Sobre Vinicius Coelho
por Equipe De Primeira00h17
Ainda lembro de quando o Marcão, alcunha pela qual atende Marcos Xavier Vicente, jornalista da Gazeta do Povo, veio para São Paulo fechar uma edição especial do Lance! sobre os grandes clubes brasileiros. Eu morava em Pinheiros e fomos eu, ele e o André Pugliesi à pizzaria Brás, na Vupubassu, degustar uma autêntica pizza paulistana. Como bom curitibano, ele reclamou dos preços, mas a pizza era boa. E ótima ficou a edição do Lance! feita por ele sobre o Coritiba. Mesmo sendo atleticano, tenho uma guardada. Para o Marcão, aquela edição significou ainda mais.
Uma das fontes consultadas por Marcão foi Vinicius Coelho, um dos principais jornalistas do Paraná, coxa-branca histórico e colunista da Tribuna do Paraná, um dos principais jornais de Curitiba. "Em 2004 o Vinicius fez uma das coisas das quais eu mais tenho orgulho na minha carreira. Ele escreveu uma coluna em minha homenagem, dizendo que até então nunca havia visto uma pesquisa tão completa sobre o Coritiba Foot Ball Club como a da série de revistas Grandes Clubes Brasileiros, do Lance!, a qual a edição coxa branca eu escrevi e editei e que contei com a ajuda fundamental dele. Aquilo me deixou com um orgulho tão grande que, no dia, fui até a banca e comprei 10 edições do jornal, todas guardadas a sete chaves até hoje", relata Marcão.
Como homenagem ao Vinicius, segue o texto abaixo.
No lugar certo, na hora certa

Por Marcos Xavier Vicente
Cheguei de manhã cedo ao escritório do Vinicius Coelho para a entrevista. Precisava confirmar com ele, que é uma sumidade em termos de Coritiba, algumas informações para o material que eu estava escrevendo para a edição coxa branca da série de revistas Grandes Clubes Brasileiros, do Lance!. Ele me ofereceu um café, muito providencial para mim àquela hora da manhã, e, de cara, já pegou um livro que ele e o Carneiro Neto escreveram sobre o ex-presidente do clube Evangelino da Costa Neves. Autografou e me deu.
Conversa vai, conversa vem, confirmei todas as informações que precisava e ouvi várias histórias bacanas sobre uma das coisas que mais gosto de conversar, que é futebol. Lá pelas tantas ele me disse que trabalhou um tempo no Rio de Janeiro. Havia sido repórter do jornal O Globo. Achei aquilo bacana e perguntei como era a vida no Rio.
Ele disse que foi difícil se adaptar, já que o ritmo carioca nada tem a ver com o curitibano. Os filhos que sofriam mais. Mas disse que foi um período muito especial, particularmente porque teve a sorte de ser o repórter a anunciar quem seria o técnico do maior título de todos os tempos do futebol brasileiro, o tri do México.
Após a saída conturbada do jornalista João Saldanha (recomendo a biografia recém-lançada João Saldanha: Uma vida em Jogo, de André Iki Silveira, a qual ainda não li, mas, tratando-se de quem se trata, não tem como não ser interessante) do comando da Seleção em 1969, ficou a dúvida de quem seria o técnico que comandaria a máquina de jogar bola prestes a trazer a Jules Rimet. Dias antes, o presidente-general Emílio Gastarrazu Médici havia sugerido a convocação de Dadá Maravilha. A resposta do desbocado João Sem Medo foi uma frase que lhe custou o cargo, mas lhe valorizou o caráter pelas circunstâncias da época: “O presidente que escale o ministério dele, que eu escalo o meu time”, soltou o inveterado comunista e encrenqueiro Saldanha.
No dia em que o novo técnico seria anunciado, após muita expectativa, a chefia do O Globo decidiu enviar repórteres à casa de cada um dos três treinadores cotados. Vinicius era um dos repórteres. Mas iria para a residência do menos cogitado – um ex-jogador da Seleção que havia parado há pouco e que ainda estava engatinhando como treinador no Botafogo: Zagallo.
Vinicius foi à casa do Velho Lobo e, como não podia esperar até o momento do anúncio, já que horários em jornal são mais curtos do que cobertor de pobre, combinou de entrevistá-lo antes, com perguntas na base do “e se você for o escolhido”.
Lá pelas tantas, Vinicius lembrou que as atuações de Pelé com a Amarelinha vinham sendo criticadas ultimamente – sim, os deuses também caem de produção. Até problema de vista acharam para o Crioulo para tentar explicar o rendimento abaixo do esperado – coisa do Saldanha. E, neste momento, eis que Zagallo solta para Vinicius a frase exclusiva que seria manchete da edição – “Pelé e Tostão não jogarão mais juntos.” Ou seja, claro que sobraria para o atacante do Cruzeiro.
A explicação de Zagallo era de que os dois tinham estilos iguais. Portanto não poderiam atuar juntos. Talvez essa tenha sido a primeira de milhões de atitudes turronas de Zagallo como técnico (sim, Velho Lobo, era a Laranja Mecânica de Cruyjff que tinha que se preocupar conosco em 74, não o contrário...)
Sorte que, ao menos dessa vez, Zagallo repensou e não desconfigurou a segunda maior dupla de ataque da Seleção de todos os tempos, atrás apenas de Pelé e Garrincha. E sorte a minha que tive a honra de ouvir essa história do Vinicius, o homem que estava no lugar certo, na hora certa.
Leia mais textos do Marcão no recém-inaugurado blog Populares.
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Futebol
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