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Nov 11

Estarão mortos os atacantes?

por Equipe De Primeira09h38

Certa vez, Carlos Alberto Parreira disse que a formação tática do futuro seria o 4-6-0, sem atacantes, com meias aproximando para concluir. Muita gente bateu o pé, bufou, achou que ele estava maluco, mas antes mesmo que todo mundo tenha se dado conta disso, a profecia está se realizando (até mesmo antes dele falar isso).

O primeiro embrião disso já tem mais de 40 anos: a Seleção Inglesa da Copa de 1966 começou a borrar a fronteira entre os 'back' e os 'foward', sendo considerado o marco do futebol total, que ficou mais radical ainda com a taticamente cerebral Holanda de 1974.

Passando vinte anos, Telê Santana fez um time do São Paulo sem um centroavante de ofício e ganhou o mundo. Vai me dizer que o Palhinha era um 9 de verdade? Ele vinha de trás, assim como Müller, assim como o Raí, assim como o Cafu (que jogava mais avançado que quando jogou pela seleção).

Em 2004, Ricardo Gomes tentou fazer isso colocando Dagoberto e Robinho no ataque e às vezes Daniel Carvalho, em detrimento de Nilmar, mais próximo de ser um centroavante. Não deu certo, pois Dago e Robinho não tinham intimidade com o gol, coisa que Robinho agora está adquirindo.

Um pouco mais recentemente, a Roma conseguiu chegar a o 4-6-0 na prática. Luciano Spaletti foi obrigado a utilizar 6 meias por causa da falta de atacantes no elenco romanista. A falta de alguém na frente foi suprida com uma mescla de meias com muita movimentação e gosto pelo gol como Totti e Mancine - curiosamente um meia-esquerda que começou na lateral-direita - e de Taddei, que considero o ponto chave deste esquema: jogador versátil, bom de marcação e com uma chegada forte na frente (além da fase exuberante que atravessava no momento). A Roma foi a surpresa daquele ano, conquistando uma boa classificação com um elenco que era considerado modesto antes da bola rolar.

Os centroavantes de hoje em dia não fazem tantos gols como antigamente, pois além de as defesas terem ficado mais fortes, eles passaram a buscar o jogo e a marcar quando o time perde a bola. Por isso, um 9 só vai dar certo se um time jogar para ele ou se ele for rápido demais com os pés e com o pensamento. Essa é a dificuldade da Seleção Brasileira. Romário tinha bons arranques e uma velocidade de pensamento e de antecipação absurda. Ronaldo é um 9 de muita força e também com boa velocidade de pensamento (é ótimo tabelando), mas ainda está buscando se reabilitar para o futebol. Quando Ronaldo estiver bom, terá que ser o 9 até que Alexandre Pato - que não é tão centroavante (é um híbrido de segundo atacante), mas aparenta ter a velocidade de pensamento de seus antecessores - esteja maduro o suficiente, pois parece ser ele o herdeiro da posição, se é que vai ter lugar para ele no time.

Se os 9 atuais não convencem, Dunga poderia dar uma de Spaletti, como já fez nos últimos tempos e cumprir mais uma vez a profecia de Parreira. Dois volantes (atualmente Mineiro e Gilberto Silva) protegendo a defesa e quatro jogadores no meio-de-campo se revezando na frente.

Elano joga como homem de ligação no Man City e é tão bom pelos flancos quanto pelo meio, além de marcar. Elano é um cruzamento de Taddei com Mancine em estilo de jogo e leva gosto pelo gol, principalmente pelo arremate de média distância, que desenvolveu muito mais que nos tempos de Santos.

Ronaldinho Gaúcho é um jogador de pensamento rápido. Se não tem gosto pelo gol, tem gosto pelo gol dos companheiros. Ele abre espaço e chega bem na frente. Tem classe para ser armador se preciso e potencial de finalização para subir ao ataque.

Robinho é uma versão mais selvagem de Ronaldinho Gaúcho. Tem habilidade parecida só que se diferencia em chegar mais a frente, enquanto seu companheiro do Sul é mais de criação. No Real Madrid é mais um meia que um atacante e a tendência é que fique cada vez mais assim. Já mostrou que pode armar. Uma alternância de posições entre os dois é de deixar qualquer defesa do mundo de cabelos em pé.

Kaká tem características parecidas com Totti. Um meia habilidoso, com força e que chega bem ao ataque. Ficando mais solto fará como na última Champions League: gol atrás de gol. Kaká tem um quê de Raí, que também chegava bem ao ataque.

Gostem ou não gostem do Parreira, acho que desta vez ele acertou.

Postado por Leonardo Bonassoli

5 comentários
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Comentários:



Definir um técnico tendo como base sua atuação à frente da seleção brasileira é ignorância pura e simples. É de amplo conhecimento que quem manda na seleção é a CBF e seu beque central, sr. Ricardo Teixeira, mais vitalício nesse cargo que Fidel Castro no trono de Cuba.
Parreira não é um mau técnico. Inferir tal condição com base na vitoriosa porém retranqueira seleção de 94 e na última seleção-fiasco da Copa de 2006 é assinar atestado de ignorância no futebol. Talvez ele seja um mau treinador, no sentido de que não consegue elaborar bons treinos. Talvez ele não faça o estilo "agregador" como tem Felipão e por isso não seja tão bem visto, especialmente por parte da torcida média (para não dizer medíocre) brasileira.

Mas em termos de tática e técnica, é um dos melhores que já passaram pelo futebol do país. Conhece como poucos o conjunto de jogadores que passa pela sua mão e acredita piamente que o seguro morreu de velho: prefere ser prudente e ganhar de 1x0 do que atrevido e mirabolante e perder a partida.

Esquema tático com atacante ou centroavante de ofício está fadado a desaparecer. É o tipo de posição que depende quase que única e exclusivamente do talento do jogador, já que um boa marcação é capaz de neutralizar os medíocres. Jogador enfiado na banheira, no melhor estilo Ronaldo Nazario e Romário estão fadados ao museu e aos filmes em Super 8.


PermalinkPermalink 12.11.07 @ 09:20




Obrigada pelo convite, mas acho que meus conhecimentos futebolísticos são suficientes apenas para fazer comentários semi-impertinentes. ;)

Bj

PermalinkPermalink 12.11.07 @ 14:39



Comentário de: selecionado brasileiro de master · http://www.selecionadodemaster.com.br

ESTAMOS TENTANDO ALGUM EMPRESARIO ITALIANO, PARA FAZERMOS JUNTOS DOIS JOGOS ENTRE AS SELEÇOES BRASILEIRA E ITALIANA DE 1982, UM NO BRAIL NO PACAEMBU, E OUTRO NA ITALIA, INTERESSADOS ENTRAR EM CONTATO, www.selecionadodemaster.com.br

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