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Jan 05

Gaviões ensaia retorno triunfal

por Jones Rossi17h51

A escola de samba, que freqüentou o Grupo de Acesso em 2007, quer voltar para ser campeã. Com patrocínio e mais de R$ 1 milhão para o carnaval, aposta em musas e fidelidade dos torcedores.

Às 20h30, horário marcado para o início do ensaio da escola de samba Gaviões da Fiel, a quadra da torcida organizada ainda é uma promessa do que está por vir. A lanchonete do Getúlio está vazia, o pipoqueiro Ronaldo, homônimo do goleiro que foi ídolo na década de 80 e 90 e “corintiano, graças a Deus”, quase não tem trabalho, e crianças dão chutões em uma bola de vôlei.

O ensaio, realizado na noite de terça-feira, é apenas um dos primeiros até o dia 1º de fevereiro de 2008, primeiro dia de desfile do Carnaval Paulista. A Gaviões será a primeira escola a entrar no Sambódromo. Depois de um ano em que teve de disputar o Grupo de Acesso (uma espécie de segunda divisão do carnaval), e viu o time cair em campo para a Série B do Campeonato Brasileiro, a Gaviões, que possui 72 mil sócios, quer impressionar em sua volta ao Grupo Especial.

Para tanto, contará com cerca de R$ 1 milhão, boa parte patrocinada pela Prefeitura de Santana do Parnaíba, que será o tema do enredo da escola: “Nas asas dos Gaviões, rumo ao portal dos sertões. Santana de Parnaíba, berço de Bandeirantes”. E, como mostrou no ensaio de terça, a torcida também aposta nas musas, com Sabrina Sato na condição de principal estrela e em ex-Malladrinhas como coadjuvantes.

É Sato quem provoca a maior comoção ao chegar na quadra, já parcialmente cheia, quase às 22h. Ela, que será destaque do carro um, chamado “Energia Elétrica”, foi logo cercada por fãs querendo tirar fotos ao seu lado. Vestindo a camiseta recém-lançada com a frase “Eu nunca vou te abandonar”, na parte da frente, e “Porque eu te amo. Eu sou... Corinthians”, na parte de trás, e um short preto minúsculo, foi conduzida até a parte de trás do palco.

Junto com as outras três musas da noite, duas ex-mallandrinhas e uma Panicat, entrou rebolando e cumprimentou a torcida, que já fazia o aquecimento com baterias, cuícas e bumbos. “Oi, gente. É uma honra, um prazer, estar aqui de volta. Eu amo a Gaviões”, gritou, puxando os erres. Mostrou a camiseta, deu uma voltinha, e perguntou à torcida, “gostaram?” Todos aprovaram.

Ela desceu do palco para sambar com os torcedores e foi novamente cercada. Fez a tradicional pose com os tocadores de cuíca, que se posicionaram de joelhos ao lado dela. A esta altura, a antes tranqüila quadra já parecia um estádio lotado. Cerca de 800 pessoas lotavam a quadra, a torcida acendia sinalizadores e agitava as bandeiras, como se estivesse no Pacaembu. O hino era entoado ao som de todos os instrumentos e ainda era possível ouvir Sabrina pulando e gritando “O CLUBE MAIS BRASILEIRO”, enquanto era fotografada. Como satélites, as Panicats-Mallandrinhas ficavam ao redor dela. A que mostrava mais intimidade com a vida do clube é Lívia Andrade, que era cumprimentada pelos torcedores como se fosse uma velha conhecida. De família corintiana, possui uma tatuagem na nuca com o símbolo do clube e um gavião. “Já veio no sangue.”

Chega a hora de ir para a rua. Agora o número de corintianos chega a quase mil. Com o mestre-sala e a porta-bandeira à frente, a escola sai pela Rua Cristina Tomás, no Bom Retiro, reduto corintiano, em direção à Rua dos Italianos, como uma versão reduzida do que vai acontecer no dia 1º de fevereiro. Depois voltam, e encerram cantando a música que embalou o time no Campeonato Brasileiro, “louco por ti, Corinthians”.

No Sambódromo, serão quatro mil integrantes. Desde já muita gente vive somente em função do Carnaval, como “Murf” (Rogério Oliveira Mendes) e o amigo Rodrigo Moreira Torres. Desfilam desde 1997 e hoje vendem (R$ 300 cada) fantasias na quadra da Gaviões. “Na última semana ninguém dorme nem se alimenta direito. Tem que fazer entregas, retoques... Vamos até o corpo agüentar.” Louco por ti, Corinthians.

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