A maldição de 50
por Jones Rossi00h37
Barbosa, goleiro do Brasil em 1950, sempre dizia que a pena máxima para um crime no Brasil era de 30 anos e que ele, considerado culpado da derrota para o Uruguai, já pagava sua pena há mais tempo que isto.
Pois se existe alguém para dividir esta culpa, para o bem e para o mal, é a Seleção do Uruguai. Creio que, de alguma forma, todo o ressentimento de nossa Nação, nunca totalmente dissipado, ainda pesa como uma maldição sobre os uruguaios. Assim como Juvenal hoje vive abandonado em um casebre na Bahia, a Celeste se escora pelos gramados em busca da glória perdida em algum ponto entre o Maracanã e o Centenário.
A derrota desta noite por 2 a 1, para o Brasil, se explica mais por isso do que pelos méritos brasileiros. Como tem feito desde que Dunga assumiu, o Brasil vence sem grandes esforços, embora até tenha demonstrado certa vontade no segundo tempo.
O Uruguai continua apostando na raça, na catimba e, quando estava 1 a 0, em certa firula para irritar o adversário. Talvez inspirados pelo último feito grandioso do time, que foi botar Rivelino para correr até escorregar de bunda pelas escadarias do Mário Filho, tentam colocar certa banca em cima dos rivais. Hoje, nem o baixinho Daniel Alves caiu nessa, e encarou de igual para igual el Loco Abreu.
Aos poucos, o Uruguai definha. Fica fora de uma a cada duas Copas do Mundo. Faz figuração na Copa América. Consegue sucumbir nos pênaltis para o Brasil de Doni. Enquanto o mundo do futebol espera uma ressurreição uruguaia, a crise afeta até times como o trimundial Nacional e o Peñarol, que ganham da TV menos que o Paraná Clube ou o Juventude.
O Uruguai hoje é um fantasma em campo. Ninguém faz chorar 200 mil pessoas impunemente.
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