Palavras já não são suficientes
por Equipe De Primeira13h15
Por Ana Carolina Moreno
Tivesse eu os talentos de Tom Cavalcanti para fazer imitações e emitir os sons mais estranhos, talvez pudesse expressar melhor o que sinto sempre que me deparo com os exemplos mais lamentáveis do jornalismo esportivo. Imagino uma onomatopéia no meio do caminho entre as usadas à exaustão nos desenhos do Batman (TUM! SOC! POF!), indicando os tapas e socos certeiros, e as que integram a lista de mais populares na linguagem virtual (ARGH! AFF! HUNF!), e revelam sensações de repulsa, contrariedade e impaciência.
Pois os jornalistas que vivem de futebol às vezes se comportam como mulas com antolhos, e se eu pudesse enviar meu tabefe cheio de decepção por e-mail, acertaria todos eles na nuca. Com a visão restringida, como se vestissem o pano usado na lateral dos olhos dos eqüinos para evitar a distração, nossos bravos repórteres seguem sempre em frente, despejando a pauta do dia nas páginas dos jornais ou, com um punhado a mais de erros gramaticais, nos sites de notícias.
Não olham para os lados para pensar no que estão fazendo dentro de um contexto. E não olham para o umbigo, para fazer a auto-crítica tão necessária a qualquer um que pretende fazer o seu melhor.
Que ganhamos nós com isso? Além das reações furiosas dos grandes defensores da liberdade de expressão a todo custo, o prêmio aos leitores que aturam esse comportamento é a perpetuação da mediocridade. Profissionais burros que apenas seguem as regras, sem questioná-las.
Exemplo 1: Plantaram a notícia de que um jogador do Fluminense está sendo sondado? Tem alguma confirmação? Não? É notícia mesmo assim! E não se esqueça de detalhar exatamente como ficou o Renato Gaúcho na entrevista coletiva. Porque se ele quer ensinar jornalista, que abra uma faculdade de jornalismo! Eu já sei tudo o que preciso saber. E notícia falsa é notícia sim! Especulação é a alma do negócio. Que apurar que nada!
Exemplo 2: Vamos fazer mais uma especial sobre o “Caso Dualib”? Vai lá no arquivo e faz um ctrl+c / ctrl+v de 70% do que já foi publicado. E não se esqueça do famoso clichê sobre a tentativa dos novos dirigentes de “tirar o Corinthians das páginas policiais e voltar para as de esportes”.
As análises são bem simples: no primeiro caso, se o jornal não publicar, o tabefe vem da diretoria (transferido em forma de rasteira ou voadora ao repórter). Dane-se a relevância jornalística, os concorrentes vão dar! Então que nivelemos todos por baixo em nome das vendas nas bancas. Produto de qualidade para o leitor.
O segundo caso é falta de aula de jornalismo mesmo. Alguém por acaso viu o Corinthians (ou qualquer outro time de futebol) nas páginas policiais alguma vez? Toda e qualquer notícia sobre corrupção, formação de quadrilha, notas frias, fraude nas eleições, julgamentos no TJD, sai na editoria de esportes. Se um jogador é envolvido isoladamente, como o Edinho envolvido com tráfico de drogas, aí o caso é dele. Mas o Dualib nunca saiu dos blogs e seções dedicadas ao futebol. Quer um exemplo? Releia os jornais de ontem e pare de ficar repetindo abobrinha só porque outro imbecil cometeu esse erro antes de você. O bordão pode até ser poético, mas não é exato. Tantos antes de você já fizeram poesia sem desrespeitar o leitor... Se não tem idéia original na sua cabeça, porque não imita os bons, em vez da macacada?
Esses dias foi a moda criticar a decisão da Fifa de banir a tecnologia e manter o esporte no século XIX, ainda que bancado com o capitalismo do século XX. Com razão. Mas o que dizer de quem apóia a evolução para os outros, mas a recusa para si? Alguém sabe uma onomatopéia adequada para HIPOCRISIA?
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Comentários:
É o que em jornalismo a gente chama de barriga: notícia completamente equivocada (por parte do Lance!, claro).
Portanto, se parou de filtrar profissionais