Urubus
por Jones Rossi00h50

Entre os jogadores de futebol, os jornalistas são conhecidos como "urubus", aqueles que se alimentam da carniça, da má notícia. Um que sempre usou este apelido era Nem, líbero campeão brasileiro pelo Atlético em 2001.
Durante esta semana, o apelido se justificou mais que nunca. Em São Paulo, boa parte dos jornalistas, incluídos aí os que se consideram "éticos", tentaram enterrar a carreira de Adriano. Em seus blogs, posts como o São Paulo devia ficar "de olho" no comportamento do atacante, que chegou atrasado em um treino. (No dia seguinte, Borges também chegou atrasado e ninguém repetiu o discurso hipócrita, repleto de inveja pela organização são-paulina.)
A carga contra Adriano foi intensa. Houve jornalista sugerindo a Muricy colocar o atacante no banco. Na falta de notícia concreta, inventa-se uma. O expediente usado é criar crises a partir das próprias perguntas - ou afirmações - e distorcer tudo no jornal do dia seguinte. Assim, um atraso de Adriano se transformou no seu fim para o futebol. Ronaldo também já foi considerado acabado. No Brasil, tratamos muito mal nossos ídolos. Alguns jornalistas conseguem fazer ainda pior.
O futebol de Adriano é, por sorte, maior que o recalque de certos setores da imprensa magoados com o duradouro sucesso do São Paulo. Contra o Audax, o São Paulo não jogou bem. Saiu atrás, já no segundo tempo, gol do bom Villanueva, mas Adriano fez os dois gols que garantiram a vitória tricolor no Morumbi. Não calou a boca dos críticos, mas os urubus agora terão que procurar carniça em outro lugar.
Renato Gaúcho = Telê?

Uma solitária falta. Este foi o saldo do Fluminense em todo o primeiro tempo da partida de Libertadores, no Maracanã, contra o argentino Arsenal, campeão sul-americano. Com gols de Cícero, Dodô (dois), Tiago Neves, Washington e Gabriel, o Flu fez 6 a 0 de forma arrasadora.
Já escrevi antes sobre o potencial deste timaço do Fluminense. Graças, principalmente, ao técnico Renight Gaúcho, rei da noite carioca e agora candidato a melhor técnico do Brasil. Sua entrevista ontem após o jogo foi primorosa. "Jogador que entra em campo só para fazer falta, para mim, não é jogador, é peladeiro", disse. "Falta é o último recurso, só faz quem está fora de forma, não sabe jogar ou está mal posicionado." Lembra muito Telê, criador de máquinas de jogar futebol.
Parece que finalmente temos uma nova e boa geração de treinadores, mais preocupados em jogar (não usemos a expressão cretina "dar espetáculo") e vencer, do que retrancar e ver o que dá. Adilson Batista, Dorival Jr., Ney Franco e Renato (um nível acima) estão entre estes. Mano Menezes é só mais um retranqueiro.
Outros resultados
Danubio 1 x 2 Estudiantes
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Libertadores
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