Furacão x Leãozinho (a saga)
por Equipe De Primeira12h00

Por Raquel Uchôa*
Eu ia voltar ontem pra Recife, mas amanhã tem um clássico do futebol que faz parte da minha história. Atlético x Sport, 1996, na Baixada, 6 x 2 para o Atlético. Fui nesse jogo e apanhei duas vezes. Uma vez no sentido figurado: fiquei abalada, seis gols, um atrás do outro, sem dó nem piedade. Eu lá, sozinha vibrando pelo Leãozinho, acompanhada de 5 amigos da PUC, tudo "atleticano lazarento" (aqui lazarento é nome feio, vou usar então!).
Estou lá, na torcida, e o Sport nada de atacar... só levando, só levando... e eu ficando indignada. Uma hora, depois de umas 200 bolas do time atleticano na pequena área do Sport, rola um contra-ataque. Foi meio espontâneo, saiu sem eu nem perceber: AAHHHHH QUEM NÃO FAZ LEVAAAAA! Dei um grito! Cara... só vi uma mão no meu cabelo, agarrando firme e puxando valendo mesmo (e aquele sotaque curitibano dizendo: Cala a boca gurriiaaaaaa!). Olhe a baixaria! Quando olho tá lá, meu (ex) amigo Julian, que era da minha sala, bebia junto com a gente e tal, se descontrola desse jeito, e pior de tudo, gratuitamente, porque o Sport nem fez o Gol. Olhe que vexame. O Baduy deu um grito nele, me catou pro degrau de cima e ficou me protegendo o resto do jogo. Fiquei com medo, né?
Me abalou! Nunca mais fui num jogo, até o último Sport x Naútico nos Aflitos, este ano. Powwwww!!! fiquei contando os dias para esse outro clássico. Beleza, chegou o dia. Me encontrei com Mari, que levou outra Mari e ficamos lá, na Brava da Ilha. Eu estava tão faceira, encontrando o povo conhecido, revendo amigos, longe do Juliannnnn... (essa parte foi importante!) Sabia que eu não ia apanhar dele, mas também não contava levar "pisa" do Náutico. Ódioooooo!!! 2 x 0 pro Timbu. Vontade de matar! Saí bufando do estádio, nem me despedi das minhas amigas, fui pra casa pensando: será que sou eu? Acho que foi culpa minha, ai, ai. Foi péssimo pensar nisso, me senti "A" pé frio da década, só melhorei quando pensei no outro lado: azar no jogo, sorte no amor! A gente precisa achar um lado bom pras coisas, né?
Agora estou eu aqui, em Curitiba, há 4 dias de um novo confronto do Leãozinho com o Atlético... vou, não vou, vou, não vou...fiquei com medo de dar azar para o Sport... os dois últimos jogos, duas derrotas, um puxão de cabelo, amigos me chamando de pé frio, saldo mais do que negativo. Aí bolei um plano (mirabolante por sinal).
Vou pro jogo sim, junto com meu Tio Péricles (Atleticano ROXO), fico lá nas cadeiras com ele, disfarçada de curitibana (isso é mole para mim... caladinha, então, nem se fala), me finjo de atleticana e levo meu pezão 36 (imerso num balde de gelo) para urubuzar o furacão! Vou com fé, já combinei com ele, domingão a gente está lá. (Só vou precisar me controlar nos gols do Sport, pular por dentro, gritar muda, vai ser lasca, já tô treinando). Eu estou sempre arrumando um jeito de conseguir as coisas, não sendo pelos métodos A, vou para o plano B (se precisar tenho também o C, D, E...).
Então pronto! Combinado. Sport ganhando, vou ser consagrada A Estrategista do Século, com direito a uma premiação junto a torcida organizada na minha chegada, Sport perdendo, vou estar pronta até pra casar de novo... vai ser sorte no amor até "umas hora". Montei um plano mais do que infalível, como já dizia a minha amiga Fabi: até quando a gente dar azar a gente tem sorte. Pois é, mesmo perdendo eu vou ganhar. Muito bola dentro essa jogada!
*Raquel Uchôa é designer e torcedora do Sport.
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