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Jan 20

A Copa do continente negro

por Leonardo Mendes Jr.02h07

Se você gosta de ver craques como Drogba, Eto'o, Essien, Diouf e Obi Mikel em ação, esqueça pelas próximas semanas as principais ligas européias. De hoje até o dia 10 de fevereiro, os maiores craques da África estarão em Gana, defendendo seus países, na Copa Africana de Nações. O torneio subverte a ordem imposta pela Fifa, de fazer torneios continentais mais espaçados e no período de férias na Europa.

O continente negro reúne seus craques bienalmente e sempre em janeiro, bem no meio da temporada européia, para a fúria dos grandes clubes do planeta, mas para a inveja de quem gostaria de ver a Copa do Mundo com os atletas no auge, e não no bagaço do fim de temporada.

O De Primeira preparou um guia especial para você acompanhar a competição, que conta com 16 seleções - a anfitrião Gana, o atual campeão Egito e mais 14 times qualificados nas eliminatórias - divididas em quatro quadrangulares. Os dois melhores de cada chave se classificam e a partir daí teremos duelos eliminatórias até que se conheça o campeão.

GRUPO A

Gana


Carrega o peso e a vantagem de jogar em casa, algo significativo na Copa Africana de Nações. Em 25 edições do torneio, 11 foram vencidas pelo anfitrião (44%). Como comparativo, em 6 das 18 (33,3%) Copas do Mundo o título ficou no país-sede. Na Eurocopa, apenas 3 em 12 (25%). Além disso, dois dos três títulos continentais dos Estrelas Negras foram em seus domínios.
A confirmação dessas estatísticas, porém, parece improvável. Tudo porque o capitão do time, Appiah, está machucado e não irá jogar o torneio. Em 2006, no Egito, um lesão tirou Michael Essien (foto), jogador de igual importância para a equipe, e Gana caiu na primeira fase.
Sem o capitão, a responsabilidade do meio-campista do Chelsea fica redobrada. Também a de Muntari e Asamoah Gyan. Muntari é o principal jogador do Portsmouth – e chega em grande fase à CAN – e Gyan perdeu espaço na Udinese, sensação do Calcio, para os italianos Di Natale e Quagliarella.
Palpite DP: Passa de fase fácil, mas a ausência de Appiah faz o time cair na semifinal.

Guiné


A Sily Nationale é uma das novas forças da África. O time terceiro colocado no grupo de Tunísia e Marrocos nas eliminatórias para a Copa do Mundo da Alemanha mostrou amadurecimento no classificatório para o torneio continental, ficando à frente da Argélia.
A principal força do time está no meio para frente. O jovem atacante Bangoura, do Dinamo de Kiev, balançou a rede de Roma e Manchester United na Liga dos Campeões. Na seleção, a bola chega aos seus pés graças aos passes de Fode Mansare, do Toulouse, e especialmente de Pascal Feindouno (foto).
O parceiro de Ilan no St. Ettiene tem um retrospecto empolgante na CAN. Nos últimos oito jogos que fez do torneio, marcou seis gols. Média que impõe respeito, mas que também mostra o grau de dependência que o time tem do seu futebol.
Palpite DP: Será a surpresa do grupo. Tira ponto de Gana, elimina Marrocos, mas cai nas quartas-de-final.

Marrocos

Os marroquinos ainda tentam se remontar após os retumbantes fracassos acumulados em 2005 e 2006. Primeiro, perderam para a Tunísia a chance de disputar a Copa do Mundo da Alemanha. Depois, caíram na primeira fase da última Copa Africana de Nações, no Egito, sem conseguir marcar gol nem na frágil Líbia. A pressão é tamanha que nem a vaga para a CAN-2008 segurou o emprego de Mohammed Fakhir.
A solução foi chamar Henri Michel, técnico dos Leões do Atlas na Copa de 98, quando a equipe deixou de avançar às oitavas-de-final graças à preguiçosa derrota do Brasil para a Noruega. Da França também vêm os dois principais jogadores de Marrocos: Youssef Hadji, do Nancy, e Mohamed Chamakh, do Bordeaux. Faltou apenas o atacante Boussoufa, do Anderlecht, machucado.
O time atual tem a mesma base vice-campeã em 2004 e a confiança construída pela vitória sobre Senegal (2 a 0) e o empate com a França (2 a 2).
Palpite DP: Mais uma vez vai embora mais cedo.

Namíbia

Apenas três jogadores da Namíbia jogam fora da África. Esse dado mostra o qual inicipiente é o futebol no país. E dá uma bela noção do que os Bravos Guerreiros podem fazer em Gana: quase nada.
Os poucos destaques individuais são o meio-campista Collin Benjamin, reserva no Hamburgo, e o meia-avançado Quentin Jacobs, que atua na Noruega. Pouco para tirar do velocista Frankie Frederiks a condição de maior atleta da Namíbia.
Palpite DP: Volta para a casa com a velocidade do bom e velho Frederiks.

GRUPO B

Nigéria

A maioria do público brasileiro tem como referência do futebol nigeriano jogadores como Okocha, Amunike, Kanu, Finidi e West, que ajudaram a afundar a seleção de Zagallo na Olimpíada de 96 e deram trabalho nas Copas de 94 e 98. Nwanko Kanu ainda continua lá, agora com a faixa de capitão no braço, como o último vestígio de uma geração que talvez os Super Águias jamais tenham igual.
O time atual tem excelentes jogadores, é verdade. Caso de Obi Mikel, do Chelsea, Oba-Oba Martins, do Newcastle, ou Yakubu Ayegbeni, o goleador do Everton. Bastaria em um grupo mais tranqüilo, mas a presença dos fortíssimos times da Costa do Marfim e de Mali deixa um forte cheiro de fracasso no ar para os nigerianos.
Palpite DP: Será a grande decepção da Can-2008. Cai na primeira fase.

Costa do Marfim


Mais uma vez a sorte virou as costas para os Elefantes. Candidatos a sensação na Copa da Alemanha, eles viram suas chances no Mundial reduzidas a pó quando o sorteio os colocou ao lado de Argentina, Holanda e Sérvia. O time deixou ótima impressão, mas voltou para casa mais cedo.
Na CAN-2008, novamente a equipe cai em uma chave duríssima, ao lado de Nigéria e Mali. Dependerá demais da condição física e da boa vontade de Drogba (foto), que está voltando de contusão e já disse que preferia que o torneio fosse no meio do ano, para que ele não precisasse abandonar o Chelsea. Dindane, Eboue, Kolo e Yaya Toure e Zokora são outros expoentes de uma equipe que foge dos padrões africanos ao ter ao mesmo tempo bons jogadores na defesa, no meio-de-campo e no ataque.
Palpite DP: Drogba vai arrebentar e os Elefantes, apoiados pela fanática torcida que terá de viajar pouco para acompanhar o time em Gana, levantam a taça.

Mali


A CAN-2008 parece ser a oportunidade perfeita para Mali conseguir resultados concretos com uma geração brilhante, que jamais teve na história do seu futebol. O meio-de-campo é um dos melhores do continente, com Sissoko, do Liverpool, Keita, do Sevilla, e Diarra, do Real Madrid. No ataque, o apetite de gol de Fred Kanouté (foto), do Sevilla.
Ir bem em Gana é questão de honra para as Águias, que acumulam dois fracassos recentes. Foram eliminados ainda na fase classificatória da Copa da Alemanha – por Togo, por um gol – e da CAN do Egito.
Palpite DP: Kanouté carrega o time malês às quartas-de-final. E só.

Benin

Os simpáticos Esquilos aprontaram uma das grandes surpresas das eliminatórias da Copa Africana, ao golear Togo por 4 a 1 e deixar Adebayor e seus amigos em um humilhante terceiro lugar num grupo de quatro equipes. O título do grupo, porém, ficou com Mali, e Benin entrou como um dos melhores segundos colocados ao superar Uganda no saldo de gols.
A participação de Benin na CAN está mais para o time que precisa contar gols para superar Uganda do que para quem enfia quatro em Togo. Poucos jogadores descobriram o caminho das grandes ligas européias, já decorado há anos pelos vizinhos mais desenvolvidos. Prova disso é que o melhor jogador do time, Muri Ogunbiyi, joga no Etoile du Sahel, da Tunísia. Como curiosidade, Benin veio fazer parte da sua preparação no Brasil.
Palpite DP: Os simpáticos esquilos vão embora, mas sua performance será decisiva para eliminar a Nigéria.

GRUPO C

Egito


A seleção egípcia representa um mistério digno dos farós que reinaram por lá na Antigüidade. Nenhuma outra seleção disputou ou venceu tantas vezes a CAN como a do Egito. São 21 participações e 5 títulos – três em casa, é verdade. Dados impressionantes para um país que raramente vai à Copa do Mundo e exporta poucos jogadores para a Europa.
O segredo dos Faraós – ao menos no futebol – está no conjunto e na organização tática. Fórmula de certa forma enfraquecida nesta edição. Em nome da classificação para a Copa de 2010, o Egito se renovou. Barakat, Saqqa e Abdelwahab – este, morto de ataque cardíaco no meio de 2006 –, destaques do título conquistado em casa há dois anos, não estão mais na equipe. Restaram da “velha guarda” Ahmed Hassan, Aboutrika e Al Hadary, que terão 30 anos ou mais em 2010. Cabe a eles a missão de liderar o jovem time na CAN em Gana e nas eliminatórias para o Mundial da África do Sul.
Entre os mais novos, destaque para Mohammed Zidan (foto), do Hamburgo. Pena que o atacante Mido, do Middlesbrough, machucado, não poderá disputar o continental.
Palpite DP: A camisa pesa e os faraós vão até a semifinal.

Camarões


A seleção de Camarões perdeu a supremacia continental construída nos anos 90, quando virou sinônimo de (bom) futebol na África. Em Mundiais, o time caiu na primeira fase em 2002 e nem foi à Alemanha-2006. Nas duas últimas disputas continentais caiu nas quartas-de-final.
Um desempenho decepcionante para quem teve nas quatro ocasiões um dos maiores atacantes do mundo, Samuel Eto’o (foto). Recentemente recuperado de lesão, aquele que é pior que o Obina voltou ao Barcelona fazendo gols e usará a CAN para entrar em forma para a reta final da temporada européia.
Palpite DP: Passa em primeiro no grupo, mas tomba nas quartas-de-final – de novo.

Zâmbia

A tragédia sempre esteve à espreita do futebol de Zâmbia. Em 1993, 18 jogadores do time mais forte que o país já produziu morreram em um desastre aéreo. A tragédia custou a iminente classificação para a Copa dos Estados Unidos, mas uniu o reformulado time vice-campeão continental no mesmo ano do Mundial americano.
No caminho para a CAN-2008, novas tragédias. Como se já não bastassem os conflitos internos no país, um tumulto resultou na morte de 12 torcedores na partida contra o Congo, nas eliminatórias para a CAN, e o atacante Chanswe Nsofa morreu vítima de um ataque cardíaco durante o treino do seu time, em Israel.
O destaque individual da equipe é o atacante Christopher Katongo, no Brondby, da Noruega.
Palpite DP: Dessa vez as tragédias não serão suficientes para provocar um novo milagre dos Chipolopolos. Zâmbia dança na primeira fase.

Sudão

A seleção sudanesa está intimamente ligada à história da Copa da África. Cartum, capital do país, foi a primeira sede da Confederação Africana de Futebol. Também foi lá a primeira edição da CAN, vencida pelo Egito, em 1957. Honrarias justificadas pela força do futebol do Sudão na época, confirmada pelo título na edição de 1970, jogando em casa.
O estágio atual dos Crocodilos do Nilo não é nem sombra do passado glorioso. O momento é de retomada. Esta será a primeira vez em 32 anos que o país chega à fase final da CAN. A seleção tem uma composição curiosa. Quase todos seus jogadores jogam no Al Hilal – semifinalista da Liga dos Campeões da África – ou no Al Merreikh, os dois principais clubes do país. O principal destaque individual Haitham Mustafa, melhor jogador do Al Hilal na surpreendente campanha continental.
Palpite DP: Derrotar Zâmbia será o único feito dos Crocodilos antes de eles tomarem novamente o caminho do Rio Nilo.

GRUPO D

Tunísia

As Águias do Cártago chegam a Gana com medo de repetir o fracasso retumbante de 2002, quando caíram logo na primeira fase. A derrota para Zâmbia, em amistoso preparatória, aumentou esse temor e azedou de vez a relação entre os torcedores e o técnico Roger Lemerre. A substituição de peças-chave do time campeão em 2004, como Trabelsi e Bouazizi, não foi à altura. Namouchi e Ali Zitouni, machucados, estão fora. As esperanças de uma boa campanha recaem exclusivamente sobre os atacantes Francileudo dos Santos, brasileiro de nascimento, e Chermiti. Pouco para uma das forças do continente.
Palpite DP: Repete a sua última participação em uma CAN no Oeste da África e cai fora na primeira fase.

Senegal


A mais brilhante geração de jogadores de Senegal tem talvez a última chance de dar ao país o primeiro título continental. Sob o comando de craques como Hadji El Diouf (foto), Henri Camara e Papa Bouba Diop, os Taranga Lions foram às quartas de final na Copa do Japão e da Coréia, e chegaram a uma final (2002), uma semifinal (2006) e uma quarta-de-final (2004) dentro do continente negro.
Entre os mais jovens, atenção para o meia Bayal Sall, do St. Ettiene, e o zagueiro Ibrahima Sonko, do Reading.
Palpite DP: Será um despedida quase perfeita da geração de Diouf, Camara e Diop. Eles passam em segundo no grupo, crescem no mata-mata, vão à final, mas perdem para a Costa do Marfim.

África do Sul

Carlos Alberto Parreira já avisou que o foco do seu trabalho está na Copa de 2010. Por isso é bom não esperar grandes resultados dos Bafana Bafana. Em nome da renovação, Parreira abriu mão de atletas experientes, como Benni McCarthy. A prioridade foi dada a jogadores com menos de 30 anos, que estejam no auge daqui dois anos e meio.
Um dos “velhinhos” do time é o zagueiro e capitão Aaron Mokoena, de 27 anos, do Blackburn. No meio, o destaque é Pienaar, do Everton, enquanto no ataque, Sibusiso Zuma, do Arminia Bielefeld, terá a responsabilidade de substituir McCarthy. Coincidentemente, ele é um dos poucos trintões do time: tem 32 anos.
Palpite DP: Campanha irreparável na primeira fase, mas eliminação nas quartas, perante o acertado time egípcio.

Angola


Os Palancas Negras levam a Gana basicamente o mesmo time que disputou a Copa do Mundo de 2006. As principais ausências estão curiosamente nos extremos etários: o artilheiro veterano Akwa e o jovem meia-atacante Mantorras. A esperança de gols é o atacante Flávio e o craque é Manucho (foto), que recentemente assinou contrato com o Manchester United. Além dele, os angolanos levam a campo sua coleção de nomes exóticos: Lama, Jamba, Loco, Zé Kalanga e Love Kabwngula.
Palpite DP: Os simpáticos antílopes, infelizmente, terão de esperar até 2010, quando vão abrigar a CAN, para avançar ao mata-mata pela primeira vez na história.

Não confunda
Alguns sobrenomes são muito comuns na África, como Silva ou Souza aqui no Brasil. Por isso, fique atento para não vibrar com o Toure ou o Camara errado, nem achar que existem irmãos jogando por países diferentes ou no mesmo time.

Kolo Toure – zagueiro marfinense do Arsenal.
Yaya Youre – volante marfinense do Barcelona.
Bassala Toure – experiente atacante malês que atua no Levadiakos, da Grécia.

Dramane Traore – atacante malês do Lokomotiv Moscou.
Samy Traore – zagueiro malês do Auxerre.
Hai Traore – meia de Benin que joga nos Panteras de Benin.

Henri Camara – atacante senegales do West Ham, destaque do seu país na Copa de 2002
Ibrahima Camara – zagueiro de Guiné que defende o Troyes-FRA
Alseny Camara – meia do Rhodes, da França, e da seleção de Guiné
Kemoko Camara – goleiro de Guiné que joga no Morton, da Escócia.

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2 comentários
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Comentários:


Comentário de: Amílcar Tavares · http://seleccao.vozdipovo-online.com/

O salto mortal na foto do Man. Utd. é do Nani que nasceu em Cabo Verde e joga na selecção portuguesa. A informação sobre o Manucho está correcta mas a foto é que não.

Sobre a CAN, é o mais colorido, mais festivo e mais alegre competição do planeta!!

É imprevisível adivinhar o vencedor. Há pelo menos 8 (!!!) candidatos.

De positivo, noto o nível táctico que as selecções apresentam. É impressionante a aprendizagem dos jogadores dessa componente do jogo. Um bom prenuncio para a Copa de 2010 e uma alerta para o "status quo" do futebol mundial. O futebol africano está cada vez menos ingénuo.

De negativo, o mesmo nível táctico que acaba por abafar a técnica, que delicia os fãs, diminuindo o espectáculo. Esta cada vez mais europeu o futebol africano.

PermalinkPermalink 22.01.08 @ 11:44



Comentário de: João

Depois de torcer pela seleção brasileira em 2010, torcerei por algum africano.
Eles merecem ganhar uma copa mundial, e nada melhor se a taça for para o Senegal!

PermalinkPermalink 16.07.09 @ 20:39



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