A Nação contra o País
por Equipe De Primeira01h20

Basta um gol, apenas um golzinho hoje contra o Grêmio, a partir das 16h no estádio Olímpico para que o Corinthians escape do rebaixamento e continue na elite do futebol brasileiro. Uma vitória que será comemorada como um título por 19 milhões de brasileiros (pesquisas mostram que 10,5% dos brasileiros também são corintianos). Uma derrota que será festejada pela outra parte do Brasil. Nunca, como hoje, se transformou em verdade uma das frases mais adoradas pela nação mosqueteira: aquela que divide os brasileiros em corintianos e anticorintianos.
Nunca os corintianos estiveram tão sós em uma parada. Pesquisas e enquetes feitas no Rio Grande do Sul mostram que 95% dos torcedores do Inter querem que seu time perca para o Goiás, outro candidato ao rebaixamento, em Goiânia. E, mais do que torcerem contra o seu time, estão dispostos ao até hoje inacreditável sacrifício de apoiar o Grêmio.
Há, entre os colorados, aqueles que estão magoados com o time do Goiás, que na despedida do campeonato do ano passado, jogou muito duro contra o Inter, que se preparava para viajar até o Japão para decidir o Mundial Interclubes. Os gaúchos esperavam um jogo de festa e foram vítima de violência. Mas nada supera o ódio ao Corinthians, pela disputa de 2005. Os colorados acham que foram roubados com a expulsão de Tinga no jogo no Pacaembu. E pela decisão de se jogar novamente partidas que foram adiadas por causa do envolvimento do ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho em esquemas fraudulentos de apostas.
Há ainda contra o Corinthians o preconceito de habitantes de todas as regiões do Brasil contra os paulistas. Fosse o Palmeiras, o São Paulo ou o Santos nessa situação, também enfrentaria a aversão ao grande e a solidariedade ao menor. Só não sabem os do País Brasil que em São Paulo, também estão todos contra o Corinthians. O Palmeiras, principalmente, pela rivalidade e para se vingar das gozações de 2002, quando não conseguiu vencer a luta contra o rebaixamento. Pergunte a um palmeirense se prefere a classificação para a Libertadores ou a queda do Timão e não se surpreenda com a resposta.
No futebol, são onze contra onze, diz um velho ditado. Ainda bem para o Corinthians. Hoje, a Fiel será minoria em campo, com 3.300 contra 20 mil gremistas, que exigem uma vitória na despedida de Mano Menezes. Fora do Olímpico, o massacre anda será maior.
Uma vitória, ou mesmo se a classificação vier com um empate ou uma derrota, fará com que o feito seja contado por décadas. E a mística do time "maloqueiro, sofredor graças a Deus" ganhará força. E será comprovado que, para os corintianos tudo sempre é mais difícil. Até mesmo vencer o resto do Brasil para não ser rebaixado.
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