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Out 31

Diego retribuiu o amor que o futebol lhe deu

por Equipe De Primeira11h27

Por Luís Augusto Símon

Diego Armando Maradona foi gênio no único esporte que o acolheu. O único que poderia praticar com aquele físico de anão que cresceu um pouco mais do que o normal. Se tivesse nas mãos toda a habilidade que tinha na mágica zurda, mesmo assim não faria sucesso. A altura (ou a falta dela) no basquete é fatal.

Dêem à Maradona a soma das qualidades de Willian, Maurício, Marcelinho e Zaitsev que, mesmo assim, as bolas levantadas por ele seriam presa fácil para os muros humanos difíceis de serem superados até por um salto de Sottomayor.

César Luiz Menotti, treinador campeão mundial em 1978, disse certa vez que o futebol é maravilhoso por não ser discriminatório. “Muito cuidado ao analisar um garoto que sonha em ser craque. Se em uma seleção de vôlei ou basquete você dispensar um anão, um aleijado e um obeso, muito provavelmente não perderá nada, esportivamente falando. Se fizer isso no futebol, você estará dispensando Maradona, Garrincha e Coutinho”.

Belas palavras, mas Menotti dispensou Maradona. Ele foi o último cortado do grupo que disputaria o Mundial da Argentina. Tinha 17 anos e não pôde ganhar seu primeiro título. Ele viria no Mundial sub-20 de 1979, no Japão. Um time que contava também com o atacante Ramón Diaz.

Maradona soube retribuir a quem o acolheu. Deu ao futebol tudo que a sua genialidade poderia produzir. A técnica e a paixão andaram juntas. Produziram paixão. Diego sempre jogou como um apaixonado, como um louco que vivia seus últimos minutos na face da Terra. Ele, com sua incrível tendência para engordar, nuca se apresentou à Seleção Argentina como uma bola de carne. Não é Ronaldo Fenômeno. Nunca foi pego com as meias na mão. Quando vencia a droga, comportava-se como um profissional.
Eu sempre tive a impressão que Maradona morreria em campo. Tentando uma caneta, tentando um arranque que o peso não permitiria. Nunca achei que conseguiria parar. Seria parado antes, vítima da cocaína. Vítima de sua paixão pela bola.

Ainda bem que não. Para os seus inimigos, que nunca conseguiram engolir o fato de um argentino ser o melhor do mundo, havia chegado a hora da vingança. E tentaram separar o homem do jogador. Diziam que Maradona foi muito bom em campo, mas que era um mau exemplo fora dele. Como se tivessem o direito de julgar um atleta além de suas qualificações. Como se fossem juízes do mundo. Como se valessem alguma coisa diante do gênio dos proteros, do Dieguito de Villa Fiorito, do malabarista, do homem que chorava ao perder (Pelé perdeu muito menos, mas alguém já o viu chorando?), do grande maluco-beleza.

Diego Armando Maradona, o homem que fez o Mundo ficar muito mais feliz. É lógico. O Mundo também é uma bola.

Foto do Flickr de lalla2006

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