“Nilson não perdoa! Mata!”
por Equipe De Primeira19h11

Por Fabricio Kichalowsky
Eu estava em meio a compras de Natal quando recebi a mensagem no celular: "SporTV já". "Bah, não estou em casa", respondi. No que recebi de volta: "Gre-Nal do Século no Jogos para Sempre".
Jogos para Sempre, pra quem não sabe, é um programa especial do canal que fala de jogos absurdos, com resultados espetaculares ou que tenham sido espetaculares à sua forma. E o Gre-Nal do Século foi um deles. Pois eu voltei pra casa e esperei até às três da manhã pela reprise. Valeu a pena.
O Gre-Nal do Século mexeu com o Rio Grande do Sul lá em 1988, e foi assim chamado pela imprensa por ser o primeiro momento em que uma vaga na finalíssima de um Campeonato Brasileiro, na época, Copa União, seria decidida no maior clássico gaúcho. De um lado, o Colorado de Abelão tinha Taffarel, Luis Carlos Winck e a dupla Maurício e Nílson, que seria o artilheiro da competição. De outro, Rubens Minelli comandava uma equipe de estrelas, com Alfinete, Cristóvão, Bonamigo e Cuca. No papel, posição por posição, o Tricolor da Azenha era levemente superior.
E mostrou isso em campo, abrindo o placar aos 25min do primeiro tempo. Marcos Vinícius, de canhota, pegando embaixo da bola e tirando Taffarel da jogada. Não bastasse a superioridade em campo e no placar, aos 38min o ex-gremista Casemiro, lateral-esquerdo colorado, desceu o sarrafo em Trasante e acabou expulso por Arnaldo César Coelho.
O cenário era desolador. O Internacional, que com um empate no tempo normal e na prorrogação garantiria um lugar nas finais, perdia em casa, via o tradicional adversário jogar mais bola e ainda teria que enfrentar outros 45 minutos com um jogador a menos em campo.
Diz a lenda que, no vestiário gremista, o presidente Paulo Odone abria uma champanhe, celebrando a vitória. Nada do que se possa duvidar, já que Cuca, o entrevistado do SporTV, confessou que já sonhava com o automóvel Monza que reservara na concessionária e que seria pago com o dinheiro da premiação pela classificação.
Talvez para uma outra equipe fosse, realmente, impossível. Mas não para o Colorado. Não para Abel Braga, que sacou Leomir, um meia, mandou a campo Diego Aguirre, um atacante, e deixou com Edu Lima a tarefa de fazer o lado esquerdo, de defesa e ataque. O primeiro carrinho de Edu, desarmando Alfinete, fez a torcida urrar nas arquibancadas e deu o tom exato do que seria aquele segundo tempo.
O que veio depois já é história: Edu cobra falta sofrida na ponta-esquerda, Nílson sobe mais que toda a zaga tricolor e empata. Pouco depois, Mauricio dribla dois gremistas, entra na área pelo lado direito e bate cruzado. No segundo pau, lá está ele, novamente: Nílson, para tocar para o fundo das redes e decretar uma das viradas mais espetaculares da história do Brasileirão.
Há quem vá dizer "grandes merdas, o Bahia é que foi o campeão daquele ano", mas isso é o que menos importa. É verdade que a vida colorada é marcada por algumas tragédias, como a perda desse Brasileirão para os baianos, mas a glória de derrotar, de virada, o maior adversário e sua tradicional empáfia, é o que fica na lembrança. Foi assim em 88, como foi em 92, pela Copa do Brasil e em todas as ocasiões em que a dupla Gre-Nal se enfrentou em partidas eliminatórias.
Mas isso é assunto para outro post.
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