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Nov 24

Longe do paraíso

por Equipe De Primeira22h02

O que é pior para um time de futebol? Ser rebaixado para a terceira divisão, estar com os salários atrasados há quase seis meses ou não ter perspectiva alguma de receita para saldar dívidas incalculáveis? Pois o Clube do Remo, dois anos depois de ser fenômeno de público e campeão na série C, está de volta ao inferno com todos esses azedos ingredientes.

Três temporadas separam os dois rebaixamentos do Remo. Poucos clubes repetiram o caminho de volta para a terceirona de uma forma tão rápida. Intervalo menor que este, só o da Tuna Luso que caiu para a série C em 1999 e 2001, mas neste meio tempo subiu de volta para a série B catapultada pela Copa João Havelange. Entretanto, a situação do atual campeão paraense é mais preocupante porque a nova queda simboliza a repetição de velhos erros, com alguns agravantes.

Assim como em 2004 (ano em que caiu pela primeira vez) e 2006 (quando escapou do rebaixamento a duras penas), o Leão promoveu uma verdadeira farra de contratações e dispensas. Foram mais de 50 jogadores que chegaram. Poucos permaneceram por um tempo razoável. O comando do Remo também foi um emprego com a cadeira tão quente quanto a de ministro da economia nos anos 80. Cinco técnicos passaram pelo time na série B. Como conseqüência disso, a equipe foi um laboratório de esquemas táticos ao longo de grande parte do campeonato, titulares absolutos de um técnico se tornaram jogadores dispensáveis de outro e o Leão Azul terminou a segundona sem um time-base duradouro.

A crise financeira não é novidade, mas ganhou proporções gigantescas em 2007. Ano passado, os salários atrasados só se tornaram um problema público e notório depois da penúltima rodada, quando o Remo já estava livre do rebaixamento e os jogadores ameaçaram não viajar para disputar a última partida. Este ano, a greve aconteceu quando ainda faltavam 14 rodadas para o campeonato terminar e as chances de evitar a queda eram grandes. Quando 30 de novembro chegar, o atraso vai chegar a seis meses. No meio desse semestre, tudo de pior aconteceu. Reclamações na Justiça do Trabalho foram fichinha perto dos dramas pessoais expostos pelos jogadores. O lateral Lucas foi ameaçado de despejo do apartamento onde morava com a família por causa de atraso no pagamento do aluguel. O volante Sandro Silva revelou a repórteres que não tinha dinheiro para se alimentar adequadamente. E a esposa do atacante Landu foi mais direta: “estamos passando fome”, disse.

Diante de tudo isso, a postura do presidente Raimundo Ribeiro chegou a ser cretina. Quando os jogadores boicotaram o treino e a dívida ainda estava em três meses, o cartola disse “o CRB está com o pagamento atrasado há cinco meses e está lá em cima na tabela”, como se a palavra “apenas” pudesse ser empregada nessa situação. Além disso, Ribeiro fez inúmeras promessas do tipo “pago uma folha amanhã”, nunca cumpridas. E condicionou a quitação dos salários à venda de algum patrimônio do clube. Em meio a um quebra-pau ideológico, os conselheiros do clube aprovaram a venda de parte do terreno da sede social para uma construtora. Mas a negociação foi emperrada depois que um promotor de justiça (e conselheiro remista da oposição) deu entrada no processo de tombamento do local junto ao patrimônio histórico. A sede campestre do clube, no distrito de Benfica (15 quilômetros de Belém), interessou à Ambev, mas a cervejaria preferiu outro terreno. A diretoria chegou a acreditar numa fantasiosa proposta de patrocínio de uma multinacional (que nunca teve o nome oficialmente divulgado), que estaria disposta a pagar todas as dívidas do Remo. Mas nada se concretizou.

O ano de 2008 vai chegar cercado de incertezas. O técnico Ronaldo Bagé (uma grata surpresa em meio a uma temporada de erros) diz que continua no comando do clube. Mas já enfrenta uma dificuldade no planejamento da temporada. A imagem que o Remo tem de mau pagador tem afastado os jogadores que interessam ao treinador. Além do mais, não há perspectiva de algum dinheiro surgir. As cotas de patrocínio foram adiantadas. As rendas dos jogos correm o risco de ser bloqueadas pela Justiça do Trabalho. O campeonato paraense e a série C não têm cotas de televisão. E, pra piorar, a CBF já adiantou que não vai bancar nenhum participante da próxima Terceirona. Um triste futuro para uma das maiores torcidas do Norte-Nordeste.

Postado por Leonardo Aquino

1 comentário
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Comentário de: Luís Augusto Símon Email

O Remo tem uma das camisas mais bonitas do futebol brasileiro

PermalinkPermalink 25.11.07 @ 15:03



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