Craques, nunca mais
por Ricardo Sabbag18h16
Os clubes brasileiros desistiram definitivamente de manter qualquer jogador razoavelmente bom em seus elencos. Como a galinha dos ovos de ouro renasce a todo tempo, os dirigentes acharam por bem estabelecer como regra vender os talentos ao estrangeiro para equilibrar as contas. Exemplo mais recente na ida de Willian, do Corinthians, para o ucraniano Shaktar Donetsk.
É uma visão no mínimo obtusa. Não é preciso ser nenhum gênio da administração esportiva para saber que, ao se manter um bom jogador no clube, é possível capitalizar sua presença no elenco, através da atração de mais público para assistir aos jogos, do marketing esportivo, ou meramente da conquista de títulos.
O último caso que recordo de um clube que tentou manter o ídolo foi o Santos com Robinho. A situação foi até o limite. Chega um momento em que, por melhor que sejam as condições oferecidas pelo clube nacional, o jogador deseja - e consegue - sair. Aconteceu agora com Alexandre Pato. Os clubes estrangeiros, cientes de sua condição, oferecem valores menores do que as multas rescisórias previstas em contrato e seduzem o jogador. O máximo que os locais conseguem fazer é negociar o valor da barganha, sempre abaixo do que reza o acordo contratual.
Essas situações, entretanto, somente refletem a força de economias estrangeiras perante a brasileira. Para um clube como Milan ou Real Madrid, pagar US$ 20 milhões por um jogador brasileiro é troco. Não se paga mais porque não é preciso. A relação inversa é impossível. Qual clube nacional teria caixa para bancar uma transação dessas?
O maior problema está no quão barato se liberam jogadores medianos. Hoje qualquer "motorzinho" brasileiro vai para fora por menor que seja a oferta, atrás de melhores pagamentos e visibilidade. Os clubes não se esforçam para manter ninguém. Ao menor sinal de verdinhas, entregam o jogador.
O que é feito desse dinheiro? Em caso de clubes quebrados como Corinthians e Flamengo, vai para pagar dívidas, ou sustentar a folha de pagamentos. Clubes saneados, como o Atlético Paranaense, investem em estrutura. E os ainda melhores, São Paulo e Internacional, tentam, cada um à sua maneira, reforçar seus elencos para as novas perdas que virão. (Isso, claro, é só um palpite. Nem vamos imaginar o quanto dessas fortunas se esvai pelo caminho.)
Fato é que o futebol brasileiro se vê cada vez mais distante de seus craques, que vão embora cada vez mais jovens. O que teremos, muito em breve, serão times formados por novatos e veteranos. Jogador decente nenhum entre 21 e 28 anos jogará no Brasil. Ao que parece, não há saída próxima para o problema.
Deixe seu comentárioPermalink
Futebol
Posts similares:
Orgulho do Brasil.
Fiat Futebol Clube
Valeu a pena vender o Claiton?
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários:
Sem Comentários para esse post ainda...