Entre os xeneizes
por Equipe De Primeira01h52

A torcida do Boca Juniors talvez seja a maior propaganda do time, ao lado de seu mítico estádio em forma de uma caixa de bombom. No jogo desta quarta-feira contra o São Paulo, pela Copa Sul-Americana, fui ver o jogo entre os famosos xeneizes.
Antes de mais nada, esqueça o "lê, lê, ô" ou "ô ô ô". A maioria das canções bosteras (apelido da torcida) são quase épicos que celebram a fidelidade ao time e fazem algumas referências pouco gentis ao River Plate. Muitas devem ser usadas para alfabetizar as crianças argentinas.
Sim, eles cantam o jogo inteiro, embora os muitos corintianos presentes só acompanharam os gritos de Dá-lhe Boca e outros sem muitas frases. Aliás, os brasileiros ali eram quase todos corintianos, com a exceção de alguns torcedores do Ceará que levaram uma bandeira e - dos que conversei - um pernambucano filho de argentino que bateu no braço com orgulho e disse que tinha sangue argentino.
Procuro um argentino. Marcelo Tabera, 33 anos, é músico do grupo Circo Trópico. Há dez anos mora em Santos. Não foi alfabetizado com as músicas do Boca, mas aprendeu desde cedo a importância do time para sua mãe. "Ela não me dava de comer se eu não torcesse. Ela não me dava o peito, dava as costas."
No primeiro tempo procurei me adaptar ao ambiente. Sentir qual era o clima e se os brasileiros ali eram bem-vindos. Não houve problemas. Com o zero a zero dando a classificação para o Boca, era só festa.

No intervalo fui, com a ajuda do argentino que mora em Santos, tentar falar com o pessoal da organizada, a La Doce (A Doze, em português). Vieram 20, de avião. Mas ninguém quer conversa. Segundo o argentino que me levou para falar com eles, os líderes estão presos e por isso ninguém tem autoridade para falar em nome da torcida.
A polícia aparece para tirar uma faixa que fala mal do Galvão Bueno. Dois minutos depois uma bomba explode bem no meio da torcida. Por sorte ninguém fica ferido. Desta vez a polícia não dá as caras.
A bomba interrompe o papo que levo com o economista André Barone, 29 anos, corintiano e também torcedor do Boca. "Não sei para quem torceria se jogassem Corinthians e Boca", revela. Desde 1998 é mais um seguidor do atual campeão da Libertadores. "Me identifiquei com a torcida", diz.

Outro torcedor "misto" é Leandro Moreira Alves, 23 anos. É o segundo jogo do Boca que assiste no estádio. Foi também na final da Liber de 2003, "contra o Santos". É xeneize desde o baile de Riquelme em Argel, em 2000.
O Morumbi também foi palco de reencontros. Matias Menutti, 32 anos, dono do restaurante Patagônia, que fica em Moema, não via Marcelo Gomez, amigo de seu pai desde os tempos de Parque Le Loir, em Buenos Aires, há 20 anos. Os dois cantaram juntos e reclamaram juntos. "Cadê o carrinho?", esbravejou Gomez após um lance duro no meio campo, do qual o Boca levou a pior. Depois de um lançamento errado, um "puta madre" é disparado.

Nesta quarta ninguém deu sorte. O São Paulo confirmou a boa fase com um vitória por 1 a 0. O Boca pouco ameaçou, o que talvez não tenha estimulado a torcida azul-oro a fazer o espetáculo que cativa até os rivais brasileiros. Mas ninguém deixou de aplaudir o time no final.
Postado por Jones Rossi
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Comentários:
E quanto ao jogo... sinceramente, esperava ver o Boca jogando mais. No final das contas me pareceu que o São Paulo merecia ter feito mais uns dois gols.
esse canto diz tudo o que sinto pelo boca.
Rodrigo, torcedor do goiás e BOCAAAAAAAA...