Jogada de Marketing
por Equipe De Primeira10h13
Por Ana Carolina Moreno
Olá, muito prazer. Eu sou uma jogada de marketing (que escreve tanto quanto fala, vocês verão). Na véspera do Dia Internacional da Mulher, o De Primeira incorpora ao seu quadro de funcionários muito bem pagos e com todos os benefícios uma colunista/blogueira/cronista, ou qualquer outro termo usado para descrever os jornalistas que ganham um pedaço virtual para preencher com seus quase nunca brilhantes pensamentos. Sim, um espécime legítimo do sexo feminino para falar sobre futebol!
Sendo uma mulher feminista (acreditem, o termo não é redundante), levantei a sobrancelha ao descobrir que o convite foi motivado, além de outras razões muito dignas, à minha falta de um pênis. Sendo fã de futebol, fui incapaz de recusar.
Afinal, há anos nutro a frustração por ter que ficar sentada assistindo meus amigos com-pênis jogarem bola. Ou, pior, tendo que jogar vôlei com as sem-pênis, sentindo o ardor atacar gradativamente meus ante-braços até que a vermelhidão nos membros posteriores começassem a debochar da minha condição infeliz.
Infeliz, mas esperançosa. Desde os tempos de colégio, no século passado, guardo minha chuteira de futebol society. Lembro da última vez em que saí de casa com ela. Estava na pequena cidade de Edson, um aglomerado de sete mil habitantes na parte oeste do Canadá, o país onde o futebol tem paredes e a bola só sai quando bate no teto. Mas onde as mulheres são maioria nos times amadores.
Velha demais para competir, eu ainda assim era a arma secreta do time quando as sortudas com menos de 18 anos competiam fora de casa. Sentada no banco de reservas com a minha camisa da seleção brasileira, eu automaticamente atraía os olhares das adversárias e elevava o nível do time. “Sim, ela joga futebol no Brasil”, as jogadoras de Edson sussurravam pelos corredores, como se eu fosse capaz de levar na bagagem tudo o que nos tornou referência no assunto.
“Sim, ela joga futebol no Brasil”, as jogadoras de Edson sussurravam pelos corredores, como se eu fosse capaz de levar na bagagem tudo o que nos tornou referência no assunto.
“Jogava” era o tempo verbal mais preciso, já que, depois de terminar o intercâmbio, eu nunca mais voltei ao time de futsal feminino da faculdade de jornalismo. Futebol competitivo, e aquele chão de concreto, nunca foram a minha praia. Cheia de saudades do campão de areia do colégio, onde uma batalha épica entre a turma das amadoras e a turma que treinava no time oficial se enfrentaram na final do campeonato durante o recreio. Fomos até os pênaltis, atrasando a quarta aula de todo o terceiro colegial, mas o meu time levou a melhor e o troféu de plástico transparente. Mesmo cheio de novatas inscritas para juntar o número mínimo de jogadoras, obrigadas a preencher com raça a falta de jogadas ensaiadas milimetricamente nos treinos que a treinadora Paulinha dava às talentosas vice-campeãs.
Mais ou menos como o meu time do coração na quarta-feira à noite. O São Paulo geralmente se comporta com a eficiência das meninas que eu derrotei em 1999, mas anteontem foi na raça tardia que viramos o jogo contra o Audax. Na arquibancada azul, mais linda do que nunca com a chegada da torcida organizada que ficava na geral, mas ainda com as horríveis verrugas criadas pelos corneteiros de plantão, foi difícil absorver tantas emoções novas e contraditórias.
Ver o Hernanes errar 99% dos passes fazia brotar uma decepção que eu lutava para podar na raiz. Mais fácil era fazer isso depois de cada cruzamento frustrado do Jorge Wagner, porque o histórico dele é mais sólido na contagem de gols. O Richarlyson voltou a ser ignorado pela homofóbica Independente em seu reduto, a arquibancada laranja, mas na azul nós compensamos esse comportamento lamentável e gritamos o nome dele após a tradicional saudação aos titulares. Se Ricky não merecia pela performance em campo, tampouco Fábio Santos devia ser saudado, para manter a coerência.
Como sempre, o time mostra que é eficiente, mas que precisa ser tratado à base do choque. Às vezes penso que o São Paulo é prepotente demais quando pensa que pode curar o problema psicológico do Adriano, porque para mim a maior falha do time é justamente nessa área. Mas isso não interessou em nada ontem à noite, porque o Imperador mostrou que é sozinho que ele tem que dar o primeiro passo de volta ao trono. Para mim isso aconteceu ontem, e com o pé direito. Mas isso é história para o próximo post.
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Comentários:
Adoro futebol, não jogar que sou a maior-perna-de-pau-da-paróquia!! Mas assistir eu gosto! E são-paulina!
Quanto ao Adriano, ainda to meio pé atrás com ele... achei-o um tanto quanto arrogante em suas entrevistas...
ti corinthians alagoano.