"Cinco minutos de terror e covardia"
por Jones Rossi21h18
Cosme Rímoli é um dos melhores jornalistas esportivos do País em minha modesta opinião. Texto e apuração impecáveis. Trabalha aqui no Jornal da Tarde e ainda comenta na Rede TV, no programa Bola na Rede. Mas, no último domingo, foi vítima da selvageria da torcida organizada do Grêmio-RS, em Porto Alegre. Pedi a ele o texto do relato (que segue abaixo) para publicar aqui no blog. O texto veio acompanhado de uma informação preocupante. O jornalista do Zero Hora que cobriu o triste episódio também está sendo ameaçado pelos bandidos organizados.
"Foi tão rápido quanto dramático. Há 22 anos vou aos estádios sem preocupação. Já fui para Bolívia, Peru, Malásia, Alemanha, Caruaru, Baixada Fluminense entre outros tantos lugares que o Jornal da Tarde define. Já estive em Porto Alegre pelo menos 12 vezes. Vindo para o Olímpico ou Beira Rio.
Adoro Porto Alegre. O povo é um dos mais cultos que conheço. Livrarias, vida cultural de Primeiro Mundo. Foi com esse espírito que fui para o Olímpico no domingo.
Fui sozinho porque fiquei até o limite para acompanhar os detalhes da delegação do Corinthians. Sei, ou achava que sabia, como são as coisas do futebol. Estava de jeans azul e camiseta branca. O meu pesado computador pessoal estava em uma mochila azul.
O taxista me deixou na entrada por onde entra a torcida do Grêmio. Exatamente como sempre fiz na minha carreira fui caminhando tranqüilo.
Um torcedor me reconheceu como paulista. Foi o que bastou. Em uma ação combinada, ele começou a gritar: "Gavião, Gavião, Gavião." E com a sintonia que a torcida organizada faz as avalanches no Olímpico, eles partiram para cima de mim.
Foram cinco minutos de puro terror e covardia. Pessoas que nunca me viram na vida começaram a me chutar e dar socos. As reações nessa hora-limite são mesmo engraçadas. Enquanto apanhava e caia no asfalto tinha uma idéia fixa "Não posso perder o computador. Vim para cobrir o Corinthians, não vou largar." Eu parecia uma mãe na Segunda Guerra que se esquece da dor que sente mas não larga o seu filho para os nazistas. Por que será que pensei em nazistas, neo-nazistas quando vi esses torcedores. Por quê? Acho que não foi coincidência...
O bando formado em sua maioria por garotos fortes que usam o dinheiro dos pais em academias para aumentar os músculos. Começou além de me chutar e socar, me roubar. Foi o relógio e o par de tênis!!! Quem roubou não precisava. Roubou como troféu.
Percebendo meu apego ao computador, tentaram tomá-lo na marra. Humilhado, sangrando nos joelhos e cotovelos, pelos tombos, jurei que não iria largar. E não larguei. Foi quando no meio dos covardes vi um maior que pegou uma cadeira de ferro, usada nos barzinhos. A dobrou, calculista e tentou acertar a minha cabeça. Já senti a minha cabeça rachada, o desequilibrei e sai.
Foi quando chegaram dois soldados da brigada de Porto Alegre. Mal chegaram os torcedores se afastaram. Mas meus maiores agressores foram eles. Ainda estava longe da entrada do Olímpico. Pedi que os soldados me acompanhassem. Responderam: 'agora tu vai sozinho'.E me largaram, os torcedores tentaram voltar, mas acho que, ridículo, sangrando e com os pés no asfalto sou mais rápido. E corri abraçado ao computador. Acredito que ninguém ontem viu o Olímpico como a terra prometida como eu. Voltei a ser tratado como ser humano. Me fizeram curativo, a assessoria do Grêmio me emprestou um par de tênis.
Quero dizer aqui que, apesar de paulistano, Porto Alegre continua sendo minha terra, vou voltar muitas vezes aqui. Esses covardes da torcida não representam o Grêmio, que é um clube admirável. A corajosa brigada gaúcha não merece ter soldados que viram as costas para quem é agredido. Seja quem for.
E sorte minha que sou jornalista e pude mostrar na Zero Hora um pouco da rotina que mistura selvageria e impunidade no futebol do meu país. A dor que senti não foi tão forte quanto a vergonha pela ingenuidade de não notar o quanto estamos desprotegidos no meu País.
(Esse foi o texto que escrevi para o Zero Hora no domingo logo depois d. Na segunda-feira, o tenente coronel Angelo Antônio Vieira da Silva, me ligou. Pediu desculpas três vezes e jurou que vai descobrir quem foram os péssimos dois soldados que me deixaram no meio desse bando. E vai reforçar o policiamento para o ponto que eu passei que é o mais perigoso do Olímpico. Aceitei as desculpas, mas não trabalhei na importante cobertura do dia seguinte à queda do Corinthians. Tomei anti-inflamatórios e analgésicos para as fortes dores das pancadas. Recebi e-mails de torcedores gremistas se desculpando pela agressão. Fiquei feliz por perceber que os selvagens são a grande minoria. E mais indignado por sentir na pele que primeiro as coisas precisam ruins precisam acontecer para depois as autoridades tomarem providências.)
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Comentários:
Lamentável.
Eu sou gaúcha e gremista e acho uma vergonha o que acontece dentro dos estádios hoje em dia. É muita ingenuidade achar que isso só acontece no Olímpico com "torcida folgada" do Grêmio.
O pior de tudo é que tu ainda é uma pessoa preconceituosa. Não adianta vir rotular dizendo que a torcida do Grêmio é folgada, que a PM gaúcha é corrupta, que gaúcho gosta de cacete. Argumento de vez em quando é bom... O Brasil é essa merda que é hoje por que pessoas como tu merecem o país que tem!
Outro fato curioso, é que tenho um amigo que mora perto do Olímpico e geralmente em dia de jogo ele chega cedo ao Estádio, ano passado, assim como de rotina ele chegou cedo, era Grêmio x Corinthians, não é inventar história, mas a primeira vez na vida que ele foi assaltado em Porto Alegre, foi por uma cambada de maloqueiro da Gaviões que desce daqueles ônibus, boa parte armada e fazendo arrastão. Infelizmente alguns bons pagam pelos maus. Infelizmente o Cosme foi um desses que teve que pagar pela brutalidade dos outros. Isso sem contar nas brigas quando se vai jogar em São Paulo... não só contra o Corinthians, mas também contra o Palmeiras, São Paulo. É um problema bem maior do que o que aconteceu com o Cosme, infelizmente é uma questão cultural que rodeia o nosso futebol, ou seja, apanha lá, bate aqui; infelizmente é essa a realidade.
Paulista enque toma aruim mesmo. . .
são tudo uns troxa. . .
C vouta nóis pega denovo!!
não é atoa q nós somos o sexto do País. .. e Primeiro do Rio grande do Sul. . .
nós demos show. . . e vcs sabem disso. . . a unica avalanche do Brasil. . .