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Nov 13

Futebol apodrecido

por Equipe De Primeira12h30

O título até pode sugerir mais uma merecida ripada na cartolagem brasileira. Mas dessa vez o alvo é sempre elogiado pela sua organização futebol italiano.

Às notícias sobre a onda de violência na Bota no domingo seguiram-se invariavelmente na imprensa nacional dois comentários baseados em lugares-comuns: os ultra de lá são similares aos organizados daqui; lá a história não vai acabar em pizza. Duas bobagens. Se não inteiras, ao menos pela metade. Com honestidade relativa, torcedores violentos, estádios apodrecidos e uma média de público que só faz despencar, a Itália definitivamente deixou de ser exemplo de futebol organizado.

O futebol italiano mostrou sua vocação para pizzaiolo no calciocaos. Apesar da louvável iniciativa de cassar dois títulos da Juventus – algo inimaginável no Brasil –, as demais punições foram sendo abrandadas no calor da celebração pelo quarto título mundial da Azzurra.

A Juventus, que começou condenada a cair de divisão e iniciar a Série B devendo 30 pontos, acabou “apenas” com o rebaixamento compulsório. Fiorentina, Lazio e Milan tiveram suas pontuações negativas reduzidas e, por pouco, não ganharam uns pontinhos de brinde. Para os rossonere ainda se criou um caminho – com a anuência da Uefa – para disputar a Liga dos Campeões. Gentileza que os milanistas retribuíram com a conquista do título.

A tendência da Justiça amolecer diante dos feitos da seleção dentro de campo não é o único traço comum entre o futebol italiano e o brasileiro. Os estádios de lá são tão sucateados quanto os de cá.

Exceto o Estádio Olímpico de Turim, erguido para a Olimpíada de Inverno, disputada no ano passado, as demais praças esportivas italianas estão caindo aos pedaços. As menos obsoletas foram reformadas (Olímpico de Roma, San Siro, Luigi Ferraris) ou construídas (Delle Alpi) para a Copa do Mundo de 90, e lá se vão 17 anos. Neste período, só para lembrar, ingleses e japoneses/ coreanos criaram novos parâmetros para estádio, seja em termos de segurança/conforto ou modernidade/praticidade.

Pior para os estádios que ficaram fora do Mundial. Estão presos à Idade Média. O Atleti Azzurri, de Bérgamo, por exemplo, tem de “moderno” só aquelas proteções de acrílico perfeitas para matar torcedor esmagado que foram quebradas na bicuda pelos ultra da Atalanta. Parte das arquibancadas é, na verdade, estrutura metálica que quase não se vê mais em estádio brasileiro. Aqui em Curitiba, por exemplo, só é usada no carnaval da Cândido de Abreu.

É nesses castelinhos medievais que ficam entocados o maior problema do futebol italiano na atualidade. Os ultra juntam o que há de pior na história do país: a idelogia fascista de Mussolini e a estrutura e o modus operandi da Máfia. Como tempero, “treinamentos” com os hooligans ingleses e um ódio da polícia que só faz crescer desde que o oficial Filipo Ratice foi morto no clássico Catania x Palermo, no ano passado.

Foi esse ódio da polícia que provocou os distúrbios de domingo. A lógica dos ultra é: se o campeonato parou porque um policial foi morto, porque não parou porque um torcedor foi morto? Sem encontrar explicações para o dilema, os hooligans italianos saíram quebrando tudo que viram pela frente: câmeras de tevê, a sede do Comitê Olímpico Italiano, carros, ônibus e até invadiram um quartel da polícia. Roteiro de violência que faz os temidos Gaviões da Fiel parecem um bando de moleques rebeldes perto dos italianos.

Só tiveram tal ousadia porque a estrutura do futebol lhe permite. A Folha de hoje traz dois ótimos exemplos do poder dos ultra. Na Lazio, Claudio Lotito teve a mulher ameaçada e foi aconselhado pelos ultra a vender o clube quando cortou as regalias (ingresso e ajuda de custo) da facção. Na Roma, o velório do principal chefe da torcida – hoje uma das mais violentas da Europa – foi acompanhado por jogadores como Totti, capitão e camisa 10 da equipe.

Também foi por pressão dos ultra que o governo local engavetou um pacote de medidas para aumentar a segurança nos estádios, em 2005. Agora, a Itália só tem duas soluções: adotar o rigor inglês no combate à violência ou deixar que o monstro que ajudou a alimentar engula o futebol no país.

Postado por Leonardo Mendes Júnior

2 comentários
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Comentário de: Jones Rossi · http://www.interney.net/blogs/deprimeira

Artigos para compreender o fenômeno: http://www.iht.com/articles/2005/01/12/soccer_ed3_.php

http://www.iht.com/articles/2000/12/20/soccer.2.t_16.php

PermalinkPermalink 13.11.07 @ 13:13



Comentário de: Equipe De Primeira Email

E, inexplicavelmente (será?), com tudo isso, a Italia é campeã do mundo, bem como o Brasil fôra a 3 finais depois de N escandalos de corrupção naquela década.

PermalinkPermalink 14.11.07 @ 13:02



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