TODO PODER AO PROFESSOR
por Luís Augusto Símon20h56
O culto à autoridade é uma coisa atávica, impregnada nas pessoas. Um civil sente-se constrangido em tratar um militar de você. Advogados são chamados de doutor. São muitos exemplos. Já há jornalistas chamando técnico de futebol de professor.
Já repararam como grande parte dos jornalistas é irônica com o jogador e subserviente a árbitros e treinadores? O jogador que erra um passe, que dá uma furada, que perde um gol feito é ridicularizado em transmissões de rádio e tevê. O chute foi parar lá em Quixeramobim; um profissional não erra um chute como esse, a cigana te enganou (do genial Osmar Santos) e tantas outras.....
Na redação, as notas muitas vezes buscam humilhar. 0,25, 050 e atuações que ridicularizam o atleta. Eu já fiz isso. Hoje, não faço mais.
Esse culto à autoridade juntou-se à uma postura politicamente correta, que resultou em dois chavões ditos e repetidos a cada domingo.
O primeiro refere-se aos árbitros.
"É uma covardia criticar o juiz porque ele tem só dois olhos e a televisão tem 368 câmeras". E daí? O cara não é juiz? Não escolheu essa profissão? E não pode ser criticado?
Agora, dizem que um clube não pode vetar um árbitro. Qual é o motivo? Não gostou, veta. A Federação que respalde ou não o árbitro.
Aí, dizem que, se todo mundo vetar, vai faltar juiz. Ora, se a Federação aceitar o veto, que contrate outros juízes.
Outro argumento diz que é preciso colaborar com a arbitragem. Essa é uma grande bobagem. Jornalista tem de ser honesto e escrever o que pensa. Falar o que pensa.
O segundo refere-se aos técnicos.
De um tempo para cá, virou sinônimo de modernidade defender técnico. O time perde cinco seguidas e, se o diretor o demite, é chamado de ultrapassado. É preciso dar tempo para o técnico. Como se médico, jornalista, professor (de verdade), prostituta tivessem tanto tempo assim para se acertar.
Diziam que na Europa o treinador nunca cai. Mentira. O Capello ganhou no Real e lhe deram bilhete azul.
Está na hora de jornalistas dedicaram a árbitros e treinadores a mesma arrogância com que tratam jogadores. Ou então, serem complacentes com os atletas como são com os penduricalhos do espetáculo. Juiz e treinador.
E, podem me chamar de dinossauro, mas piercing no umbigo não dá.
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Comentários:
“Está na hora de jornalistas dedicaram a árbitros e treinadores a mesma arrogância com que tratam jogadores.”
Está na hora de jornalista ser coerente.