O primeiro a sorrir apague a luz
por Equipe De Primeira02h20
Por Alvaro Fagundes
Está ali. Estampado. O novo técnico do Grêmio sorri. Frouxo. Como se não tivesse uma conta para pagar. Como se não tivesse um adversário para arruinar logo ali adiante.

Desde que surgiram as primeiras notícias de que o Grêmio contrataria o Vagner Mancini, a foto veio junta. Está lá no site do Al-Nasr. Não sei se foi tirada antes ou depois do jogo. Não importa. Técnico do Grêmio não pode mostrar os dentes. Talvez, sei lá, o do Flamengo ou o do São Paulo. Mas estamos falando de clubes em que o futebol é uma diversão. No Grêmio, não. No Grêmio, o treinador precisa usar um dos cem melhores discursos do Churchill para derrotar o Brasil de Farroupilha.
O técnico do Grêmio, na verdade, pode até sorrir. Tecnicamente pode abrir a boca 1,25 centímetro. Basta pensar no Luiz Felipe ou no Mano Menezes. Havia ali um sorriso. Combinado com uma ironia nos lábios de quem queria destruir o inimigo e sabia como.
Eu garanto que, se sou jogador do Grêmio e vejo essa foto, logo depois da apresentação dele no Olímpico vou para o primeiro bar. E só saio no dia seguinte – para ir direto para o treino. “Depois de dois anos olhando a cara do Mano Menezes, finalmente poderei relaxar.” Mas esse sou apenas eu, um ingênuo. Eu garanto que os jogadores conseguirão pensar em coisa bem mais criativa.
Se o Vagner Mancini decidir sorrir em Porto Alegre como fazia em Dubai, o Grêmio corre o risco de perder o espírito que demorou anos para voltar a forjar. Como de certa forma aconteceu quando o Tite falou na preleção na final da Copa do Brasil de 2001, contra o Corinthians: “Primeiro bola, vamos meter no meio das canetas deles”. E o Anderson Polga logo deu uma janelinha no Marcelinho Carioca. E parou na reserva na Copa de 2002 e nunca mais jogou pela seleção. E, claro, o Brasil perdeu a Copa da Alemanha. É isso o que Vagner Mancini está colocando em risco.
Por isso, logo que o técnico do Grêmio até abril chegar em Porto Alegre, antes mesmo que ele pegue as malas, alguém do clube do precisa encostar nele e avisar: “Vagner, não sei se te avisaram, mas a gente te contratou para ser auxiliar do Sandro Goiano”. Se ele decidir voltar para São Paulo, ótimo. Se decidir ficar, esse será um homem obstinado, decidido a retomar o seu posto. Que será de Sandro Goiano, um homem que não sorri. Não sem um propósito.

A letra do rap diz mais ou menos assim: "O Mano Menezes também não sabe sorrir/ Até parece que leu um livro da Marilena Chauí-í-í-í
2 comentáriosPermalink
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Comentários:
O que interessa é como vai ser dentro das 4 linhas.
E espero que ele sorria de constrangimento após ver tantas vitórias do Atlético, principalmente aqueles 2 a 0 que foram feitos na Baixada e que terminou com jogadores atleticanos sendo agredidos por gremistas.
Forte abraço!