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Set 05

Algo de podre no ar

por Leonardo Mendes Jr.21h42

A briga contra o rebaixamento começou a feder. O responsável por espalhar o odor é o Timbu. Mas o cheiro da carniça já aguçou o faro de um Urubu, um Gavião, um Periquito e dois Furacões.

A podridão em questão tem como pivô o meia Batista, mais um jogador meia-boca destes que infestam os nossos clubes. Destaque da Adap no vice-campeonato paranaense do ano passado, o jogador chamou a atenção do Paraná. Passou o Brasileiro-06 inteiro na Vila Capanema, ajudou o Tricolor a classificar-se para a Libertadores e, com o término do seu contrato, voltou para a Adap, que em dezembro já havia se mudado de Campo Mourão para Maringá e incorporado o nome Galo Maringá à sua denominação.

Voltou, mas não ficou. Queria defender o Paraná na Libertadores e descolar uma transferência para o exterior no meio do ano. A Adap barrou. Batista foi bater na porta do Avaí. A Adap barrou de novo. Batista foi bater na porta da Justiça do Trabalho. Aí, quem acabou barrada foi a Adap. A Justiça liberou o jogador para o clube catarinense.

Com a liminar debaixo do braço, Batista assinou com o Avaí. Passou quatro meses em Florianópolis – enquanto isso, ainda corria na Justiça sua pendência com a Adap – até ser emprestado gratuitamente ao Paraná.

O Náutico chiou. Alega que a liminar concedida a Batista só o autorizava a jogar pelo Avaí. Assim, ele estaria irregular para jogar em qualquer outro clube. Na semana passada, o clube pernambucano apresentou queixa à procuradoria do STJD, que deve oferecer denúncia. Não só pelo eventual uso irregular de Batista, mas também porque o chefe da procuradoria, Paulo Schmitt, suspeita de uma ponte para que Batista fosse da Adap ao Paraná, com escala no Avaí, sem que o Tricolor tirasse um centavo do bolso.

Logicamente, um caso que envolve, no mesmo balaio, clubes de futebol, empresários da bola, justiça brasileira e tribunais esportivos só poderia ter uma série de nós e um desfecho imprevisível.

Mas o que mais atenção é a postura dos clubes que estão na porta da zona de rebaixamento e podem, de alguma maneira, se beneficiar de uma punição que tiraria o Paraná da Primeira Divisão – se fosse punido hoje, o Tricolor passaria de 28 para 10 pontos, junto com o América-RN.

Oficialmente, Flamengo, Atlético, Figueirense, Corinthians e Juventude ou não foram consultados ou, se questionados, disseram que não têm nada a ver com a ação do Náutico. Os fatos, porém, indicam que a prática pode ser bem diferente do discurso.

Dando uma olhada no processo (algo que qualquer um pode fazer entrando no www.trt9.gov.br e colocando os números 7906 e 2007 no campo de consulta processual), notei algo no mínimo suspeito. No dia 28 de agosto, o advogado Diogo Fadel Braz pegou os autos do processo para tirar cópia. No mesmo dia, devolveu a documentação.

Tudo normal, não fosse por dois pequenos fatos:
1 Dois dias depois de Diogo Fadel Braz retirar o processo para fotocopiá-lo, o Náutico apresentou sua queixa ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva;

2 Além da sua atuação na área trabalhista, o advogado Diogo Fadel Braz é vice-presidente do Conselho Deliberativo do Atlético, clube que pode ser beneficiado diretamente caso o Paraná seja punido;

3 Náutico e Atlético mantém uma estreita ligação comercial, com a cessão de jogadores da Baixada para os Aflitos. Netinho, que acaba de fazer um golaço contra o Goiás, por exemplo, foi fundamental para o Timbu voltar à Série A.

Logicamente, tudo pode não passar de uma enorme coincidência. O advogado Diogo Fadel Braz pode, até, estar representando o Náutico na demanda. Uma relação profissional sem nenhuma contra-indicação. Mas que é estranho, isso é.

Enquanto isso, o odor aumenta. O Urubu, o Gavião, o Periquito e os Furacões não param de se atiçar.

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