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Jan 16

Todas as finais

por Equipe De Primeira01h42

Por Cahuê Xavier Miranda (até 2000) e Jones Rossi

Em Minas, Galo x Cruzeiro. No Rio Grande, Grêmio x Inter. Na Bahia, Vitória x Bahia... Continuar a relação com Atlético x Coritiba no Paraná parece lógico, mas não é bem assim. Desde 1915, quando foi disputado o primeiro campeonato, apenas 12 vezes o Paranaense foi decidido em um Atletiba.

Quando o Atlético surgiu, em 1924, o grande vencedor do estadual paranaense era o Britânia. O Coritiba tinha apenas um título, ganho em 1916. Em 1925 o Atlético foi campeão pela primeira vez, fazendo a final contra o Savóia. O segundo campeonato do Coxa foi em 1927 e não houve final. Os dois juntos decidindo o título, só em 1941.

Mas os dois clubes nunca foram hegemônicos como são Inter e Grêmio entre os gaúchos. Palestra, Britânia, Savóia e principalmente o Ferroviário brigavam de igual para igual com a dupla Atletiba. Com a adoção da fórmula Norte x Sul, durante anos os principais rivais do Paraná não puderam decidir entre eles o título. Depois de 1945, só em 1968 os dois voltaram a se encontrar em uma finalíssima. E teve ainda os anos 90, em que o Paraná Clube deu as cartas e venceu seis campeonatos.

Quer dizer, Atletiba na final não é algo tão comum assim. Talvez por isso, cada uma dessas decisões tenha sido tão especial.

1941

Na primeira vez que o maior clássico do estado decidiu o campeonato, quem levou a melhor foi o Coxa. No primeiro jogo, na Baixada, 3 x 1 para os verdes, que venceram de novo no então Belfort Duarte por 1 x 0. O gol foi de Neno, uma das maiores figuras da história do Atletiba, jogando pelos dois lados.

1943

Foi uma decisão capaz de levar ao infarto os mais fanáticos. O Coxa venceu o primeiro turno. No último jogo do segundo, vencia o Atlético por 3 x 2 e ia garantindo o título antecipado. Mas Batista empatou no último minuto e o Furacão garantiu a vaga na final.

Na primeira partida da decisão, 3 x 2 para o Rubro-Negro no Belfort. Uma semana depois, na Baixada, o Atlético saiu vencendo logo no começo. O Coritiba ainda encontra forças para virar a partida, mas o Atlético busca o empate logo depois. E aos 41 do segundo tempo Lilo decreta o vira-vira, a vitória e o título para o Furacão.

1945

O Atlético venceu o primeiro turno com sobras. O Coxa reagiu no segundo e se classificou para a decisão. No primeiro jogo, 2 x 1 para o Cori, no Alto da Glória. A segunda partida, na Baixada, termina com o incrível placar de 5 x 4 para o Atlético, que forçava uma terceira partida.

Por pressão dos dois clubes, um árbitro paulista é escalado para a decisão, que é marcada para o Belfort Duarte. Era dia 30 de dezembro e um fantástico público de 8 mil pessoas viu o empate em 1 x 1 no tempo regulamentar. O jogo vai para a prorrogação e o Atlético vence por 1 x 0, garantindo mais um troféu.

1968

É a Copa de 50 do Atlético. Por todos os fatores que envolveram essa decisão, a derrota ainda dói, até mesmo nos atleticanos que não eram nem nascidos na época.

Em 1967 o Atlético fez uma campanha medíocre, terminou em último e deveria ser rebaixado para a segunda divisão. Porém o histórico presidente rubro-negro Jofre Cabral e Silva consegue uma virada de mesa, alegando que o Paranavaí, que havia subido, tinha escalado um jogador irregularmente e que seu estádio não tinha a capacidade mínima de 5 mil pessoas exigida pelo regulamento. No final o Paranavaí subiu. E o Atlético ficou.

Mas ficar na primeira divisão não bastava. Era preciso ser campeão para apagar a má imagem do rebaixamento. E Jofre não deixou por menos. Trouxe os bicampeões mundiais Djalma Santos, Belini, Dorval e Zequinha, além do craque Zé Roberto. Jofre Cabral e Silva morreu no estádio Vitorino Gonçalves Dias, em Londrina, no dia 2 julho, vítima de um ataque cardíaco quando o Atlético sofreu o gol de empate contra o Paraná (não o Paraná Clube de hoje, mas uma equipe londrinense da época).

Os coxas venceram a primeira partida na final por 2 x 1, jogando em casa. O segundo jogo foi marcado para a Vila Capanema e o Atlético fez 1 x 0, resultado tornaria o título rubro-negro pela primeira vez desde 1958. Mas aos 44 do segundo tempo Nilo cruzou na área e Paulo Vecchio marcou o gol decisivo. Alguém disse depois que a festa da torcida coxa-branca foi abafada, pelo ensurdecedor silêncio dos rubro-negros.

1972

O Coxa tinha um timaço, com Nilo, Hidalgo, Kruger, Tião Abatiá e Zé Roberto, que viria conquistar o Torneio do Povo e a Fita Azul internacional. Mas o Atlético endureceu as coisas na final. Na primeira partida, Kruger, o flecha loura, garantiu a vitória alviverde por 1 x 0. O título coxa-branca veio com um empate em 0 x 0 no segundo jogo. Os dois embates foram no Belfort Duarte.

1978

Três empates em 0 x 0 marcaram a última vitória do Coritiba contra o Atlético em finais até 2004. Os três jogos foram disputados no Alto da Glória e foram assistidos por um total de 150 mil pessoas, ou média de 50 mil por jogo. O herói foi o veterano goleiro Manga, que, aos 40 anos, defendeu dois pênaltis na decisão, que terminou 4 x 1 para o Cori.

1983

Depois de 53 anos o Atlético volta a ser bicampeão. A decisão foi em dois jogos, ambos no Alto da Glória. Na primeira partida, Joel marcou o gol da vitória atleticana por 1 x 0. No segundo jogo, o 1 x 1 deu o título para o Furacão.

1990

Esse são os coxas que sentem até hoje. Novamente os dois jogos finais são marcados para o Alto da Glória. Dois empates dariam o título ao Atlético, devido a um absurdo do regulamento, pois somando todas as fases, era o Coxa quem tinha a melhor campanha. E tinha também o melhor time, com Tostão, Chicão, Pachequinho e companhia.

Na primeira partida, o Coritiba vencia por 1 x 0 até os 47 do segundo tempo. Foi quando Dirceu, o carrasco, aproveitou uma falta batida pela direita e deixou tudo igual.

O empate não tirou a confiança dos coxas, que compareceram em peso no segundo jogo, acreditando numa vitória. Mas aos cinco minutos de jogo Dirceu abre o placar. O Coxa reage e Pachequinho deixa tudo igual. E a torcida alviverde explodiu de vez quando Berg virou o jogo. Mas o 2 x 1 que daria o título aos verdes durou somente até os 30 do segundo tempo. Depois da cobrança de um lateral, Berg tenta recuar de cabeça para o goleiro. Mas Gérson já tinha saído do gol e só conseguiu ver a bola o encobrindo. Gol contra. E o título para a Baixada.

1998

Foram três jogos que marcaram o fim da série de cinco conquistas do Paraná. Na primeira partida, no Couto Pereira, empate em 1 x 1. Os outros dois jogos foram marcados para o Pinheirão, devido à melhor campanha do Atlético.

No segundo jogo, a maior goleada em Atletibas decisivos: 4 x 1 para o Furacão, com direito a gol olímpico de Nélio. Na terceira partida, o zagueiro Wilson fez o gol que deu a vitória de 2 x 1 e o título para o Rubro-Negro. Mais de 44 mil pessoas comparecem ao jogo, estabelecendo-se um novo recorde de público no Pinheirão.

2000

Com a Arena novinha em folha, a torcida rubro-negra não queria ver o título escapar de jeito nenhum. E o time vinha dando a confiança necessária. Jogando a Libertadores com o time principal, o time reserva bastou para fazer a melhor campanha no estadual e garantir a vantagem de dois empates na decisão.

No primeiro jogo, 1 x 1 no Couto. Na partida de volta, a Arena incrédula via o Coxa, com dez homens em campo, vencer por 1 x 0. Até os 32 do segundo tempo, quando o zagueirão Gustavo aproveitou a cobrança de escanteio e fez o gol que garantiu o 1 x 1 e mais um troféu na galeria rubro-negra.

2004

Esta final marcou o fim do jejum coxa em finais contra o Atlético, que vinha desde 1978 e a primeira e única volta olímpica verde no Joaquim Américo. Eliminado na Libertadores ainda na primeira fase, era questão de honra ganhar o bi estadual para o Coritiba. Foi ajudado e muito pelo técnico atleticano Mário Sérgio, que nas duas partidas das finais não colocou Washington como titular e ainda tirou Jadson do time quando o Furacão vencia, de virada, por 3 a 2. Depois da vitória coxa por 2 a 1 no primeiro jogo, o empate por 3 a 3, com um Tuta iluminado selou o último título paranaense do Coritiba.

2005

Pato velho x pato novo. O bizarro Casemiro Mior foi o técnico do Atlético contra Antonio Lopes no Coxa. No primeiro jogo da final deu 1 a 0 para o Coritiba. O Atlético, que já estava praticamente classificado na Libertadores, trocou então Casemiro por Edinho, uma solução tão bizarra quanto, e venceu o jogo de volta por 1 a 0, gol de Dênis Marques. Nos pênaltis, o herói foi o improvável Lima, ex-jogador do Coritiba que bateu a cobrança decisiva. Para completar, depois Antonio Lopes substituiria Edinho no Atlético a tempo de levar o time para a final da Libertadores, em uma campanha histórica.

Estatística

Das 12 finais disputadas, por 7 vezes o título ficou com o Atlético.

Foram 27 jogos decisivos, com 7 vitórias do Coritiba, 8 do Atlético e 12 empates.

O Atlético marcou 35 gols. O Coritiba, 31.

O Atlético foi campeão 3 vezes no Alto da Glória. O Coritiba deu uma volta olímpica no Joaquim Américo.

1 comentário
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Comentários:


Comentário de: Carlinhos

Dorval nunca foi campeão mundial muito menos BI. Pode ter sido campeão mundial pelo Santos, talvez BI.
O Zequinha pode ter sido campeão em 62, mas não foi BI.
Vi os quatro jogarem e treinarem na baixada, lembro também do Nair e do Nilson Borges, principalmente o Nilson que não pode ser esquecido pelos atleticanos.

PermalinkPermalink 18.01.08 @ 18:54



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