A imprensa a serviço da ignorância
por Jones Rossi13h30
Talvez seja a explosão dos estagiários nas redações, a má formação escolar e universitária ou simplesmente burrice, preguiça e falta de informação, mas o jornalismo esportivo brasileiro nunca foi tão indigente. Para tirar a prova basta comprar o Lance!, assistir qualquer programa esportivo ou abrir os grandes portais da internet: o jornalismo esportivo acabou.
A tônica agora são matérias engraçadinhas ou simplesmente bobas, como esta. A opinião idiota de um jogador do Flamengo vira notícia com chamada na capa. Se não bastasse por isso, a notícia é totalmente irrelevante, não se sustenta. O GloboEsporte.com, que tem iniciativas legais como o blog Bola nas Costas e o Futebol 2.0, que analisa as principais jogadas da rodada, é cheio dessas notas inúteis. Entrem lá agora e comprovem. Outros portais não ficam atrás. O IG está entre eles, principalmente por usar material de terceiros.
O Lance! é um caso emblemático pela postura adotada em favor da moralização do futebol. Mas se o Lance! servisse de exemplo pro futebol brasileiro, todos os clubes teriam jogadores dos juvenis na equipe principal, e não receberiam o dinheiro devido a não ser que fossem na justiça. A ótima proposta de um jornal de esportes caiu por terra na feitura do diário. Não se vêem reportagens no jornal. É tão mal escrito que chega a ser hilário. Outro dia li que "coincidentemente" Perea estreou no mesmo jogo que Roger, no Grêmio. Fico imaginando como alguém pode estrear "por coincidência". Só no Lance!...
O Lance! não tem o monopólio do fim do investimento em reportagens. Não se vê mais, com exceção da Folha de S. Paulo, tão criticada pelo excesso de números em suas páginas esportivas mas sem dúvida o melhor caderno de esportes do País, grandes reportagens sobre futebol. Foi preciso o inglês Alex Bellos vir ao Brasil para desencavar boas histórias sobre o futebol brasileiro.
Impera também o jornalismo declaratório. Técnico Fulano diz qualquer merda e lá vão os repórteres repercutir com o técnico Beltrano, criando uma crise artificial e retro-alimentando manchetes vazias. Esta prática se espalhou de forma rápida. Agora qualquer frase de qualquer jogador vira notícia. Jornalismo também significa não dar notícias, principalmente quando elas não se encaixam nos requisitos básicos do que se pressupõe ser uma notícia: novidade, relevância, ineditismo e interesse público.
As críticas que fiz acima servem também para os leitores, que estão cada vez mais passivos em relação ao que é noticiado. Só reclamam quando acham que seu time foi ofendido ou algo que o valha. Virou moda leitor exigir que seu time seja adulado o tempo todo e ficar nervosinho quando isso não acontece. Jornalista, tirando a banda podre, não deveria adular ninguém, nem aceitar tudo que jogadores, técnicos e dirigentes dizem.
Por causa do mau jornalismo que hoje domina portais, TVs e jornais (é só ver como o Corinthians e Flamengo são tratados sempre com base nos critérios de vendagem e audiência, quase nunca jornalísticos) criou-se uma falsa idéia de como a imprensa deve se portar em relação aos clubes: condescendente. E também pela péssima qualidade dos jornalistas, que criticam clubes e técnicos (Leão é realmente perseguido pela imprensa por ser turrão) baseados em rixas pessoais e geralmente o fazem baseados em fatos vazios, que não se sustentariam em outras editorias como Economia, Política ou Cidades.
Em breve iniciarei aqui no De Primeira uma série de entrevistas com os principais jornalistas esportivos do País e com os diretores de redação dos principais veículos. Vocês podem dar sugestões de entrevistados nos comentários. E também dizer o que acham do jornalismo esportivo brasileiro, além de colocar links de matérias que não merecem assim ser chamadas.
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Atalho pra o formulário
Comentários:
A primeira vez que lembro do uso do verbo repercutir como transitivo direto em programas esportivo foi na ESPN BRASIL, usado como verbo transitivo direto o verbo repercutir tem o sentido de desviar a direção, refletir.
Não vai como crítica, mas para discussão.
http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3d42356%26Editoria%3d236%26Op2%3d1%26Op3%3d0%26pid%3d1%26fnt%3dfntnl&rss=on
Do que os leitores gostam
Marcelo Russio (*)
Olá, amigos. O filme "Do que as mulheres gostam", com Mel Gibson, é daqueles que não acrescentam muito à vida de ninguém, mas põe uma pequena pulga atrás da orelha de quem o vê. Essa pulga, como todas as outras, incomoda permanentemente, martelando o seguinte pensamento: "Como eu me sentiria se eu soubesse o que se passa na cabeça de outra pessoa?". Pois é... confesso que esse mesmo sentimento vem, cada vez mais, preenchendo a cabeça de quem trabalha com jornalismo online, especialmente o esportivo, e mais especialmente ainda, no Brasil.
A medição online de audiência de cada notícia que se põe no ar é tão hipnotizadora quanto o monitor do Ibope para as emissoras de TV. Através dela, podemos saber em minutos se uma nota caiu ou não no gosto do leitor e, a partir daí, traçar um perfil de como planejar o dia em termos de destaque e cobertura dos assuntos, já que nunca há braço suficiente em uma redação para cobrir tudo o que se deseja.
Em uma semana em que temos uma seletiva de vela, que reúne medalhistas olímpicos, alguns deles lendas, como Robert Scheidt, e a despedida de Guga, na Costa do Sauípe, a notícia que mais chama a atenção dos leitores é a repercussão dada pela nadadora Joanna Maranhão de que fora molestada por seu treinador quando era criança. Essa e a que conta que um jogador de hóquei no gelo teve a carótida rasgada por um patim de um adversário em uma partida da NHL, nos EUA.
Por essa pequena amostra, vemos que os leitores gostam de duas coisas, a grosso modo: futebol e tragédias. Mas uma rápida olhada nas capas de alguns sites esportivos nos mostra que as gêmeas do nado sincronizado estão em quase todas elas, falando absolutamente nada, apenas posando para fotos do seu patrocinador. Incluamos, portanto, mulher bonita na lista do que mais atrai os leitores.
Portanto, respeitando a regra de que, quando se fala em esporte no Brasil, é imperativo separar o futebol das demais modalidades, e sabendo que qualquer notícia sobre um time do interior do País dá mais audiência que uma nota, por exemplo, sobre Robert Scheidt, desde que não seja sobre a conquista de uma medalha olímpica ou um recorde quebrado, temos um perfil um pouco mais específico: futebol, tragédias e mulher bonita vendem, e muito.
Escândalos, como um vídeo erótico amador que seria protagonizado pelo atacante Vágner Love e uma atriz pornô, e especulações sobre as novas contratações de times de futebol de massa também fazem parte desta lista de preferências máximas dos leitores de esporte do Brasil. E fechando a lista, claro, resultados de jogos de futebol.
Como planejar um dia, portanto, que não tenha tragédias, escândalos, mulheres bonitas, especulações e resultados de jogos de futebol de times de massa? Temos que apelar para a sempre querida Fórmula 1 e para o futebol internacional, de Kaká e Robinho, que nunca nos deixam na mão. Claro que é raro ter um dia em que NADA dos itens citados acima acontece. Pelo menos dois ou três sempre aparecem, e fazem a alegria dos analistas de planilhas. Mas, jornalisticamente, vem sendo um drama cada vez maior conseguir decifrar se o teor de uma nota agradará ou não aos internautas, e se o destaque dado a ela irá ao encontro do interesse de quem acessa os sites esportivos.
Bem que o Mel Gibson poderia dar uma consultoria para as redações...
(*) Jornalista esportivo, trabalha com internet desde 1995, quando participou da fundação de alguns dos primeiros sites esportivos do Brasil, criando a cobertura ao vivo online de jogos de futebol. Foi fundador e chegou a editor-chefe do Lancenet e editor-assistente de esportes da Globo.com.
saudações
para começar, estão virando um tipo de atendentes de telemarketing, passam 1/3 do espetáculo lendo mensagens da internet, que não me servem de nada na transmissão e que tampouco estou interessado em saber a opinião dos espectadores e/ou ouvintes.
outra coisa é ter que ouvir um famoso narrador da band dizer que o zagueiro vai cobrar o impedimento em seu campo de defesa ou que o meia fez um lançamento para a frente ou que o goleiro de um time jogou a bola pela linha de fundo, provocando escanteio para o time adeversário.
fora as homenagens que os idiotas fazem a jogadores malandros que retardam o andamento do jogo ou batem com a mão no rosto do adversário sem que o árbitro dê falta.
está um lixo, só resta a tecla mute.