Sobre altitude e Libertadores
por Equipe De Primeira14h54
Resposta de Daniel Soares ao artigo de Luis Augusto Símon.
Não é verdade que o Santos ganhava até nos anéis de Saturno. Ganhou duas Libertadores, é verdade, em 1962 e 1963. Mas perdeu outras duas na mesma época. 1964 e 1965. Nestas quatro campanhas, apenas uma vez jogou na altitude. Em 18/fev/1962 venceu o Deportivo Municipal, em La Paz, por 4x3. Outro motivo de os times brasileiros não reclamarem da altitude até os anos 80 é que os times bolivianos, equatorianos e colombianos eram tão ruins na época que não importava a altitude. Eles iam perder de qualquer forma. Dos anos 90 pra cá as coisas se nivelaram mais, com eles melhorando e nossos times piorando, e a altitude passou a fazer diferença. Vide o Brasil perder para a Bolívia nas eliminatórias da Copa de 1994 e de 2002 e para o Equador nas eliminatórias para 2002 e 2006. Outra evidência de que só argentinos e uruguaios eram páreos reais para o Santos é que ele ganhou a Libertadores de 1962 numa final contra o Peñarol, a de 1963 contra o Boca Juniors. Foi eliminado nas semifinais em 1964 pelo Independiente e na mesma fase em 1965 pelo Peñarol.
Outra coisa é que o Flamengo não participa tão pouco assim da Libertadores. Essa é a nona participação. No Brasil, só fica atrás de São Paulo, Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro e Santos. Na verdade, quem participa pouco da Libertadores são os times brasileiros de modo geral. Entre 1966 e 1999 apenas duas equipes de cada país participavam. O Uruguai tem dois times grandes, a Bolívia uns três tradicionais, mesma coisa no Peru, Chile, Colômbia... a Argentina tem dois gigantes, mais três grandes e um ou outro arrivista de tempos em tempos. O Brasil tem 12 clubes considerados grandes nacionalmente e mais uns tantos grandes regionais que já conquistaram campeonatos nacionais (Atlético PR, Coritiba, Bahia...). Simplesmente não sobra vaga pra tanto clube.
Sou rubronegro (daí a inevitável parcialidade...) O Flamengo chorou demais a altitude, é verdade. Isso acabou inflamando o Cienciano e gerará uma recepção hostil em Cuzco que de outra forma não haveria. Errou. Só isso já é motivo pra falar mal do Flamengo. Não é necessário distorcer os outros argumentos.
Quanto à derrota de 3x0 pro Nacional em Montevideu, ainda bem que eu estava sozinho em casa, pois foram impublicáveis os palavrões de quem armou pra sair mais cedo do trabalho a tempo de estar 18h em casa pra assistir àquele pastelão. Mas é um problema crônico deste time do Flamengo não conseguir jogar fora de casa. Desde a campanha no Brasileiro de 2007, que o classificou, diga-se. Foram apenas três vitórias em 16 jogos fora de casa. Uma sobre o América RN, que não é mérito nenhum, e outras sobre Paraná e Goiás, que de uns tempos pra cá viraram fregueses do Fla quando jogam em casa. Até do Paraná em Uberlândia, jogando como mandante, o Flamengo perdeu.
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Comentários:
É um ponto. Mas de qualquer forma, a diferença não é tão grande. São Paulo e Palmeiras, recordistas brasileiros, disputaram 13 vezes cada um. O Grêmio 11, Santos e Cruzeiro estão na décima disputa. Já Real Potosi e Cienciano, motivos da choradeira rubro-negra respectivamente no ano passado e neste, disputaram menos. O Real Potosi está em sua terceira disputa e o Cienciano em sua sexta.
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