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Mar 10

Crime e castigo

por Jones Rossi20h38

Pela primeira vez na vida, torci pelo Palmeiras. Contra o Bragantino, neste domingo, o Palmeiras estava representando o que considero ser a justiça no futebol. Na vida real nem sempre o final é feliz e a decisão é justa. Mas diante do atual estado do futebol era preciso ver um final feliz, tipo filme americano.

Duas infâmias imperdoáveis cometeu o Bragantino ontem, além da infâmia da própria medíocre existência como time de futebol da família Chedid. A primeira foi a entrada estúpida de Malaquias contra o goleiro Marcos. Ali tudo começou. Marcão é um cara que não se esquiva da dividida, entra com coragem, é leal, um cara simples e recusou de verdade uma proposta do futebol inglês para permanecer no Palmeiras (e sem fazer o teatrinho que Rogério Ceni fez com o Arsenal) . Mesmo pentacampeão, não se vê afetação em Marcos. Não se acha uma estrela e cata muito. Por isso vive se quebrando. Mesmo assim, o anão moral e futebolístico Malaquias se achou no direito de entrar rasgando o goleiro, que volta de um longo período nas trevas da recuperação médica.

Pois Marcos deu um revide muito inferior ao que seria justo e plausível - encostou de leve o pé no bobão, simulando um chute meia-boca - e acabou expulso por Stevie Won..., digo, o árbitro Paulo César de Oliveira. Se tivesse feito sua chuteira entrar na barriga de Malaquias mesmo assim eu entenderia Marcos, vítima de atacantes não tão leais como ele.

O que seria falta para o Palmeiras virou pênalti para o Bragantino. E Nunes, outro bobão, bateu o pênalti e saiu repetindo o gesto de Souza contra o Botafogo na final da Taça Guanabara. É incrível a capacidade dos jogadores transformarem um gesto bem sacado e bacana em um clichê no espaço de alguns dias. Um clichê, aliás, muito mal usado por Nunes. Ninguém no Palmeiras reclamou o suficiente para dar margem à idéia de que houvera um chororo coletivo. Nunes simular o chororo de Souza foi mais ou menos a mesma coisa que sair imitando Bebeto embalar um bebê para calar a boca dos críticos, só para ficar em duas comemorações clichês do futebol.

São coisas assim que me fazem desgostar dessa geração de jogadores e jornalistas que confundem o velho e bom folclore do futebol com a necessidade de aparecer de alguns paspalhos.

Mas o lado bom do futebol é que fazer justiça, na maior parte das vezes, só depende de nós mesmos. Com um jogador a menos e com dois gols de desvantagem, o Palmeiras iniciou uma reação genial. Diego Souza, um cara que sempre julguei ser um molenga com alguma habilidade, ao melhor estilo Roger, vulgo Sr. Débora Secco, assumiu para si a missão de empatar o jogo de forma exemplar. Correu, driblou, deu passes, fez gol.

Nestes momentos, a indolência que acomete os endinheirados jogadores à procura de um desculpa para se arrastar por 90 minutos em campo e dizer na coletiva que a culpa foi do juiz desaparece. Dá lugar ao velho brio infantil de quem ainda não sabe o que é contrato, empresário, lei Pelé, Ucrânia ou J-League. Aparece apenas o desejo de humilhar o adversário em campo, dar uns pontapés se preciso for e sair do gramado ainda tentando arrumar confusão com os vencidos.

E assim, recuperando um pouco do orgulho e da alma perdidos nos times profissionais, o Palmeiras surrou o Bragantino, que venderia sua alma por cinco dólares ao Milhouse caso tivesse uma. Lembrarei desse jogo por anos. Ali o futebol triunfou sobre o mau caratismo. Não é algo que se possa ver todo dia.

4 comentários
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Comentários:


Comentário de: Felipe Lessa Email

Mandou mto bem...

PermalinkPermalink 11.03.08 @ 00:40



Comentário de: Carol Moreno

Concordo com o Felipe. No começo do jogo só ouvi os vizinhos (estava no reduto verde, Perdizes) de outros times gritando o nome do Braga, mas quando cheguei em casa o porteiro avisou que estava 2 a 2. Depois vi o resto do segundo tempo e foi incrível ver como o Palmeiras não deixou que aquela seqüência de injustiças virassem um desastre.

PermalinkPermalink 11.03.08 @ 13:31



Comentário de: Paulo

da uma olhada aqui

ele vai ser processado por agressão nesse lance ai que vc cita

http://click.uol.com.br/?rf=hu-mod6-man1&u=http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas/2008/03/11/ult59u149248.jhtm

PermalinkPermalink 11.03.08 @ 16:06



Comentário de: Sabbag · http://interney.net/blogs/pandorga

E o que o Anão (moral ou imoral?) tem a dizer sobre isso?

PermalinkPermalink 11.03.08 @ 18:25



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