O futebol precisa de ídolos
por Luís Augusto Símon15h45
Estou no campo da Portuguesa, esperando o jogo contra o Remo, ouço falarem em Denner e me lembro de Dom Sebastião. O rei que morreu na batalha de Alcácer Quibir contra os árabes, em 1578. Seu corpo nunca foi encontrado e os portugueses passaram a acreditar que ele estava vivo e voltaria em um dia de nevoeiro. O desespero aumentou quando os espanhóis passaram a dominar Portugal em 1580. O Rei Morto viria restabelecer a liberdade e a grandeza do Império.
Era o que falavam de Denner. Se não tivesse morrido, seria melhor do que Pelé. Robinho nem se compara a Denner. O Eurico Miranda é um filho da puta. A Portuguesa não ganhou nada com a saída dele. Se tivesse ido para a Europa, nosso clube seria rico.....
A melancolia era evidente. Como um time pode viver sem ídolo? Como pode ressurgir, chorando o ídolo morto? E o triste é que a situação não é restrita à Lusa. Qual foi seu último ídolo no futebol, caro leitor? Aposto que não joga em seu time há muito tempo. Quantos craques foram embora nos últimos tempos? Quantos que nem eram craques ainda?
Não sei não, mas se continuar assim (um time por ano, um time por semestre) vai ser difícil fazer com que crianças amem o clube. O garoto vai ser corintiano porque o pai é e não mais por causa do Rivellino. O mesmo vale para outros times. É mais fácil se transformar um garoto brasileiro se tornar fã do Barcelona por causa do Ronaldinho Gaúcho. Se crescer e ficar rico, irá até a Espanha ver um jogo do Barça. Pode encotrar um argentino de sua idade que virou torcedor por causa do Messi.
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Comentários:
Eu lembro que na copa do mundo de 94 eu nem sabia o que era futebol direito. Só tinha 6 anos. E eu vi aquele cara, o heroi da copa e logo depois, em 95 ele foi jogar no que se tornaria meu time do coração, o Flamengo.
Minha familia era toda rubro-negra, eu provavelmente tambem seria. Mas eu nao sei o que realmente me fez ser uma apaixonada por futebol e pelo flamengo. se foi ter um idolo de verdade (mesmo sem ganhar nada expressivo por la), se foi o sofrimento daquele fatidico ano de 1995 (o ataque dos pesadelos), se foi o gol de barriga que tirou o doce de uma criança (eu e milhares de rubro-negros) que ja comemorava o titulo. ou tudo ao mesmo tempo. ou talvez tudo ao mesmo tempo.
mas o engraçado que eu cresci, descobri que meu heroi do futebol nao era tao heroi assim (assim como na vida), e mesmo ele sendo tao ligado ao time que é um dos nossos maiores rivais, nao consigo deixar de gostar dele, afinal, sao muitas lembraças queridas da minha infancia e ele faz parte dela.