O craque de verdade
por Luís Augusto Símon13h59
Há muitas definições sobre craque: o que decide, o que nunca deixa o time na mão, aquele que a bola procura são algumas delas. Kaká se enquadra em muitas delas, mas o craque também é aquele que tem a bola do jogo. A chance de decidir. Aquele lance mágico que fica marcado por muito tempo.
Foi assim ontem. O lançamento de Maicon o encontrou entre alguns peruanos. O chute forte, com a direita, fez muitas curvas antes de se chocar com a trave de esquerda de Penny e se transformar no primeiro gol brasileiro.
Kaká se destacar não foi nenhuma surpresa. Tem sido assim há tempos. No início das eliminatórias para o Mundial de 2006, por exemplo. Entrou no segundo tempo e, na primeira vez em que seu pé se encontrou com a bola, o destino foi a rede de Córdoba, goleiro colombiano.
Foi assim contra a Croácia, na estréia da Copa. Foi assim no Maracanã, no 5 a 0 contra o Equador. Um golaço. E outro frangaço. Kaká, como alguém que respeita a dor alheia, comportou-se como um cavalheiro. Nada de comemoração.
Kaká, ontem, uma vez mais, deu um passo para se fixar como o mais importante jogador brasileiro deste período. Além do gol, correu muito e combateu sempre. Reclamou de faltas feias que sofreu, mas também fez as suas. Não seria injusto levar um cartão amarelo. Não é há muito tempo o garoto de ouro do São Paulo,em 2001. Mais forte, mais veterano, é sempre uma referência em campo. Também não é uma novidade. Em sua estréia no Milan, encarou o argentino Kily González, metido a xerife.
Kaká não brilha como Robinho ou como Ronaldinho Gaúcho. Aquele do Barcelona. Antes do jogo, pode-se apostar que a jogada mais criativa, mais "brasileira" virá de Robinho ou de Gaúcho. Mas também pode-se apostar que, entre os três, Kaká é que não será substituído.
Um jogador vertical e minimalista. Joga sempre em direção ao gol, com força e habilidade. Resolve situações complicadas com simplicidade .Suas intervenções são cirúrgicas. Um craque dos novos tempos.
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