Belo Horizonte, milhares de pessoas voltando juntas e celebrando a maior glória do Clube Atlético Mineiro.

De Meirelles, primeiro artilheiro do Campeonato Mineiro, em 1915, a Guilherme, goleador do Brasileiro de 99, tantos e tantos goleadores passaram pelo Atlético. Grandes lendas, grandes mitos, gigantes do futebol brasileiro. Grandes goleiros defenderam suas metas, do lendário Kafunga, 19 anos defendendo as metas atleticanas, à promessa Diego, que tanto sucesso faz atualmente na Espanha. E muitos outros que conquistaram o coração de milhões de apaixonados, mais até que pelo futebol, pelo Galo. E o que dizer dos anos 80, quando João Leite, Heleno, Luizinho, Paulo Isidoro, Cerezo, Éder, capitaneados por ninguém menos que Reinaldo, fizeram o Brasil inteiro respeitar e temer aquela camisa preta e branca?
Com um passado tão glorioso, o Galo tornou-se o time do povo. E foi o povão que celebrou na semana passada os cem anos dessa bela história, que começou com um bando de garotos que amava jogar futebol. Eu estava lá e contarei às gerações vindouras que porventura quiserem me ouvir: festejei a alegria de uma massa apaixonada, vivenciei o sentimento de milhares de seguidores da paixão maior das Minas Gerais.
*Matheus Cajaíba é editor do site Abacaxi Atômico (www.abacaxiatomico.com.br).
** Editado no primeiro parágrafo a pedidos. Existem vários Atléticos, cada um no coração de cada torcedor.
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Futebol Mineiro
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Comentários:
Mas toda história do centenário só chegou até 99.. Precisa de todos os fatos principais né? Eu, que tenho memória ruim para o meu próprio time, imagina pros outros, sei de pelo menos um episódio que faltou aí...
Desculpa, eu não sou de cutucar (intencionalmente), mas se o time é de raça e gana, e pelo visto tem muitíssimo mais glória do que vergonha, não precisa ignorar os tropeços.
O Glorioso é de RAÇA e GANA sim... creio que vcs já viram varios e varios tropeços do CAM, como também já viram e ouviram falar de degarfadas de juizes, dirigentes e a própria impressa. Se vc tiver interada mesmo do que é fazer 100 anos,leia os comentarios de Amando Nogueira e Betting... Gloria ou vergonha , todos os times do Brasil tem... O Cruzeiro de Minas por exemplo, foi campeão varias e varias vzs e não teve a vergonha de ir disputar o mundial e contratar jogadores para uma partida só e dar aquele vexame ,não levando em conta que quem o colocou para disputar o mundial foram outros jogadores!!! O Flamendo do RJ, qtas vzs comprou a arbitragem,O Corinthias era par ter caido pra segunda a muito...
Cutucar??? Vergonha sim, mas cair e levantar não é pra qualquer um não... Duvido se seu time caisse e tivesse dirigentes icompetentes como o meu teve e saisse da segunda divisão do jeito que saimos...
Intencionalmente te cutucando garota, NÃO é desfazendo da história de um time que o seu vai se tornar melhor que o outro não...
Nunca disse que o meu time é melhor que o seu. Cada um tem o seu time e os seus motivos pra torcer por ele. Sou a favor da liberdade. Acho justíssima todas as homenagens ao centenário do CAM ao mesmo tempo em que continuo satisfeitíssima com o time que me escolheu.
Mas, voltando ao futebol, eu não acho que ser rebaixado é uma vergonha, no sentido da raça, da gana e da história (mais sobre isso abaixo). É por isso que acho o cúmulo a tal camiseta do "eu nunca vou te abandonar" do Corinthians. Os torcedores dos outros times podem fazer todo tipo de piada sobre rebaixamento, mas ninguém nunca ia insinuar que um corinthiano abandonaria o time porque ele caiu pra segunda divisão. Ninguém vai achar que isso é motivo pra virar a casaca, entende? Porque todo mundo sabe o que é ter um time de coração. Se um dia o meu cair pra Série B do Brasileiro, eu não vou jogar minhas camisas no lixo e sair por aí atrás de um novo.
Agora, obviamente é vergonhoso termos pessoas dentro dos clubes com mais comprometimento com a GRANA do que com a GANA. E isso tem no seu, tem no meu, tô pra ver um time livre desses encostos.
Mas superar dignamente esses tropeços é motivo de orgulho e respeito, e não de vergonha. E, justamente por isso, uma história tão rica, detalhada, ilustrada e carinhosamente tratada, como foi o texto que estamos comentando, não precisa deixar de tocar em certos assuntos.
Desculpe se a minha opinião se assemelhou à daqueles internautas que acham que os únicos assuntos futebolísticos relevantes são os que fazem o time deles sair superior da conversa. O meu nem tá em pauta aqui.
Mas, para ser mais clara, aproveito para dizer que, além de gostar muito de ler o texto, adorei saber mais sobre a história da escolha do galo como símbolo e das curiosidades sobre o primeiro campo e o furto de traves. E ainda reitero o meu pedido ao autor por mais informações sobre a viagem à Europa.
PS: Meu nome é Carol, não precisa me chamar de garota ok? Ficou me parecendo que, se estivéssemos conversando pessoalmente, você estaria me dando um empurrão, já esperando o revide. Mas eu soudapaz.org.
Queremos apenas diretores honestos e que saibam trabalhar e fazer do Atlético um time que ele sempre foi....
Carol, aqui vai a campanha de 1950:
Em Munique – Atlético 3 x Munique 1860 2.
- Gols de Lucas. Lauro e Vaguinho.
Em Hamburgo – Atlético 4 x Hamburgo 0.
- Gols de Nivio 2. Alvinho e Lucas.
Em Bremer – Atlético 1 x Werder Bremen 3.
- Gol de Lucas.
Em Gelsen Kirchen – Atlético 3 x Schalke 1.
- Gols de Vaguinho 2 e Lucas.
Em Viena – Atlético 0 x Rapid 3
Em Viena – Atlético 2 x Sarrebruck 0.
- Gols de Nivio dois.
Em Bruxelas – Atlético 2 x Anderletch 1.
- Gols de Vaguinho 2
Em Brunswick – Atlético 3 x Brunswick 3.
- Gols de Vaguinho. Alvinho e Murilinho.
Em Luxemburgo – Atlético 3 x Seleção local 3.
Gols de Vaguinho. Nivio e Lauro.
Em Paris – Atlético 2 x Red Star 1.
- Gols de Lucas e Nivio.
Quanto à questão proposta pela Carol, sobre ignorar os tropeços do clube em sua história, veja bem: o que você acha de chegar em uma festa de aniversário de uma pessoa querida e de repente, no meio da turma, começar a relembrar as coisas tristes, os fatos desagradáveis, melancólicos... Este texto teve a intenção não de contar uma história do Galo (tem que falar "Galo Mineiro" também? Senão confunde com o Grêmio Maringá, do Jones, e com o 13 de Campina Grande...), mas sim de ser uma homenagem. E é a mais absoluta verdade que o Atlético atravessa uma crise que dura não apenas 7 ou 8 anos; mas desde pelo menos 1993 o clube está em processo acelerado de sucateamento. São 15 anos de crise praticamente ininterrupta. E se o Atlético ainda se mantém entre os grandes do futebol brasileiro, é justamente porque é um ... gigante.
Quanto aos resultados da campanha dos "Campeões do Gelo", o Idelber já respondeu a sua dúvida. Um sincero abraço,
Matheus Cajaíba
deste 1908.
a cultura mineira eh atleticana, o folclore mineiro eh alvinegro.
hauhauahuahuahahuaaua
meu amor pelo esse time é minha vida ! é Atlético Mineiro tipo Um time de raça e o clube do povo de Minas Gerais é a torcida mais presente e fanática do Brasil. Mais com muitas decepções , ou mesmo glorias eu to lá com ele sempre
Clube Atlético Mineiro uma vez ate morre . Teamo <3
E soh pra complementar o comentario do EDUardo
A cultura mineira eh atleticana, o folclore mineiro eh alvinegro, A FAUNA É O GALO E A FLORA O CRUZEIRO!!
HAHAHAHA
YES, WE C.A.M.