Fora, Robinho
por Equipe De Primeira23h29

Em matéria de futebol ninguém pode com o Brasil, mas de vez em quando algumas coisas criadas por aqui nos fazem passar vergonha. Uma delas é a pedalada do Robinho. Ou o tal drible da foca. Ambos são aclamados como lances do mais puro gênio tupiniquim, da ginga e malemolência do brasileiro, glorificados como exemplares dignos do que há de mais belo na tradição nacional do "futebol-arte", esta entidade que justifica qualquer aberração nascida de pés verde-amarelos. Não passam de embustes publicitários.
A pedalada "decidiu" um Brasileiro - que na verdade estava ganho tamanha a diferença de qualidade entre Santos e Corinthians. Mas, desde então, Robinho tem usado o drible à exaustão, nunca mais com a mesma efetividade daquela partida, como forma de se promover em campo. Aquilo nada tem a ver com futebol. No ápice de sua forma técnica, no Santos de 2004, Robinho se dedicou menos às firulas e mais ao ataque. Fez gols como nunca e foi importantíssimo na conquista do bi do Peixe.
Em baixa, no Real Madri e na Seleção, solta umas três pedaladas por jogo. Sabe que será imediatamente aplaudido por meia dúzia de comentaristas que seguem o manual de lugares comuns do jornalismo esportivo. "Drible bom, marcação má". Cada pedalada reafirma Robinho como um digno representante do futebol-arte e, é claro, traz mais publicidade para sua chuteira da Nike.
A mesma coisa acontece com Kerlon, que está ficando cada vez mais famoso à custa de quem não sabe jogar futebol. Seu drible é patético, para dizer o mínimo. Um chinês que trabalha no Cirque de Soleil poderia reproduzir o mesmo lance sem jamais saber quem é Pelé ou que o futebol se joga com os pés. A Placar publicou faz dois anos uma pequena matéria, de apenas página, mostrando como acabar com o drible da foca sem falta. Graças a um uruguaio sub-17 que não sabe jogar bola e ao truculento Coelho, Kerlon virou o mártir das viúvas do futebol-arte.
Isto ainda acontece porque a mídia carioca ainda tem um poder desproporcional ao futebol apresentado pelos times de seu estado. A opinião dos cronistas cariocas ainda ecoa, fruto do poderio do alcance das rádios de outrora e do poder das TVs estabelecidas em território fluminense. Futebol, para os cronistas do Rio, só vale se for espetáculo. Forçam a barra ao comparar qualquer pedaleiro ou foquinha a Garrincha e Pelé.
Tudo isto tem tornado acompanhar futebol cada vez mais difícil. Os times do Sul são violentos, o futebol-arte morreu, a Seleção tem volantes demais, Denilson neles! Na cartilha politicamente correta do futebol brasileiro só pode ganhar quem joga "bonito". Coloco entre aspas porque ainda ninguém soube explicar direito isso. Pedalada e drible da foca são bonitos? Não acho. O Botafogo joga bonito? Kerlon é craque? Robinho é o novo Denilson? Não sei a resposta para as duas últimas perguntas, mas a primeira já teve resposta em campo. E não era nada do que tentaram nos fazer acreditar.
Postado por Jones Rossi
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