A Batalha do Arruda
por Ricardo Sabbag19h00

Quando Paulo César de Oliveira apitou o início da partida entre Santa Cruz e Coritiba, tudo indicava que aquele seria mais um jogo morno e ruim da Série B. O Coritiba parecia não precisar vencer para garantir o título. Ao Santa, não restava mais nada além de literalmente cumprir tabela. O Arruda, em sua feiúra e vazio, parecia um palco condizente com aquela despedida.
Em Jundiaí, ao contrário, Paulista e Ipatinga tinham alguma coisa pra fazer. E faziam. Mas de nada adiantou a resistência dos mineiros porque no primeiro tempo o Coxa fazia 1 x 0 no combalido time Coral, esvaziando o esforço do time do Vale do Aço. Era um fim de campeonato sonolento e previsível.
Até que Sobrenatural de Almeida resolveu agir.
Em Jundiaí, o Ipatinga determinava a Terceirona para os paulistas impondo uma goleada de cinco.
E em Recife, o Santa empatava com o Coxa, com um gol arrancado das mãos do goleiro Edson Bastos. Com a combinação, os mineiros eram campeões da Série B.
Tudo piorou para o Coxa quando, aos 35 do segundo tempo, Edson Bastos cobrou mal o tiro de meta, entregando a bola para o adversário. O zagueiro Jéci se viu obrigado a fazer falta em frente à área. Tomou o segundo amarelo e saiu expulso de campo. Não reclamou com o juiz. Tentou animar os companheiros. O panorama não era dos melhores para o Coritiba.
Pouco antes da cobrança de Genal, meu vizinho atleticano cantou: “Gol!”. Não deu outra. Max completou a sobra para o fundo das redes. Frustração. Raiva.
Para mim, e para a maioria da torcida Coxa, posso apostar, o campeonato terminava ali. Xinguei o time inteiro e três gerações dos jogadores, dirigentes e comissão técnica (Meu pai, fiquei sabendo mais tarde, desligou a tevê e brigou com a mulher. Achou que o foguetório fosse coisa dos torcedores rivais). Claro, o acesso à Primeira Divisão – o mais importante – tinha sido conquistado, mas como perder um título tão certo? Título da Segundona não é coisa para se vangloriar, mas parecia que depois desses dois anos de sofrimento, de jogos tenebrosos, adversários idem, brigas internas, o título seria um prêmio à paciência do torcedor. Mas não. Nem isso teríamos. Veríamos o título escapar de nossas mãos depois de perder em casa um jogo com mais de 40 mil torcedores nas arquibancadas; de perder para um time que já estava rebaixado. A vergonha era muito grande. Chegaríamos à Série A pedindo licença. O vizinho ria da nossa desgraça.
Acontece que Sobrenatural visitava o Arruda naquele 24 de novembro de 2007. E ele mesmo aprontava a expulsão dupla minutos mais tarde, deixando o Coxa com nove contra 10 pernambucanos. Se fosse pra acontecer, que fosse vendendo a alma para o imponderável.
E quis Sobrenatural de Almeida que o Coxa empatasse a partida aos 42 e virasse o jogo aos 47, com um gol marcado pelo atacante Henrique Dias deitado em campo.
Em Jundiaí, o Ipatinga parava a volta olímpica na metade do percurso.
Em Curitiba, eu – e a maioria da torcida Coxa, posso apostar – gritava pela janela: “Coxa! Coxa! Coxa, filha da putaaaaaaa!”.
Silêncio no apartamento vizinho.
O resto da história você viu na tevê.
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Série B
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Comentários:
Que besteira.