Delenda, São Paulo!
por Luís Augusto Símon16h12
Se eu fosse um cara coerente e fiel aos meus princípios futebolísticos, torceria ardentemente para o São Paulo perder todos os jogos. Apostaria em um caos que fosse o prenúncio de mudanças. Que fosse um passo para acabar com essas aulas constantes de antifutebol que meu time tem dado duas vezes por semana.
Não se trata apenas de passes errados. De falta de projeção pelas laterais. Da ausência de dribles. Da falta de ousadia. E do monótono exercício de se cruzar bolas na área adversária. Tudo planejadinho, como os japoneses em Pearl Harbor.
Não é só isso. Tudo poderia ser perdoado se isso fosse feito porque não se sabe fazer outra coisa. Quem vai criticar os ingleses por cruzarem bolas na área? Fazem isso desde a maternidade. Cruzam bolas como veneram a Monarquia. Cruzam bolas com a mesma resignação e falta de ousadia com que seguem a política externa de Bush. Nasceram para isso.
Enfim, fazem isso por necessidade e não por opção. Stanley Matthews e Pete Best são exceções nesse mundo de bombardeio. E são adorados até hoje.
O São Paulo, o que é mais grave, tem feito isso por opção. O clube pagou 1,25 milhão de euros para ficar com Jorge Wagner. Se Robinho custasse a mesma coisa, ainda assim ficariam com Jorge Wagner. Ele é o rei da bola parada. Bola parada, para mim, é bocha.
Muricy, Marco Aurélio Cunha e Rogério Ceni são arautos dessa realidade. Vejam essas frases tão imbecis que ouvi esses dias.
1)"Para se dar bem na Libertadores é preciso um bom homem de bola parada e quatro ou cinco grandões bons de cabeça." (Rogério Ceni, após a supergoleada por 2 a 1 sobre o Audax)
2)"Para ganhar a Liberadores é preciso um time formado por jogadores fortes" (Marco Aurélio Cunha)
3)"O Eder é muito bom. É forte, tem mais de 1,80" (Muricy Ramalho).
Essa última frase merece um comentário. Não parece que ele está falando de um lutadr de boxe? E, como diz o Passional, quanto media o Cicinho, o último grande lateral que o time teve?
O que adianta Muricy elogiar a condição aeróbica do Richarlyson se ele não acerta um cruzamento? Melhor chegar menos na linha de fundo e acertar mais.
É muita besteira junta. Para ganhar a Libertadores ou a Copa Topper de Imprensa é preciso jogar um bom futebol. Melhor do que o dos concorrentes. Só isso. O São Paulo esqueceu disso. Preferiu apostar em um futebol inglês. Ou escocês, como gosta nosso presidente.
Bem, como não sou coerente, na quinta-feira estarei em frente da televisão torcendo por um gol salvador contra o Sertãozinho. Cruzamento de Jorge Wagner e cabeçada de Adriano. Aos 25 do segundo tempo, quando Muricy já tiver substituído Carlos Alberto.
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Ainda bem que sou de anteontem
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Comentários:
Bom, sem Hernanes e com Fábio Santos, se a vitória vier do seu jeito eu já fico contente.
É justamente por me parecer são-paulino doente que presumi a distância geográfica como pretexto pra ver o jogo da TV. Agüentar o Kléber na Globo ou o Neto na Band é ruim demais...
Ok, você vai dizer que não foi jogaço coisa nenhuma, mas a arquibancada azul tava MUITO divertida!