O que devemos a Ronaldo
por Ricardo Sabbag18h58
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Todas as últimas notícias que dizem respeito a Ronaldo provocam no espectador médio uma reação de cunho moral. Ele está gordo, está bichado, gosta de noitada, é mulherengo. Não se pode culpar a sabedoria popular por isso. Há muito tempo Ronaldo não corresponde em campo o frisson causado pelo seu nome.
Ronaldo é hoje personagem médio do mundo das celebridades futebolísticas. Estava longe do grande craque que foi, jogava pouco, envelheceu. Em seu lugar surgiram Kaká, Robinho, Cristiano Ronaldo. Outra geração que pode ostentar o papel do herói dentro das quatro linhas.
Ronaldo não é o único responsável por esse descrédito com a sua figura, mas tem culpa no cartório, sim. O brasileiro, por exemplo, poderia ser eternamente grato a ele por ter nos dado de presente a Copa de 2002. Mas o desleixo com que se apresentou fisicamente em 2006 lhe apenou com uma mancha no currículo. A sensação de que uma das gerações mais brilhantes do futebol brasileiro passou batida por pura irresponsabilidade dos jogadores, tendo Ronaldo como seu símbolo.
É fácil criticar Ronaldo pelo pouco que ele fez em campo nos últimos anos. Mas é preciso também relembrar qual sua verdadeira importância para o futebol nacional.
Ronaldo resgatou a alegria em se assistir o futebol da seleção. Mesmo que tenhamos tido Romário, Ronaldo foi um atacante menos pragmático. Suas arrancadas, dribles e arremates encheram mais nossos olhos do que qualquer outro jogador nos últimos dez ou 15 anos.
Ronaldo também foi o ícone do futebol brasileiro "joga bonito". Sua partida para a Europa coincidiu com a popularização da TV por assinatura, com a facilidade em acompanharmos os campeonatos estrangeiros. Alguém lembra dos jogos de Romário pelo PSV ou pelo Barça? De Ronaldo nós lembramos bem vestindo a 9 azul-grená.
Sua imagem serviu para o alavancamento do futebol brasileiro, para a recriação da figura do futebol brasileiro como forma de arte. Afinal, o que tínhamos na memória eram as seleções de 86, 90 e 94. Ronaldo foi o símbolo da esperança de que um dia novamente nós teríamos não quem sabe um novo Pelé, mas jogadores ousados e bons, que conseguiriam passar por cima de argentinos, italianos e alemães.
E Ronaldo ainda superou uma contusão seríssima, voltando para dar ao Brasil o pentacampeonato. Pelé ganhou duas copas para o Brasil. Garrincha ganhou outra, Romário outra e Ronaldo outra. Sim, sim, as seleções eram fortes e os coadjuvantes do melhor tipo. Mas tivemos nossos heróis, e Ronaldo foi um deles - um dos poucos.
A sua forma de comemorar o gol, explorada neste vídeo da Nike, mudou depois de 2002. Antes era o aviãozinho. A partir de 2002 foi o dedo apontado para cima. Um gesto que, não por menos, significa algo como "eu te disse". Ele disse que conseguiria e conseguiu.
Então me parece claro que devemos muito a Ronaldo. Mas não podemos, por isso, ignorar que Ronaldo mudou. Sua época passou. É possível que ele volte a jogar? Claro que sim. Nunca será como antes. Mas ainda será Ronaldo. E nós devemos isso a ele.
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Comentários, Trackbacks:
Pior que eu era fã do rodolfo rodrigues desde os tempos de Portuguesa...
o FENOMENO...
sempre sera lembrado por tudo que fez sua
gloriosa carreira..
e quem deu a pseudo copa de 2002, a pior q um dia ja existiu disparada, foi Rivaldo, por favor....
salu ao dono do blog!
Ele tem a vida dele e eu tenho a minha...
Nem o fato dele ter feito "maravilhas" na copa não me torna devedor dele.
Onde já se fiu "O que devemos a Ronaldo".
Para com isso, veja a realidade
