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Nov 20

Direção oposta

por Ricardo Sabbag18h07

A coisa mais comum que se ouve depois de um confronto entre polícia e torcedores de futebol é o chavão "imagens lamentáveis". Caso da briga da última sexta-feira depois do jogo Coritiba x Marília, pela penúltima rodada da Série B.

Caso é que não há muito mais o que se fazer além de lamentar, mesmo. Ou se lamenta, ou não se vai ao estádio.

O problema do conflito entre as partes não é simplesmente da torcida vândala e provocativa ou da polícia violenta. Porque as imagens mostram que é óbvio que houve violência policial. Como é óbvio que só houve aquela reação por conta de alguma ação detonadora. Policiais não saem feridos à toa.

A solução desse problema passa necessariamente pelo fortalecimento de instituições que poderiam controlar a gratuidade das ações policiais, como a corregedoria da polícia ou o Ministério Público.

Mas isso, é claro, ainda está muito distante da realidade brasileira. Somos, afinal, o povo que suporta a maior carga tributária do mundo. Mas vamos levando, porque é da nossa natureza. Assim como vamos levando a violência policial e o caos aéreo, por exemplo.

Então o que temos que fazer depois daquela mini-barbárie é somente lamentar.

Inútil caçar bruxas nessas horas. A maioria dos torcedores, mesmo de cabeça quente, não tem interesse em confrontar um policial montado num cavalo e munido de cacetete e fuzil. E também os policiais, especialmente os que não compõem tropas de choque, não têm vontade de enfrentar uma turba enfurecida de 40 mil pessoas.

Mas é responsabilidade da polícia reprimir o vandalismo e manifestações violentas. E não se pode esperar que façam isso na base da conversa e do tapinha nas costas.

Certa vez, quando repórter de polícia, questionei um coronel da PM a respeito de imagens iguais às do pós-jogo de sexta, que mostravam policiais chegando a um local e distribuindo cacetadas em qualquer um que viam.

A resposta dele foi: "O cidadão de bem, nessas horas, precisa ir na direção oposta do confronto. O policial não entra no meio de uma briga para perguntar o que cada um está fazendo ali".

Sigamos na direção oposta, então.

1 comentário
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Comentários:


Comentário de: Felipe Lessa Email

A pm precisa da psicologia do amor, carinho e compreensao.
Deveriam dar paulo freire como leitura obrigatoria aos que participam da academia de policia heheh

PermalinkPermalink 05.06.09 @ 17:19



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