Este Brasilzão de meu Deus...
por Ricardo Sabbag11h04

Mesmo se mantivesse o padrão de jogo de antes do segundo gol, o Brasil ganharia do Equador.
Ganharia, mas ficaríamos ouvindo o Galvão dizer que "a torcida queria espetáculo". E sobraria aquela sensação de mordida em fruta amarrada. Sim, ganharíamos. Não, não passaríamos sufoco. Mas faltaria aquele "algo mais" que aprendemos a exigir do time amarelo.
O fato é que o segundo gol destravou a seleção, que passou a ir para cima sem medo e agredir violentamente o adversário. Wagner Love foi o melhor em campo, Ronaldinho jogou bem como joga costumeiramente no Barcelona, mas foram Kaká - com o chutaço de fora da área - e Robinho - pedalada não serve para nada? - que "deram o show" que a torcida (ou o narrador) queria.
Mas melhor do que ver a firula sensacional de Robinho ou rir do frango do goleiro equatoriano, foi ver o time jogando inteiro do meio pra frente. As arrancadas de Kaká, os lançamentos precisos de Ronaldinho, o centroavante procurando jogo, os laterais jogando como bons laterais.
E, atrás, uma defesa sólida, que dá a segurança devida a um time que precisa jogar pra frente por vocação.
Vitórias nos iludem? Goleadas contra times medianos nos iludem? É claro que sim.
Por outro lado, o que é o bom futebol senão vitórias, gols bonitos, goleadas?
A seleção de 70 chegou ao México com a mesma desconfiança que sempre sentimos com o time brasileiro. Jogou o que jogou.
Em contrapartida, a seleção de 2006 era mais-do-que-favorita ao título. Tinha a nossa confiança. Jogou o que jogou.
E no Maracanã lotado, se formos contar no relógio, foram mais momentos de tensão do que de alegria.
Mas quanto vale ver o drible de Robinho terminando em gol? Ou Kaká pegando a bola no meio e metendo um tiro infalível? Ou mesmo as cobranças de falta venenosas de Ronaldinho tirando tinta da trave? Os desarmes classudos de Juan na defesa? É problema que tudo tenha acontecido na segunda metade do segundo tempo?
Ao ver pela pentelhésima vez o replay do drible de Robinho, repare na parte da torcida mais próxima da trave. Perceba a reação do torcedor quando o atacante passa pelo marcador. Escolha um rosto e acompanhe sua reação até o gol de Elano: Isto é futebol.
E a gente sabe que, no estádio, o que vale é bola na rede, jogada bem construída, vitória.
Valeu demais.
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