Trem bão
por Equipe De Primeira13h38

Por Juarez Villela Filho*
Fui ver Paraná Clube x Trem pela exótica Copa do Brasil. Ver jogo na simpática Vila Capanema, quando não nos confinam num cantinho que mal dá pra ver o outro gol e custa caro, é uma alegria e lá me fui na agradável noite de quarta-feira em companhia de mau grande amigo Mecha.
Não é sacanagem, adentrando ao remodelado Durival de Brito o bom sistema de som (melhor que o da Kyocera Arena, podem ter certeza) tocava “I Just Called To Say I Love You”, do olheiro coxa branca Steve Wonder. Riso contido, fomos às lanchonetes da reta, localizadas perto do relógio. Aliás, se existe um grande pecado na nova Vila é terem demolido a Oca que tinha o melhor pão com bife do sul do mundo. Lá, era bife com pão na verdade, pois a carne se dobrava sobre o pão d´água, numa época em que o francesinho era démodé.
No aquecimento o goleiro do Trem teve a manha de levar um gol de fora da área, suscitando os primeiros apupos paranistas. Com o time do norte entrando atrasado, fomos às execuções dos hinos e, assim como eu, boa parte da torcida tricolor criticava a extrema falta de educação da organizada paranista em fazer questão de cantar justo naquele momento, por saber que os demais estarão todos quietos e concentrados. Pensei que só faziam isso nos clássicos, sabendo que é seu único momento de glória, mas a má educação parece ser de berço.
Amendoim torrado, (o com casca bom, nota 9 o sem casca meio mofado, nota 6) cervejas e sai o primeiro gol, num pênalti infantil cometido pelo beque nortista. Chute forte, seco e 1 X 0. Logo depois começaram os apupos ao avante Massaro, cujo homônimo fez sucesso no Milan do começo da década passada. Aliás, ele e o “mito” Joelson são um capitulo a parte, eles tem com a torcida paranista um relacionamento de amor X ódio que me lembra o que passaram Kléber, o Incendiário, e mais recentemente Dênis Marques com a nação atleticana. Joelson recebia mais apoio, enquanto Massaro sofria (e fazia o torcedor sofrer com sua falta de intimidade com a pelota).
Após os 20', o jogo ficou meio monótono e com estarrecimento vi que o bom e eficiente Beto já não existe mais. O time amapense foi se empolgando e seu camisa 8 mostrou saber das coisas na meiuca. Me levantei, saquei um cortador de unha preso ao meu chaveiro e comecei o trabalho árduo, mas que em algum momento deveria fazê-lo. Fim de primeira etapa, umas cervejinhas a mais, mas que não foram suficientes para me encorajar a deglutir um pão com calabresa, fartamente vendido por ali.
Veio o 2º tempo, o Trem com camisas brancas (que ouvi dizer haviam esquecido no hotel) e logo o Paraná faz o terceiro. Bona faz substituições e testes, o time toca a bola já com a classificação garantida devido a goleada, ao adversário estar com um a menos (expulsão no final no 1º tempo) e o natural cansaço de quem viajou muitas horas, mas não se via desânimo no Trem. E mesmo assim a torcida reclamava, apupava e xingava o autor de um ou outro passe errado. Não reclamo mais dos xaropes da GV inferior, ali pelo 108 e 109, vocês são tifosi, são barra bravas incentivadores natos se comparados a turma do amendoim tricolor.
Massaro vinha sendo massacrado e falei para meu amigo que ele faria gol, assim como o predestinado Pedro Oldoni gosta de fazer e calar os críticos. Quando o cruzamento veio da direita eu disse “e vai ser agora”, quando o 9 dominou cortando o beque e fuzilou o goleiro, vindo pra galera e comemorando com raiva.
“Não disse?”, vendo o sorriso no rosto dos pouco mais de 4.500 torcedores que saíram felizes com a classificação do simpático e folclórico Durival de Brito e Silva, onde estou invicto, quer seja vendo o Atlético, ou as vezes em que fui prestigiar o Paraná Clube.
*Juarez Villela Filho é colunista do Furacão.com
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