A Seleção do Iraque pode ser viável
por Equipe De Primeira09h58
Sim, você não está tendo alucinações, nem eu. Recentemente - sob comando do ilustre desconhecido treinador brasileiro Jorvan Vieira - o Iraque chegou ao inédito título da Copa da Ásia. O brasileiro já pediu as contas, mas ficou plantada a semente de que o país pode dar certo, apesar das diferenças entre xiitas, sunitas e curdos, basta vontade por um objetivo comum.
O Iraque não é bobo no futebol asiático. Antes mesmo da atual Guerra, o país quase foi para uma copa (foi em 98, se não me falha a memória). Neste quase, um episódio lamentável foi relatado: como castigo pela não classificação, o então presidente da Federação, que era um dos filhos do ditador Saddam Hussein, agrediu os jogadores. Curiosamente, depois desse episódio, nunca mais o Iraque tinha chego tão perto de ir a uma Copa.
Com a invasão dos Estados Unidos, o governo de Saddan Husseim (sunita) foi derrubado e isso deixou a mostra as desavenças internas do país, rico em recursos naturais energéticos como o petróleo. Neste mesmo tempo, o Iraque acabou sendo convidado para jogar as Olimpíadas de Atenas (2004) e fez muito bonito com um futebol envolvente e de toques rápidos. Os jovens jogadores do Oriente Médio conquistaram um brilhante quarto lugar.
Recentemente, Jorvan Vieira foi chamado para treinar o time e - por causa da guerra, que já toma proporções de carnificina civil - dá como condição não ir para Bagdá. Assim o time ficou treinando na Jordânia. Havia um grave problema: o grupo estava rachado igualzinho ao país em sunitas, xiitas e curdos e um não tocava para o outro. Jorvan - convertido ao islamismo e casado com uma marroquina - conseguiu convencer a equipe de que mesmo diferentes entre eles, eles são uma única nação e essas diferenças são normais em todos os lugares do mundo. Assim o bom futebol dos iraquianos começou a aparecer e a viabilidade da Seleção surgiu, indo melhor que a encomenda superando seleções com muito mais tradição no cenário continental. A vítima na final foi a Arábia Saudita - notória freqüentadora de Copas do Mundo.
Podem perceber que a vitória iraquiana não é um fato isolado. Se voltarmos mais no tempo, poderemos ver mais algumas boas equipes representando o time mesopotâmico. Na verdade, se o Iraque sobreviver como um só país, teremos chance de vê-lo nas próximas Copas. Se ele se esfacelar, isso dificilmente ocorrerá. É o futebol realmente refém da política.
Postado por: Leonardo Bonassoli
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Comentários:
Fomos amigos de Faculdade quando fazíamos Educação Física no Rio de Janeiro (Faculdades Integradas Castelo Branco), onde também estudaram o Zico, Vanderlei Luxemburgo, Luiz Carlos Prima, entre outros. Chegamos a jogar juntos no time de futebol da Faculdade, disputando a Olimpiada Universitária do Rio de Janeiro. O Jorvan era tão determinado em seus objetivos que naquela ocasião chegou a vender o seu carro para realizar cursos de handbol e volei na europa. Essa determinação ele vem demonstrando com a conquista da Copa da Ásia. Outra coisa que não vi em comentários, é que ele foi preparador físico da seleção de Marrocos, salvo engano, no copa de 1986.
Ficaria muitíssimo agradecido e muito feliz se pudesse fazer contato com ele, ou, ao menos, se minha mengagem chegasse até ele.
Ricardo Rossi
Obs.: meu outro email é mlrrrossi@uol.com.br